A crise que vivemos e a família

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O orçamento de estado para 2013, acaba não apenas com as entradas lucrativas, bem como com começa com os despedimentos do emprego, a falta de entradas e, o que é bem pior, com as lutas familiares.

É verdade que as pessoas juntam lares dentro de uma mesma casa para poupar o pagamento de rendas, que, de certeza, passam a ser mais caras, assunto inusitado no nosso país. Como é natural, todos querem morar no seu canto de família doméstica, mas, quando não há dinheiro, a única alternativa é juntar pessoas da mesma família beijo um mesmo teito.

Os problemas começam. Problemas em que os que aprovaram o orçamento, nunca pensaram. Não apenas a contar tostões-deveria dizer cêntimos-, bem como torna aos seres da mesma raça, esses parentes consanguíneos, em pessoas distantes. O hábito ocidental é que cada casal quer o seu lar. É um hábito de todos no nosso velho continente e das suas antigas colónias. Há uma certa liberdade para que os mais velhos da família, não se enredem entre os desencontros dos mais novos, que estão apenas aprender a viver. Ou, ainda, os solteiros da família alargada que não conseguem namorar em frente dos seus adultos pais e, as vezes, avós. Há um certo recato em mostrar as emoções perante os que antigamente mandavam sobre eles, que agora receiam intervir nas rijas entre jovens pais e os seus filhos.

Como doutor em etnopsicologia da infância, observo às pessoas que me consultam tornar aos velhos hábitos de mando sobre os seus descendentes. Ou, simplesmente, experimentar colaborar na sua falta de meios de subsistência, retirando das sua poupanças para a velhice, uma quantidade de dinheiro que, mais tarde, reparam precisar para comprar as suas medicinas por se tratar de pessoas doentes por causa da idade e do trabalho. Dinheiro que os mais novos aceitam para comprar alimentos para a sua prole. E não apenas, os mais velhos da família, começam a recuperar os hábitos de dizer o que deve ser feito e o que não. Ou a infantil rija entre irmãos dos dois sexos, renasce e quem se sente mais inteligente, começa a dizer: cala, tens que pensar antes e falar depois. Aliás, entre pessoas de idade próxima, há quem se lembre melhor do passado e, de forma surpreendente, sem ler ou perguntar antes o porque de uma frase de um texto, diz a onde devia dizer z. Os desencontros começam como era na infância, sem reparar que as emoções de quem trabalha, ficam feridas, como antigamente. Os diálogos acabam, as casas partilhadas começam a por lenções e mantas penduradas em cordas usadas para secar a roupa para dividir a casa que a necessidade da pobreza em que temos entrado, obriga a ser de todos. Os ditos e contraditos aparecem mais uma vez, como se a cronologia do tempo não tiver decorrido, apoiados pelas pessoas com quem acasalam e devem levar à casa partilhada.

É o que os deputados que confecionaram o orçamento, nem vem nem entendem. Eles ganham os seus ordenados como representantes da soberania da nação e não precisam viver com outros. Nem viver dentro de tendas de uma casa cujo teito é partilhado.

O orçamento não é apenas um assunto de dinheiro, é de emotividades, de sentimentos ressentidos que o legislador não entende, retirando dos representantes os  que sabem o que acontece porque vão as casas dos mais miseráveis, a esquerda portuguesa, porque os redatores do orçamento apenas pensam em números e não nas conveniências de manter famílias nos seus sítios de seres humanos crescidos. O problema para essa maioria parlamentar, todos neoliberais, é apenas experimentar pagar as dívidas causadas pelos empréstimos dos bancos internacionais, especialmente o da Merkel e ganhar as simpatias de União Europeia e a sua direção, pagando a tempo e horas.

Não podia calar esta parte de injustiça que o orçamento estatal causa. Se o PR o não envia de volta para a Assembleia com comentários, vetando todo o que é inconstitucional, o PR apenas pode ou ser demitido pelos soldados que fazem vigílias em Belém durante estes vinte dias de prazo para um PR resolver, pelo povo ou por um não pagamento do que hoje em dia é solicitado ao pobre Zé Povinho. Na minha consulta já salvei três que estavam a ponto de se suicidar. Já partilhei a minha própria miséria com pessoas que trabalhavam para mim e que, hoje em dia, não contam com entradas fixas. Caritas Internacional, Amnistia Internacional da que sou membro ativo, a Cruz Vermelha, têm instalado sítios para que as pessoas sem emprego ou sem entradas fixas, possam levar comida para o partilhado lar. O orçamento da direita, não vê os problemas emotivos e psicológicos que causa, não lhe é conveniente. Somos números para pagar empréstimos não necessários para a República que, desde o 5 de Outubro de 1910, tem tido problemas orçamentais por ser uma República nova. Felizmente, antigos Presidentes da nossa República, comentam e chamam a atenção do PM, que nem ouve nem quer ouvir. Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, são os rebeldes como o deputado rebelde do CDS- PP Rui Barreto, quem votou contra o OE2013, À saída da votação final global, Rui Barreto foi questionado pelos jornalistas sobre a posição assumida em relação ao OE2013, e que constituiu uma violação da disciplina de voto do CDS, dizendo que se tratou de uma «questão de consciência» e de «política» perante uma enorme «desilusão».

Antes todos tivessem feito o mesmo perante esta valentia e agir destemido de um representante da nossa soberania. Ele sabe que partiu a disciplina de voto. Não interessa. Salvou a sua consciência e a vida da maior parte do Zé Povinho. Esperemos que o PR venha a agir da mesma forma e repare nos problemas emotivos que o orçamento causa à Nação. De certeza, muitos outros devem pensar como ele, pelo menos os quatro que declararam a sua intenção de voto: era um si explicado pelos não ao orçamento. E o PM entende-se o povo… mas não, Merkel, Merkel e Merkel…

Raúl Iturra

29 de Março de 2012

lautaro@netcabo.pt

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