O caso do prato alugado

Do alto da sua preocupação e gentileza para com a sua filha, a minha sogra pegou na minha desempregada mulher e, para a animar, levou-a num passeio pela Baixa portuense com o nosso miúdo. Chegada a hora, eis que a família entra numa das mais prestigiadas e conhecidas confeitarias da belíssima zona da Invicta.

Como é óbvio, não comendo o mesmo que um adulto, o nosso miúdo de quase 3 anos come do prato dos pais… a mãe, com inocência, pede ao empregado um prato e uma colher para colocar em tal objecto de cerâmica um pedaço para tirar a fome do petiz.
Chega a conta… olha-se, discute-se sempre o preço das coisas mas este talão traz uma novidade que se estranha: «1 Prato adicional: 1,50€»! Como a minha sogra e a minha mulher ainda não endoideceram, perguntam quem consumiu tal prato adicional… a resposta: «Minha senhora, pois… corresponde ao prato que pediu para colocar um bocado do seu bacalhau para o menino»!

Pois bem, eis então que 1,50€ é o preço do aluguer da cerâmica, taxa de utilização e limpeza…

Incerto sobre a legalidade da “coisa”, tenho a certeza, porém, que este estabelecimento do comércio tradicional acaba de perder mais 4 fregueses.

Ex-cliente de um confeitaria portuense devidamente arrependido

Comments


  1. A chico-espertice (vulgo roubalheira) está a caminhar velozmente para uma situação pandémica altamente contagiosa!
    Acho muito bem que se tornem públicos estes focos de infecção!


  2. E a cadeira do menino, não pagou taxa de uso?
    E qual é a confeitaria? – a ver se me desvio destas coisas…


  3. Por motivos pessoais não vou à baixa Portuense, em especial ao seu centro comercial (Santa Catarina, Rua Formosa, Bolhão, Rua Passos Manuel etc.,) há já mais de quatro anos. Mas durante os trinta e cinco anteriores palmilhei a zona diariamente, mais de trezentos e cinquenta dias em cada ano.
    Fui cliente da Confeitaria do Bolhão no tempo antigo, antes dos actuais donos (julgo que ainda serão os mesmos após estes quatro anos) tomarem conta das instalações. A casa, na altura, estava já em decadência e estes novos senhores vieram dar-lhe novo ânimo. Para mim, com um senão: habituados que estavam às gentes da América do sul, entenderam que aqui as gentes eram as mesmas, e trataram-nos como tal. Não gostei e quase não voltei. Quase, porque uma vez de vez em quando, ia lá ver se algo tinha mudado, e não, nunca reparei que tivesse.
    O exemplo que aqui nos traz este ex-cliente da Confeitaria do Bolhão, não me espanta, mais, é para mim mais um alerta, para que nunca me esqueça de, se um dia voltar à baixa do Porto, não me tentar a entrar lá.

  4. Zuruspa says:

    Esta gente ainda näo aprendeu que a chico-espertice custa bem mais que o pretenso ganho?
    Por cobrarem 1,5€ (a fortuna de 300 escudos!) väo perder directamente os próximos 14€ que esta família lhes entregaria quando voltasse… e indirectamente os 14€ por cada leitor deste artigo!

    Depois queixam-se ai e tal a crise.

  5. Rui Resende says:

    A confeitaria do Bolhão não me perdeu como cliente porque nunca lá entrei, mas deixou de ganhar 4 clientes: eu e a minha família!

  6. manuel.m says:

    Não percebo o burburinho :
    Mas afinal os consumidores não pagam o aluguer do espaço que os cabos da EDP ocupam para lhes trazer a energia elétrica ?
    Porque não pagar o aluguer do prato onde vem a comida ? (e o garfo ,faca etc…)
    É apenas o seguir o exemplo da soberana e majestática EDP…
    manuel.m


  7. Pois é, e pagam a taxa de ocupação do subsolo das condutas de gás, e pagam as taxas de exploração e a potência contratada que antes se chamavam “contadores”, e pagam a contribuição áudio-visual mesmo que tenham outro operador que não o “oficial”, e pagam o Imposto Especial sobre o Consumo de Electricidade, e pagam a Componente Fixa de Saneamento (outro nome para o contador), etc., etc.
    A questão aqui é que as entidades que cobram o acima descrito aos consumidores são os “rapinadores” já conhecidos, os habituais, já são da “família”! O interessante da questão aqui é que estamos a descobrir os novos! Em vez de novos ricos temos novos “rapinadores”! 🙂


