Cortemos na despesa onde ela é ilegítima

Já é recorrente, listar organismos do estado onde cortar na despesa. Não nego que muitos são inexistentes, o estado desperdiça os seus recursos  (gastos com estudos e pareceres orçamentados em 2012: 128,4 milhões de euros), parcerias público privadas (vd hospitais para não falarmos sempre de estradas) etc. etc.

Esta listagem de serviços e fundos autónomos é mais uma que delira: as universidades levam um corte de 20% porque são “serviços onde são sobejamente reconhecidas ineficiências”, e o resto é arrasar na educação e formação, ambiente e cultura, para poupar uns míseros 2857 milhões de euros.

Sim míseros: eu encerrava o Ministério dos Juros da Dívida. Poupança: 7164,4 milhões.  A bem dizer, cruzando com os dados deste gráfico, a coisa ficava quase toda entre fronteiras. O BCP, o BPI e o BES* iam à vida? que chatice,  problema deles. É o mercado, estúpidos.

*Não incluo a CGD, pelo simples facto de, esta sim, ter emprestado ao estado por ser gerida pelo estado. Os restantes bancos andaram à procura de lã. Que saiam tosquiados.

Comments

  1. Sucks a lot says:

    A malta ia ficar mesmo feliz quando os bancos fizessem o mesmo… “Vieram cá por as vossas poupanças? Que saiam tosquiados”… Isto há cada “inteligente”…


    • A inteligência, nem é preciso muita, distingue entre dívida e juros de dívida. Se este bancos dependem dos juros da dívida, ou seja de agiotagem pura e dura, devem ir à vida.

      • Tiro ao Alvo says:

        A ignorância é atrevida.Quando fala de “estes bancos” fala de quê? Sabe o amigo de onde vem o dinheiro que a troica nos está a emprestar? Sabe quem recebe esses juros?


  2. São os vampiros. Referendo a todas as decisões acima de xM€!


  3. A sério?!


  4. Onde “gasta” tanto a CGD ?? a pagar as “reformas” dos “varas” e de todos como ele trabalharam 5 (??) anos e recebem como se tivessem feito o “tempo todo” que lhes compete para ter a “reforma inteira” ?? (tipo drª Cardona ??) e de todos os que recebiam reformas de outras proveniências e sócrates misturou tudo na CGD ??? – gostava que me “desdobassem estas despesas contando com as dividas de empréstimo à compra de habitação que as pessoas foram obrigadas a contrair porque houve um tempo em que alugar era tão caro que comprar casa era preferível – eu ía caindo nessa para não ter de viver o resto da vida a pagar “casa” mas parei a tempo e vivo em casa alugada mesmo que ameaçada de ter de pagar proximamente 700 vezes mais – vamos ver – há coisas que continuo a não perceber – Merkel virá visitar-nos com grupo de empresários alemães – vários grupos sociais farão greve para receber condignamente a senhora – não há lugar onde eu esteja em paz e à minha maneira – entram-me pela porta fechada sem serem convidados

  5. Luis f says:

    Nao sei que valores são esses, mas nao são a divida portuguesa… A divida publica ronda os 190 mil milhões, e aí nao estão sequer 40 mil..


  6. Vamos por partes. Não pagamos os juros, forçamos uma reestruturação da dívida (os credores emprestam dinheiro pela rentabilidade dos juros, não porque são beneméritos). Reestruturação unilateral e involuntária ao que os credores diz respeito, perdemos acesso ao financiamento e somos expulsos da Zona Euro e, provavelmente, da UE. Moeda própria, desvalorização eminente, défice zero. Esta última parte até não é mau. Forçava a verdadeiras mudanças estruturais no estado do Estado.

    E pronto, um país bem arejado, exposto ao vento que tudo leva, pelo menos no que ao dinheiro diz respeito.

    O que você e outros querem, sabemos nós. Guardem lá as bandeiras do PREC.

    • Pedro Marques says:

      Vocês nazis dum raio metem nojo.


    • Vamos lá por partes:
      – primeiro não pagar a dívida significa renegociar. Em qualquer parte do mundo um credor prefere renegociar a perder tudo.
      – expulsos da Zona Euro? isso está escrito em que tratado? quanto muito outros países, como a Alemanha, podem sair da zona euro. Boa viagem.
      O que você quero sabemos nós, as ideologias não enganam: espatifar o estado social, transformar Portugal numa chafarica chinesa, etc. etc.
      O azar: até podem conseguir, as precisam de fazer um golpe de estado primeiro. Coisa que acredito venha a suceder na Grécia. Por estes lados não me consta que a tropa esteja virada para esse lado.
      Guarde lá as bandeiras do Salazar, cheiram a mofo.


