A política no ” grau zero “.

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Virgílio Macedo tomou hoje posse como secretário de estado da administração interna do novo governo. Talvez seja uma boa desculpa para mais um ” golpe palaciano ” na Distrital do PSD do Porto.

Há cerca de 10 anos que nenhum presidente da distrital do PSD do Porto completa o seu mandato. Foi assim com Agostinho Branquinho, Marco António Costa e Virgílio Macedo. Esta é sempre uma forma de apanhar desprevenidos os seus antagonistas, não permitindo que haja tempo necessário para que possa aparecer uma alternativa política com tempo efectivo para apresentar uma candidatura credível e para fazer uma campanha séria e verdadeira junto dos 30.000 militantes do PSD no distrito do Porto.

Defendo, por várias razões, que o financiamento dos partidos deve ser exclusivamente público. Este é um passo importante para o fim da corrupção. Até agora só ganha eleições internas quem tem recursos financeiros para pagar as quotas aos ” seus ” militantes. E este dinheiro para pagar quotas de militantes de onde vem? De alguma árvore das patacas ou aparece após um toque de midas? Está provado que não se ganham eleições internas por mérito, mas ganha quem tem dinheiro. Por isso os dirigentes políticos são aqueles que conhecemos. Não se discutem ideias ou projectos, apenas prometem-se e oferecem-se ” tachos “.

Se os estatutos do PSD permitirem que todos os militantes possam votar nas suas eleições internas, desde já, anúncio que serei candidato, nas próximas eleições, a Presidente da Comissão Política Distrital do PSD do Porto. Não para desistir, mas para terminar com a pouca vergonha a que chegou a política. Quero colocar tudo em causa para que se possa fazer uma reflexão livre e profunda sobre o futuro dos partidos e da nossa Democracia. Quero separar a politica dos negócios. Quero abrir as sedes do partido a todos. Quero uma verdadeira regeneração do PSD. E esta regeneração só se pode fazer sobretudo com aqueles que não vivem, nem dependem da política para nada, com aqueles que estão para servir e não para se servir.

A política está no ” grau zero “. Este é um desafio que lanço aos muitos que estão nas suas casas, independentemente da sua ideologia, para saírem da sua zona de conforto para lutar por um Portugal, mais justo, mais solidário, melhor. Se todos estivermos disponíveis para este combate ficará provado que os partidos não têm donos e a democracia não é propriedade de ninguém!

Comments

  1. R.J.O.m says:
  2. Nightwish says:

    A minha deputada representa-me já muito bem, bem como por “um Portugal, mais justo, mais solidário, melhor”. É o que tem feito mais.


  3. Até eu votava em si; mas há um senão insanãvel : a maioria dos cidadãos nem os assuntos da escola dos filhos quer saber; “eles” que resolvam; e eles resolvem e comem-lhes as papas na cabeça, e deixam.lhe as banca rotas para pagar. Já foram tres e pelo que se avizinha, iremos a caminho da….

  4. Rui Moringa says:

    Deus o ajude. Tem um caminho muito duro pela frente. Creio que o sabe. Não sou militante PSD nem de outro partido. Considero-me um social democrata. Às vezes voto PSD e outras PS. Recentemente votei PCP CDU porque é o único partido-coligação que propõem a saída do euro.
    Concordo consigo que dinâmica partidária está doente por causa dos interesses pessoais e mesquinhos (egoísmos-dinheiros).
    Fui simpatizante-colaborador do PSD até Sá Carneiro. A partir daí o PSD-social democrata morreu.

    • Ana A. says:

      “Recentemente votei PCP CDU porque é o único partido-coligação que propõem a saída do euro.”
      Mas propor a saída do euro, só por si, já é um crime de lesa- pátria, valha-o Deus! É por isso que o nosso PR, um subscritor convicto, desde sempre, do “A Bem da Nação”, não reconhece a legalidade de construir uma alternativa, aos partidos que o defendem.

      • Rui Moringa says:

        Não me parece que propor a saída do euro seja “crime”, assim…
        Talvez as suas palavras estejam carregadas de ironia…
        Quem não controla a emissão de moeda, fica sem poder. Fica vassalo, é isso que nós somos perante o emissor de euros (BCE=Alemanha).

        • Ana A. says:

          Pode não ser “crime”…(ainda), mas que dá direito ao ostracismo de quem o defende, ai isso dá!
          Claro que uso a ironia!
          Se a ideia da união europeia=Alemanha, era criar a médio prazo vassalos, então conseguiram. Mas olhe, antes isso, que câmaras de gás…

  5. Sarah Adamopoulos says:

    De facto, Paulo, há uma certa dificuldade em discutir ideias no seu partido. Se puder veja o debate de quinta à noite na RTP com Paulo Rangel e Nuno Melo a deixar muito a desejar em termos de preparação teórica para o debate político (e no entanto são tribunos com tantos anos de parlamento), enquanto se obstinavam em tentar reconstruir a História da esquerda em Portugal – isto diante de três outros deputados da esquerda agora convergente.


    • Uma vergonha de debate, Sarah!

      Não é só falta de preparação teórica. É, acima de tudo, falta de honestidade intelectual, o falar mais alto e por cima dos outros, o vazio e o passar da mensagem de Medo.

    • Paulo Vieira da Silva says:

      Sarah tenho a consciência que o PSD encerrou-se em si próprio. Os dirigentes falam para ” as paredes das sedes “. O PSD tornou-se uma ” quinta ” de alguns senhores. Apenas ganha eleições internas quem possui recursos financeiros para pagar as quotas das ” suas ovelhas “. Apenas ganha quem tem dinheiro. Mérito e capacidade são palavras que nao existem no dicionário destes ” senhores “. Aliás, quanto pior melhor porque assim não incomodam. O que sobra é o séquito do ” rebanho ” que ainda acredita nesta ” fantochada ” e que permitem que ainda exista porque às vezes é necessário encher umas ” comezainas ” onde os ” pastores ” aparecem para fazerem figuraça para as televisões e para os foto jornalistas. Lamento profundamente dizer isto mas esta é a triste realidade que hoje vive o PSD, apesar de considerar que ainda existem pessoas boas e bem intencionadas no partido, porém a maioria deixou-se resignar por variadas razões. Os que resistem e pensam pela sua própria cabeça são muitas vezes perseguidos e ameaçados de expulsão. Eu não desisto, ainda continuo acreditar que é possível mudar este estado de coisas. Mas também digo-te que não me parece que esta triste realidade seja muito diferente noutros partidos políticos.

      Aceita um beijinho com estima do

      Paulo Vieira da Silva

  6. antifascista says:

    É assim quer funciona a quadrilha .( UM ENORME POLVO))

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  1. […] que poderemos estar perante um novo golpe político palaciano, antecipando as eleições em 10 meses, para novamente surpreender os possíveis adversários não lhe permitindo a apresentação de uma […]