Professores: A verdade dos números

O consulado Cratino no MEC tem sido marcado por uma enorme capacidade de despedir professores conseguindo desse modo uma mão cheia de nada:

– por um lado não reduz a despesa: os desempregados vão receber subsídio de desemprego, logo, juntando a ausência do pagamento de impostos com o decréscimo do consumo, temos um saldo económico desastroso, tal como a macro-economia tem mostrado;

– a escassez de recursos humanos está a transformar as escolas numa coisa estranha, uma espécie de terra de ninguém – por um lado os desempregados que desesperam por uma colocação e por outro os mais velhos que desesperam por não poderem sair;

E o despedimento de professores, que já vem de longe, não é um slogan de blogue ou uma palavra de ordem de uma qualquer manifestação – é uma realidade. Vejamos alguns números:

– no ano lectivo 2008/2009 trabalharam em Portugal 142 834 professores (educadores de infância, 1º, 2º, 3º ciclos e secundário). Destes 28,3% eram contratados.

– Dois anos  depois, o último ano de gestão socialista de Isabel Alçada (2010/2011) a percentagem de contratados aumentou para 29,4 apesar de estarem no sistema menos 4808 professores (4722 dos quadros e menos 86 contratados).

Esta redução de 4,2% no número de professores no sistema aconteceu fundamentalmente à custa das aposentações, mecanismo que agora parece ser abandonado.

Com Nuno Crato, apesar das promessas eleitorais, a aposta no desemprego docente não só continuou, como se acentuou de forma inacreditável.

Comparando o número de professores colocados até ao momento temos, em relação ao ano passado, um decréscimo de 8958 contratações. Isto é, o ano passado, no início de Outubro estavam contratados 24210 professores e neste momento estão 15252 – uma redução superior a 37%.

A estes quase nove mil contratados a menos teremos que juntar mais de 15 mil docentes dos quadros que estão sem horário (de facto!) lectivo e ainda os aposentados – 2777 em 2012. Estão, seguramente, a trabalhar nas escolas públicas menos 25 mil docentes.

Pois é – quando a FENPROF avisou, ninguém acreditou!

Comments

  1. Sérgio André says:

    Quando é que o Fernando Nogueira volta a dar aulas? Passaram 22 anos desde a ultima vez! Mas, continua a receber.

  2. não sei se reparam no ridículo da critica ao PS a Isabel alçada despediu 89 professores mas em dois anos e segundo os vosso cálculos , este foi 40 000 mil num só .
    o que foi só 899 vezes mais .

Trackbacks

  1. […] um ano os docentes desempregados inscritos eram 11874 e agora são 20130. Os números são isso mesmo – números! Mas são também o espelho de uma política de Nuno Crato para a […]

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