      • João José Cardoso, adoro a forma como fica melindrado. Fosse eu mulher, as minhas partes baixas estariam a palpitar.

        1) Negociar um empréstimo implica sair fora dos mercados de dívida. Foi o que a Argentina fez em 2001 e continuam fora dos mercados. Eles têm petróleo e recursos naturais e moeda própria para inflacionar, nós não;
        2) Está no tratado de Maastrich. Qualquer país incumpridor poderá ser expulso da União Monetária (cláusula “no bail-out”). Foi suspenso em 2010, mas está lá para qualquer dos efeitos;
        3) Eu não quero espatifar estado social nem transformar nada em nada. Eu só quero a minha liberdade.

        Salazarista, eu? Nunca. Acredito na liberdade individual, dispenso autocracias.


        • Essa parte sexual a sério que me comove, mas não me excita. Gostos.
          A Argentina não pertencia a uma comunidade económica e a uma moeda única como nós, e os restantes PIIGS, pertencemos. Faz toda a diferença. Quando cair um, os outros vão atrás. Se essa cláusula fosse reactivada (improvável, porque vetos haveria muitos) já a Grécia tinha marchado. Ao tempo.
          Não meu caro, neste tabuleiro apenas se joga tempo. Com 5 peões, até com menos, um xeque-mate nem sequer é difícil. Tempo para as eleições na Alemanha. Depois disso vai ver como quem lá ficar virá numa aflição tentar safar a sua própria pele.
          E sim, é xadrez, não é poker, não há aqui nenhum bluff.


          • Também não é verdade. A Argentina pertencia e pertence à Mercosul, uma comunidade económica e aduaneira de livre comércio (o tanas!). Eles podiam ter feito um bail out, mas não o fizeram.

            Portugal não tem dimensão para fazer nada. Contamos, literalmente, 1% do PIB Europeu. A Grécia, 3%. Como tal, uma reestruturação da dívida tem de ser proposta pelos próprios credores e nunca por nós, sob pena de isto desabar. O que, estou certo, seria o sonho molhado de muita gente e a oportunidade de tirar o pó às bandeiras da Internacional Comunista. http://3.bp.blogspot.com/-VfWEkzjQpmA/Tdkb9_HEk4I/AAAAAAAAOpg/ic61yNli-y4/s1600/Internacional-comunista-jpg.jpg

            Também nós estaremos cá para evitar que isso aconteça.


          • O Mercosul não tem moeda única, para começar. E a Argentina não tem comparação, como país exportador que é.
            Mas existem mais casos, e ainda ninguém desapareceu por negociar de pé. Nem sequer é a primeira vez que Portugal o faz, como a Alemanha há bem pouco tempo o fez..
            Há quem queria negociar de gatas. É uma forma de estar na vida como qualquer outra.

  7. leopardo says:

    a argentina é o caminho… enfim… não pagavamos… expulsos do euro, nova moeda, desvalorizada de 40%, aumento equivalente das dividas, incluindo as particulares, feitas em euros, falencias generalizadas, desemprego a aumentar em flecha… estado a ter de fazer orçamentos com defice zero, logo com cortes nos salarios dos FP e nas pensoes, para além das perdas de 40% já sofridas com a desvalorização da moeda.
    e os prejudicados eram os malvados dos bancos. por acaso as pessoas que lá depositaram o seu dinheiro até nem eram prejudicados.
    é essa a proposta do JJC…


    • Essa não é a minha proposta, é uma constatação de facto. Tem alguma alternativa que não passe por um golpe de estado, constituição derrubada, etc. etc?
      É que já nem o Gaspar acredita nisso.


    • “aumento equivalente das dividas, incluindo as particulares, feitas em euros, falencias generalizadas, desemprego a aumentar em flecha…”

      Até porque nada disto se está a passar agora, nem nada. Que leopardo retardado.

      • Maquiavel says:

        Ou seja, já temos tudo o que de negativo aconteceu na Arrentina, sem nada do que de positivo aconteceu na Arrentina!
        Um leopardo gasparpassiano!


        • Machiavelli, só não sabendo o que aconteceu na Argentina é que se pode achar que nós estamos a passar pelo que a Argentina passou. Portugal está mal, mas se acha que se assemelha a isto…

          “Argentina’s gross domestic product (GDP) fell by 13.5% between June 2001 and June 2002, with a record drop of 16.3% during the latter six months. This drastically affected employment and incomes and caused a dramatic rise in poverty. The United Nation’s economic commission for Latin America and the Caribbean (Eclac) has predicted a 13.5% drop in GDP for Argentina for the current year (1). The country has a population of 35m, of whom 19m were classified poor as of this June, with earnings of less than $190 a month; 8.4m were destitute, with monthly incomes below $83.

