No pasa nada…

Ainda não me pronunciei sobre o cenário político da choldra, mas passadas 2 semanas das Legislativas considero que a múmia Cavaco Silva deve indigitar Passos Coelho como Primeiro-Ministro do próximo governo constitucional e após conhecer o elenco ministerial dar posse ao mesmo tão rápido quanto possível. A partir daí o governo terá obrigatoriamente que apresentar programa na A.R., não estando obrigado a apresentar moção de confiança ou sequer submeter o programa a aprovação, mas fica sujeito a eventual apresentação de moção de rejeição, que produzirá efeito se aprovada. Sabido que Catarina Martins anunciou que iria apresentar tal projecto caso o P.R. desse posse ao actual P.M., e não vislumbro outro cenário possível, António Costa fica duplamente “entalado”. Ou aprova a moção e derruba um governo que praticamente nem chegou a entrar em funções, ou se abstém deixando cair a ideia de governo de esquerda. Caso decida votar favoravelmente a moção do BE dificilmente conseguirá mobilizar os votos da totalidade da sua bancada parlamentar, o que o deixaria exposto ao ridículo caso a coligação sobrevivesse à moção com o hipotético apoio do PS. Face ao exposto, uma eventual abstenção do PS não pode ser posta de lado, mas António Costa terá que atirar para BE e PCP o ónus da mesma…

Uma eventual aprovação da moção de rejeição apresentada pelo BE deixará uma imagem do PS a reboque e ávido de poder. Só a partir desse momento será viável uma hipotética coligação governamental de esquerda, talvez nomeado pelo próximo P.R. À primeira vista o eleitorado tenderá a olhar desconfiado como busca de poder, mas o eleitorado é sempre volátil. Sabendo que é curta a rédea de Bruxelas em matéria económica, ou corre bem ou corre mal no bolso dos portugueses. Muito provavelmente corre mal, indiferentemente do governo ser chefiado por Passos Coelho ou António Costa. O lugar de P.M. talvez seja um presente envenenado e no início de 2017 o mais tardar estejamos novamente perante novas legislativas com diferentes protagonistas nos 2 principais partidos. Eventualmente Paulo Portas, qual camaleão continue a liderar o CDS, mesmo que até tire uma licença sabática da liderança para repousar durante uns meses, caso o governo seja de esquerda obviamente.

O drama de António Costa é que a tomada de posse de Passos Coelho pode representar um governo de curta duração, mas não será ele o líder da oposição que sucederá á actual coligação governamental lá para 2017. Mas Passos Coelho não se ficará a rir, porque a grande coligação de esquerda só pode correr mal e Assis já se perfila no horizonte, pairando como sombra ameaçadora sobre a liderança do actual líder do PS, que convém relembrar, saiu politicamente fragilizado após derrotado nas eleições de 4 de Outubro.

Comments

  1. Joao Calado says:

    Portanto, quando passos coelho fez cair socrates não estava ávido de poder. O costa, agora, é que está! A coligação de esquerda é instável mas a do coelho com o portas desde 2011 que é absolutamente sólida (apesar dos eleitores também não terem votado nisso.
    Grande análise, sim senhor! Quero ver quando o outro neurónio acordar!…


  2. É de aproveitar no tiro ao Cavaco, Aproveitem os ultimos tiros que a barraca vai fechar.!!

  3. alexandre barreira says:

    …..o “Sr. Silva”…..com esta brincadeira….acaba o mandato….sentado na “retrete”…………….!!!!!!!

  4. Ferpin says:

    Se por “sentado na retrete” quer dizer “fazer cagada”, o dito sr Silva não têm feito outra coisa na vida.