Latim e Grego nas escolas açorianas: morreu o deputado Luiz Fagundes Duarte

O cidadão Luiz Fagundes Duarte está vivo e desejo-lhe muitos e bons anos de vida. Recentemente empossado como secretário regional da Educação e Formação dos Açores, manifestou “a intenção de introduzir as disciplinas de latim e grego clássico nas escolas, a título de opção.” O estudo dessas matérias no ensino secundário e a recuperação do ensino das Humanidades constituem factores de enriquecimento de qualquer país desenvolvido. O desprezo dessas áreas é um dos sintomas do nosso subdesenvolvimento educativo. Saúda-se, portanto, que numa parte do território nacional se esteja a preparar uma revolução que consiste, afinal, na recuperação daquilo que nunca se deveria ter perdido. Há revoluções assim.

O mesmo Luiz Fagundes Duarte foi, no entanto, um fiel deputado dos dois governos de José Sócrates, tendo contribuído, portanto, para a destruição de muitos pilares fundamentais do sistema educativo português, o que inclui o retrocesso brutal das humanidades, em geral, e das línguas clássicas, em particular. Foi, também, graças ao seu apoio que Valter Lemos pôde proferir as declarações que constam de uma notícia de Junho de 2008. Conclui-se, então, que Luiz Fagundes Duarte irá participar na reconstrução de uma parte daquilo que ajudou a demolir, o que configura alguma justiça, embora no resto do país haja uma quantidade de escombros que não será fácil remover.

Espero que o linguista Luiz Fagundes Duarte, conhecedor da importância do estudo das línguas clássicas, não abandone, nunca mais, o político e o cidadão com o mesmo nome. Desejo, ainda, que as notícias sobre a morte do deputado não sejam manifestamente exageradas e que a subserviência partidária não o faça ressuscitar.

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    No ensino médio privado nas Caldas da Rainha aprendi latim e grego – francês e inglês – 5 anos

    • João Rego says:

      A notícia da intenção de F Duarte causou-me agrado por que acredito no potencial educativo das línguas em causa, por muito mortas e enterradas que estejam. É, pois, uma notícia muito mais importante do que a exploração das incongruências do político bem intencionado. Uma outra língua, bem viva, também podia ser incluída no pacote, pelo mesmo valor educativo, mas, presentemente não queremos ouvir ninguém falá-la.

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  1. […] e da procura, mesmo as decisões sobre o currículo. É curioso, a propósito, lembrar que alguns, como Luiz Fagundes Duarte, apoiaram a destruição praticada pelo PS, para depois tentarem resolver o problema que ajudaram a […]

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