É o discurso da direita  que agiganta a Geringonça


Rui Naldinho

A nossa direitinha Tuga apostou forte no desconchave da geringonça, mas o raio da maquineta não há meio de se estatelar!

Ilustração: Hélder Oliveira / Expresso

Nunca conseguiram digerir o seu afastamento do Poder. E com isso foram cavando um túnel entre a realidade e os seus traumas. À medida que o tempo passava foram desenvolvendo uma retórica derrotista, de tal forma penosa, que até conseguiram transformar em pouco tempo uma coligação que tinha todas as condições para sofrer abalos vários, fruto das suas diferentes formas de abordar a UE, a NATO e o Tratado Orçamental, numa máquina sincronizada.

Em Novembro do ano passado, Pacheco Pereira, sempre ele, afirmou num artigo publicado no jornal Público, que o governo minoritário de centro-esquerda do PS com a apoio parlamentar do BE e do PCP ainda é uma geringonça, mas quanto mais baixas forem as expectativas mais a geringonça se pode transformar numa máquina a sério. Ou talvez não.

Passos deve olhar-se ao espelho com uma enorme angústia. O homem da carantonha, como se auto intitulou, não sabe como explicar o falhanço das suas profecias. Quando tem de engolir a seco algumas das boas noticias que nos vão chegando, mesmo que a contragosto, lá se esforça por manifestar algum agrado.

A direita apostou sempre e exclusivamente no “talvez não”, de que falava Pacheco Pereira. Mais num talvez não de Bruxelas, do que num talvez não dos partidos que compõem a “posição conjunta”.

Infelizmente a direita em doze meses não teve mais nada para nos oferecer para além da famosa TINA. É confrangedor.

Até nas propostas autárquicas isso se começa a notar. Com as eleições municipais à porta, o PSD abdicou de um candidato próprio à Câmara de Lisboa, para se confinar à ideia de apoiar Assunção Cristas. Todos sabemos a razão. O pânico de uma derrota estrondosa como há quatro anos. No Porto já ponderam a hipótese de apoiar Rui Moreira, face à recusa de Marco António Costa e António Tavares. Se é assim, porque não o fizeram já no passado?

Um partido que durante mais de uma década foi o maior partido autárquico português, vai acabar o ano de 2017 na defensiva tentando perder por poucos.

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