  8. Eu tinha trazido o prato pois não diz em lado nenhum da venda a dinheiro que era um aluguer.

  9. Diogo says:

    Ao imbecil do José Magalhães. Se “percebi” bem o que quer dizer com -“Para mim, com um senão: habituados que estavam às gentes da América do sul, entenderam que aqui as gentes eram as mesmas” posso garantir que somos os mesmos. Eu Brasileiro sul-americano e você sabe-se lá o que é… Somos os mesmo. Mesma racionalidade. Mesma inteligência. Mesma natureza… E os mesmo defeitos. Eu por exemplos agora estou achando você um imbecil. Repetindo seu erro e me considerando superior a você. Desejo que seu país saia desta situação. Fui muito bem recebido por estranho. Tao bem quanto fui recebido pelos meus parentes portugueses. Mas desejo que essa crise leve muito sofrimento a pessoas preconceituosas e de pouca inteligência como você. Que o dinheiro que nossos visitantes e patrícios que agora vivem em nossa terra nunca cheguem aos bolsos de sua família.
    Att, Diogo

  10. marai celeste ramos says:

    O que vale é que os portuuses não são responsáveis por tudo o que se passa com brasil e brasileiros desde que são “independentes” Só não conseguiram nem aprender a fazer nada e muito menos a dizer e escrever pois que lá ficou um pais e cultura e cidades das mais belas do mundo e UNESCO mas depois apareceu o samba – a grande criação desse lugar – que me perdoe quem escreveu Gabriela Cravo e Canela e inventou a bossa Nova – de resto não há lá nada – ah há os “cortiços” e os “meninos do Rio” e os polícias que os matam como gatos e cães – Emigrantes portuguses ?? Pois é – a 1ª leva foi fazer tudo, a 2ª foi levar indústria e esta leva SABERES e boas “maneiras” – e ainda aqui estão 40 mil do seu ap+is tão grande e tão rico que nem chega para todos – se eestá xatiado com isto vão para a sua terra que tem muito que fazer e já querem ser os maiores do mundo – sejam e larguem – odeio idiotas racistas complexados e ainda querem exportar brasilês – PORRA

  11. Mário Oliveira says:

    Não quero parecer racista ou xenófobo, porque não o sou. O que tenho a dizer, tanto digo a um oriundo da América do Sul como a um de outra qualquer origem, português, chinês, noruegues, seja quem for: imbecil é todo aquele que tem a distinta lata de cobrar 1,5€ por dispensar um prato para pôr comida, ainda por cima uma criança; imbecil é todo aquele que, confrontado com tamanha e evidente prova de sabujice mental e xico-espertismo, ainda tem a lata de se achar cheio de razão; Que isto não se transforme nunca numa América do Sul, em que te entre pela porta dentro em cada semana alguém para te roubar até ao tutano e, vá lá, não te dar um tiro, não chego a esse ponto, mas para te dar uma porrada nas ventas que é o que mereces, ou te partir a loiça toda do estabelecimento. Pensando melhor, vou retribuir a tua praga ao José Magalhães: que uma coisa destas te aconteça pelo menos uma vez, para teres tempo de reflectir na idiotice que disseste e praticaste. E, já agora, se fosse eu só pagava na presença da PSP, uma vez testemunhado adequadamente o incidente e depois de preenchido o livro de reclamações, que é para isso que eles servem. Por algo parecido com isto fui às ventas a um italiano dono de uma gelataria, a quem provoquei o suficiente para poder invocar legítima defesa, e quem tive o prazer de amassar o focinho sob esse pretexto. E só se perderam as que caíram por fora…

  12. Maria do Carmo says:

    Independentemente da nacionalidade o que se passa concretamente é de um roubo.
    Se fosse comigo também não pagaria e chamaria as autoridades competentes.
    Além disso pediria também o livro de reclamações, faria denuncia do sucedido à ASAE e à Defesa do Consumidor.
    Para este roubo ainda ser mais “badalado” faria chegar est caso a um dos canais privados de televisão pois normalmente é assim que se resolvem os casos mais graves e aberrantes.
    Sou de Lisboa mas gosto muito do Porto e tenho lá grandes amigos.
    Existem tantos restaurantes, confeitarias, tascas, de excelente qualidade e com um atendimento fabuloso que de facto não se perde nada em deixar esta “Confeitaria” às “moscas”, e, se elas dividirem os pratos cobrem-lhes a elas o “prato adicional”.

