Ainda a gestão das escolas

O Miguel deve estar satisfeito porque encontra sempre alguém pronto a dar uso à caneta. Depois dos concursos, cá está outra vez um acordo entre o MEC e algumas organizações que insistem em se definirem como sindicatos.

De significativo, não acontece nada – a gestão das escolas continua uma barbaridade e os sindicatos do PSD cumprem o seu papel de muletas do sistema laranja que nos dirige.

De acordo com o portal do governo, podemos conhecer algumas das conclusões:

–  “Conselho Geral, que participará na avaliação do diretor” – mas, o que é que isto acrescenta de qualidade ao Processo Educativo?

– “ a escolha para o cargo dependerá do apoio de pelo menos 1/3 dos membros do conselho pedagógico ao vencedor” – aqui só pode ser um erro. Devem estar a pensar no Conselho Geral. Repito a pergunta anterior.

– “O Conselho Pedagógico passa a ser composto apenas por professores. O seu presidente poderá, no entanto, convidar outros elementos da comunidade educativa para estarem presentes em reuniões específicas“. Há alterações nas competências do Pedagógico? Não? Mas, então porque é que se tira a representação dos Encarregados de Educação? Com que argumento? Com que objectivo? É uma péssima notícia.

– “As escolas terão autonomia para definir o número de departamentos curriculares.” Esta é uma boa medida, mas que não é a questão central. Faz sentido que cada Agrupamento possa encontrar as suas soluções organizativas.

– “O coordenador destes será eleito pelo respetivo departamento, de entre uma lista de três docentes proposta pelo diretor. Consegue-se assim atingir um equilíbrio entre a necessidade de o coordenador ser da confiança do diretor e de os professores se sentirem representados pelo coordenador“. Cá está, uma pérola! Então agora, a Democracia é por amostra – o Director escolhe um trio e o “povo” escolhe! Espantoso como alguém se lembra de uma proposta tão absurda. Se quer dar poderes, por inteiro ao Director, este tem que escolher. Se quer dar um formato democrático ao processo, tem que deixar os Departamentos escolher em total liberdade.

Se a Lei tiver o formato que a última proposta do MEC apresentava, estaremos na presença de um documento completamente sem sentido, porque continua a manter a escola num erro: o de pensar a escola como uma Empresa.

Comments


  1. – “O Conselho Pedagógico passa a ser composto apenas por professores. O seu presidente poderá, no entanto, convidar outros elementos da comunidade educativa para estarem presentes em reuniões específicas“. Há alterações nas competências do Pedagógico? Não? Mas, então porque é que se tira a representação dos Encarregados de Educação? Com que argumento? Com que objectivo? É uma péssima notícia.”

    É uma péssima notícia? Porquê? Ou há qualquer coisa que me escapa, João Paulo?

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  1. […] do João Paulo, ou não houvesse pluralismo opinativo no ativismo sindical, quando este colega contesta a saída […]

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