          Young people have been showing visible malnutrition for two years and the situation has worsened in recent months in secondary and primary schools. Hungry children are fainting; absenteeism at school is down since primary school children do not want to skip the food offered at school, which is often their only meal of the day (2). Sometimes mothers appear at schools with empty plates, demanding food for sick children at home. Earlier this year this was happening only in the most impoverished province of Tucumán; now it happens nationwide, including in Buenos Aires province, where for the first time 100 schools kept their cafeterias open over the winter holidays.”

          http://mondediplo.com/2002/09/13argentina

          E eles têm petróleo. Imagine se não tivessem…

          • Maquiavel says:

            A Finlândia teve uma quebra no PIB de 9% em 2009 e aguentou incólume. Portugal com queda de 2% ao ano é um inferno. O PIB cair 16%? É já a seguir o mais tardar em 2014!

            Amorim, só näo sabendo o que se passa já em em Portugal é que pode achar que näo estamos a passar pelo que a Argentina passou.

            Esse texto parece a análise de Portugal em 2013!!!
            E nós temos bom clima e boa terra e boa comida. Imagine se näo tivéssemos…

  8. leopardo says:

    a ignorancia dá nisto, as pessoas gostam de ouvir mentiras. Dão votos negativos a quem lhes diz as verdades. É por isso que temos os politicos que temos.
    quanto a alternativas… há-as.
    a começar pelo ensino basico e secundário… temos professores a mais, que se reformavam demasiado cedo.
    podemos seguir pela saude… porque quem pode pagar medicamentos não paga? a começar por doenças comportamentais como a sida? porque é que em muitos hospitais os medicos fazem mais operações ao sabado e domingo, muito bem pagas, enquanto à semana fazem cera?
    Porque não temos limites no valor da reforma?
    Porque não se fundem freguesias e até municipios?
    Porque subsistem municipios que faziam sentido no seculo XIX mas não hoje?
    porque é que não se racionaliza o ensino superior, deixando subsistir situações autenticamente fraudulentas? só por acaso já viram as estaticas da formação de medicos? Está tudo doido e não se vê que estamos a formar médicos para o desemprego e para a emigração?
    porque é que os funcionarios publicos têm baixas pagas a 100%? conheço vários casos de professoras que aproveitam simplesmente para estar de baixa à vários anos, indo de 2 em 2 anos um mês à escola, numa situação fraudulenta que só existe porque é mais ecomicamente mais vantajosa.
    Porque se continua a beneficiar os grandes grupos de distribuição quando se sabe que isso causa desemprego?


    • – “temos professores a mais, que se reformavam demasiado cedo” – mentira, a idade de reforma é a mesma de toda a função pública, e o “bonus” do 1º ciclo é uma misera compensação por um horário de maior duração. Mas como “reformavam” é pretérito, não vejo onde está o problema.
      – “porque quem pode pagar medicamentos não paga” – porque assim paga mais para haver dinheiro para pagar aos que não têm dinheiro para pagar.
      – “doenças comportamentais como a sida” – a esta apenas tenho uma resposta, comportamental: vá levar no cu. E espero que lhe calhe na rifa, uma familiar por exemplo, alguém que tenha sido contaminada pelo “comportamento” do marido.
      – “Porque não temos limites no valor da reforma?” – pela mesma razão acima exposta para os medicamentos.
      – “Porque não se fundem freguesias e até municipios?” – as freguesias porque são amendoins, os municípios até concordo, em meia dúzia de casos. Mas se conhecesse o país do interior nem se lembrava disso.
      – quanto às baixas, mente, as baixas na função pública não são a 100%, e são tão fraudulentas como as outras (os atestados têm de ser visados por médicos do SNS).

      Chega, ou vai inventar mais?

  9. leopardo says:

    2 coisas.
    1 – quanto ao 1º ciclo não concordo. Se o horário é maior não faltam para ai profissões com maior horário e as aulas são mais simples de preparar, os testes mais simples de corrigir. E a minha mãe até era professora primária.
    2 – quanto à sida a questão insere-se na questão geral, quem pode pagar devia pagar. Além disso há um pormenor, que até me parece importante. É uma epidemia que não é autosustentável no meio hetero, mas tem tendencia a se expandir mais e mais no meio homo… depois espalha-se do meio homo para o meio hetero. Também não espero que compreenda isto, é demasiado complicado para si… depois no meio homo a sida é encarada como uma doença cronica (que é), não uma doença mortal e o receio das despesas pode ser um travão maior que o receio dos sintomas. Conheço pessoas pobres que pagam 100€/200/300€ em medicação por doenças inevitáveis, porque raio de razão os doentes com sida devem ter a medicação totalmente gratuita se outras doenças não o têm… ah… já sei… temos muitos homossexuais em possiveis de influência e a taxa de HIV+ entre eles é uma coisa espantosa.
    3 – quanto às reformas não entendeu o texto
    4 – conheço o interior, mas essa ideia de manter municipios porque em vila de Rei ou em Moncorvo grande parte da população é empregue a fazer de conta que faz, “trabalhando” para a camara é que levou este pais ao estado deploravel que está.
    5 – quanto às baixas da FP a lei foi recentemente alterada, até há pouco eram pagas a 100% (com uns ridiculos pormenores burrocraticos, mas eram), agora 2º li são pagas a 100%… aH!!! pois têm um desconto de 20% no 1º mês… grande coisa para aqueles que passam anos a fio na baixa… fraudulentamente
    6 – Já agora também podiam deixar de pagar os abortos a 100%, com direito a um mês de baixa paga a 100% também, Não representa muito dinheiro, mas era uma ajuda.