  13. Albano Lemos Pires says:

    Correndo o risco de ser completamente cilindrado:
    — acho pouco elegante, no atual enquadramento, a atitude da confeitaria;
    — acho que os preços praticados na hotelaria em Portugal refletem os baixos ordenados de quem nela trabalha;
    — em qualquer país onde os ordenados da hotelaria sejam justos, os preços dos serviços são, regra geral bem maiores do que os dos produtos em si, isto é, uma água natural sem gás pode custar o mesmo que um sumo 100% de garrafa pois é mais valorizado o trabalho de servir que o valor do produto servido;
    — é comum em tais países (quase toda a Europa) os preços sofrerem oscilações brutais para um mesmo produto consoante este seja servido por um empregado ou em sistema de self-service;
    — ficarei contente quando em Portugal tal aconteça e ENTÃO será de todo até mais correto cobrar pelo prato extra do que por uma quantidade extra.

    Assim, considerando que neste momento não é essa a realidade portuguesa, é de criticar a atitude da pastelaria mas é bom que comecemos a refletir no que deve ser o peso do valor do trabalho humano vs o valor das mercadorias numa conta de hotelaria.

  14. Mário Oliveira says:

    Comprendo, creio, o ponto de vista do Albano Pires. Mas sou do Porto, onde vivi até há 18 anos, e recordo que havia uma época em que qualquer estabelecimento que fizesse este tipo de “habilidade” ficava “às moscas” mesmo, e não mais se safava porque a notícia corria de boca em boca. Mas os tempos devem ter mudado. O que não invalida que, sob a perspectiva social, atitudes destas trazem mau nome aos estabelecimentos de uma dada zona, por vezes de uma cidade. Porque as pessoas tendem a generalizar. E, para ter pontos negativos é um momento. Para recuperar a credibilidade, é preciso muito tempo…

    • Albano Lemos Pires says:

      Também sou do porto, cidade adoptiva que as minhas raízes se perderam em África.
      De todo concordo: arruinar uma reputação é muito fácil, reconquistar é uma árdua tarefa.

      E é verdade, hoje somos muito mais distraídos e até por vezes voltamos a lugares onde fomos mal-tratados porque simplesmente nos esquecemos…

  15. Mário Oliveira says:

    Eu, não. Lugar onde me façam “chegar a mostarda ao nariz”, nunca, mas nunca mais na vida lá volto, nem que não haja nada mais parecido num longo raio em volta. Um exemplo: uma vez, fui a um snack com a intenção de almoçar. Não havia mais ninguém para atender. Sentei-me, e o empregado falava com quem penso seria o proprietário (pelo menos, tinha modos de o ser). Olharam para mim, e continuaram calmamente a conversar. Deixei-me star. Uns bons 15 minutos depois lá vem o empregado, com um ar de tédio, perguntar-me o que queria, e era exactamente por isso que eu esperava. Levantei-me e disse simplesmente: -Agora, nada… E fui embora.
    Podia estar num local onde para ir ao restaurante mais próximo levaria uma meia hora a pé. Pois, era o mesmo. Naquele, NUNCA mais entro.

  16. antonio soares says:

    Os “tipos” podem debitar o que quiserem, mas para isso, tal, deverá constar da tabela e, neste caso, seria prestação de serviços e/ou aluguer de equipamento que devido à ultima alteração do IVA, passou a ser igual, quero dizer, a restauração passou também para a taxa normal de IVA (taxa normal-23%). Será que “esses senhores” têm na sua declaração de actividade(às Finanças), que além se serviços de restauração, prestam também serviços de aluguer de equipamento e serviços análogos?????? Sem mais comentários…(Soares-toc). Cumprimentos

  17. Alvaro Urbano says:

    Estou a ler o texto e já nao me esquecerei desta confeitaria manhosa. Sou tripeiro e deambulo regularmente pela baIxa. Perderam dois eventuais clientes.
    Bem a moda do Porto ” que chupistas.


  18. Confesso que fiquei surpreso pela notícia. Sou cliente da confeitaria do bolhão e gosto de lá lanchar com os meus miúdos e a catraia de vez em quando, mas nunca me fizeram tal. No entanto, se o fizessem era certinho que não me apanhavam por lá de novo…

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