Os novos patriotas portugueses

os novos patriotas portuguesesNão foi fácil, num dia como hoje, faz já cento e dois anos, implantar a República de Portugal. O povo estava habituado a quase mil anos de uma monarquia que sabia abusar deles, especialmente com os morgados, a igreja católica romana e o raro salário pago aos trabalhadores. A venda da produção rural, única riqueza de Portugal, era para consumo interno, apenas se exportava o vinho do Porto. Cansados já de tanta explotação más sem alternativas para agir e se defender, foi preciso assassinar um rei e o seu herdeiro, ser aprovado pela Assembleia a coroação do filho mais novo do rei sacrificado, Manuel II de Bragança (D. Manuel II de Portugal (nome completo: Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha)

GCNSC (15 de novembro de 1889– 2 de julho de 1932) foi o trigésimo-quinto e último Rei de Portugal. D. Manuel II sucedeu ao seu pai, o Rei D. Carlos I, depois do assassinato deste e do seu irmão mais velho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908. Antes da sua ascensão ao trono, D. Manuel foi duque de Beja e Infante de Portugal. Fonte: PROENÇA, Maria Cândida; “D. Manuel II”, Rio de Mouro, Círculo de Leitores, 2006 ISBN 9724236595.

A 4 de Outubro embarcou-se na Ericeira para fugir ao Porto, mas o barco levou a família real para Gibraltar onde a Rainha Viúva D. Amélia de Orleães e a avó, a Rainha-mãe D. Maria Pia de Sabóia, também exilada, foram acolhidos pelos seus parentes Gota na Grã-Bretanha, especificamente o Rei Jorge V Hannover.

As Repúblicas sucediam-se. A República não estava habituada a eleições e houve golpes de estado. Até 1933, com o começo do Estado Novo o Ditadura de António Oliveira de Salazar, continuada por Marcelo Caetano até o 25 de Abril de 1974. Comemoramos esse 5 de Outubro como figura simbólica, porque a República verdadeira começou apenas com o alçamento militar, o assassinato do candidato a Primeiro-ministro, fundador do Partido Social Democrata, Francisco de Sá Carneiro e a eleição de Ramalho Eanes como presidente da República. História conhecida por todos, que apenas reitero para os mais novos e pela surpresa causada a 4 de Outubro, dia em que o Primeiro-Ministro atual anuncia que será o derradeiro dia feriado para comemorar a implantação da república.

Não consigo pensar outra ideia de que Passos Coelho quer tornar a Monarquia. Lamento. Já nos mata a fome, já incrementou os impostos em 33%, as Farmácias estão de luto por causa de falta de medicinas, as fábricas declaram falência, milhares de trabalhadores sem trabalho ou com salários recortados.

Não consigo no nomear ao nosso governante Pedro de Portugal, por governar sem Assembleia, sendo Bruxelas a primeira em saber o que acontecerá no nosso país. Um reino sem Constituição respeitada e com um rei plebeu a viajar no dia em que todos comemoramos a implantação, difícil como foi, da República Portuguesa. Que Pedro seria este? Não tem número, e único, o inabalável, que nem permite falar ao seu parceiro da coligação que lhe oferece maioria na Assembleia, para a que nem maioria precisa, porque a desconhece. A implantação da República comemora-se com greves e chá com pão para nos alimentarmos….

Raúl Iturra

5 de Outubro de 2012.

lautaro@netcabo.pt

Comments

  1. xico says:

    Caro Raul Iturra. A revolução de 1910 não foi feita pelo povo explorado, mas sim pelos que o exploravam. Foi a grande burguesia, o capital e os interesses da grande finança quem fizeram a revolução. Não foi o povo. O seu a seu dono.
    E a família real não abandonou o país a 4 de Outubro, mas a 5 de Outubro com a revolução na rua e depois de instado o rei a abandonar Lisboa, coisa que fez já muito depois de se manter debaixo de bombardeamento da marinha.

    • Raul Iturra says:

      Agradeço o seu comentário. Sei bem de Afonso Costa e os outros, que fizeram a República por causa do povo explorado. Eles eram burgueses, mas não aristocratas. A revolução foi combinada em reuniões em casa dos Costa na Serra da Estrela, casa de férias.
      Agradeço a sua dica, mas o povo foi usado pelos dois bandos para atacar ou defender. Bem sei que embarcaram a correr a 5 de Outubro na Ericeira, esse foi erro de premir a tecla à esquerda do 5!
      Agradeço o seus interesse no meu texto.
      Cumprimenta
      Raúl Iturra
      lautaro@netcabo.pt

  2. Raul Iturra says:

    ao meu comentador: mas nada diz do fundo do texto nem que nem mencioné a Carbonária e a Voz do Operário nem a Philippo Buonarrotti

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