O calote, o AO90 e a Feira do Livro do Porto

Vale Formoso

Rua do Vale Formoso, 1976 (http://on.fb.me/19cVSkJ)

O Porto é a minha cidade. Foi lá que nasci e cresci. É, sem sombra de dúvida, a melhor cidade do mundo.

O calote é um problema que afecta – há muito, há muito – a nossa sociedade. Quando me lembro do problema do calote, lá vem o Leitmotiv, lá vêm o Fasolt e o Fafner. Claro, o Wagner não podia faltar.

O problema do calote, segundo leio nos jornais de referência, é um dos Leitmotive desta carta. Contudo, ao ler abril, ação, afeta, afetação, Arquitetura (duas vezes!), ativamente, atividade (idem!), atratividade, atuação (três vezes!!), Diretor (quatro vezes!!!), Diretora, indireto, maio, projeto (três vezes!!), projetos, setor, setores e trajetória, grafias que violam as mais elementares regras da ortografia portuguesa europeia, aquilo que a carta pretende denunciar passa-me completamente ao lado. Em lingoagem: se não fossem os jornais de referência, não perceberia patavina daquilo que se pretende com a missiva. Há, pelo menos, cinquenta cúmplices desta deriva. Sim, porque, das duas, uma: ou não leram o que subscreveram, ou leram e não se importaram.

O problema da indiferença é ainda mais grave do que o do calote. O vergonhoso cancelamento da edição de 2013 da Feira do Livro do Porto já foi denunciado, aqui no Aventar, pelo António Fernando Nabais. Até o presidente do F.C. Porto quis ajudar. Nada. Uma vergonha. Como escreveu Pedro Guilherme-Moreira:

Espero que os escritores e os leitores não continuem a encolher os ombros de lamento e a tentar que tudo seja rapidamente esquecido. Não há aqui esquerda ou direita, não há prémios literários para aceitar ou recusar, não há promoção ou despromoção de livros. Há só vergonha e uma grande cidade vazia de livros.

Actualização (minutos depois dos assuntos verdadeiramente importantes): Amanhã, durante o pontapé de saída, estarei num comboio, a caminho do Grão-Ducado. Esperemos que seja um glorioso dia (por falar em ‘glorioso dia’, lembremo-nos do ‘Glorioso Escritor’). Desejo as maiores felicidades ao João José Cardoso.

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