    afinal eram 6 coisas.


    • Lá está, cortes cirugicamente ideológicos.
      Que se lixem os paneleiros (o facto de o HIV crescer entre heterossexuais não tem importância nenhuma), os professores que trabalhem mais e pior que os outros (a redução da componente lectiva por idade é um direito do alunos e visa a qualidade do encino, ou acha que aos 65 anos alguém ensina alguma coisa a miúdos de 7 ou 8?), e o interior que desertifique, só lá vou nas férias.
      Quanto às baixas consulte a legislação ainda em vigor (o OGE ainda não foi aprovado, que eu saiba), e quanto à teoria do plafonamento das reformas estamos conversados, é impossível a quem vê as despesas de uma forma preconceituosa (o aborto é mais um exemplo religioso), entender que quem ganha mais tem de contribuir mais para a segurança social. Aliás as seguradoras também não compreendem.

  10. leopardo says:

    se os professores universitários conseguem ensinar até aos 70 anos porque é que os professores de graus de ensino inferior não o conseguem com 64 anos? São de uma especie inferior de seres humanos?
    eu bem disse que não ía compreender aquilo da SIDA. Repito mas vai continuar a não compreender, a sida não é uma epidemia autosustentavel entre os hetero, no mundo ocidental em geral. É sustentada pelos bisexuais que a passam do meio homo, aonde tem taxas de prevalencia muito maiores e a subir, para o meio hetero. mas se compreender isto é que me admira. Ainda menos me parece que compreenda que a saude deve ser paga por quem tem posses para isso. Mas quer o compreenda quer não, com o envelhecimento da população e a crescente sofisticação da saude isso vai ser inevitável.
    Qual é o problema de existir uma reforma máxima? As contribuições podem ser mantidas. Compreendeu? Duvido.
    Já agora a minha mulher é FP, esteve de baixa um ano, por doena, até há uns meses atrás e recebeu o salário por inteiro todo esse ano. Nessa altura consultei a legislação, não preciso de o fazer agora. Mas pelos visto o JJC precisa. Cresça.


    • Para si um anfiteatro cheio de adultos é a mesma coisa que 30 catraios com menos de 10 anos. Também gostava de viver nesse mundo.
      E folgo muito em que a sua esposa tenha requerido a reposição do vencimento perdido por doença. Fez muito bem. Eu nunca pedi tal, tenho uma coisa que se chama princípios, onde outros têm outra chamada os fins justificam os meios, despesas do estado connosco não se cortam, não é?

  11. leopardo says:

    ela estava doente, requereu os direitos que a lei lhe dá. Ela e todos, rarissimamente isso não é pedido e era sempre concedido, por isso é que a lei vai ser mudada e os FP passarão a perder 20% do 1º vencimento. E que eu saiba, ela nem requereu nada, deram-lhe automaticamente todo o vencimento, tal é o habito de ser assim que lá no sitio aonde ela trabalha fazem isto automaticamente.
    Mas se o problema é serem catraios de 10 anos então os adolescentes de 13,14 e 15 anos, bem mais problemáticos, deviam dar a uma reforma aos 55 anos.


    • Sem requerimento e deferimento não há reposição.
      Os professores do 2º e 3º ciclo têm redução de tempos lectivos a partir dos 45 anos. Os professores do 1º ciclo não podem ter, por isso são compensados com reforma antecipada. Aqui, como em qualquer país civilizado.

  12. leopardo says:

    Tinham redução, atualmente já não têm.


    • ó leopardo, já chega.
      você vem aqui levar uma coça, das antigas, pensa que se vinga indo-me insultar no insurgente, e agora declara que um facto é mentira, só porque lhe apetece.
      é o que acontece quando damos trela aos canídeos, ladram muito e não descolam das calças. vá vender pentes a carecas, pode ser que tenha sucesso em alguma coisa na vidinha.


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