Paulo Macedo: do elogio ao governo à presidência da CGD

pm

Já a polémica em torno das declarações de rendimentos da administração da CGD liderada por António Domingues tinha rebentado, surgia uma notícia no DN que dava conta de críticas tecidas pelo ministro da Saúde do anterior governo, Paulo Macedo, que condenava o “ruído enorme” que estava a ser feito em torno das propostas fiscais inscritas no OE17:

Temos um cenário em que há criação de novos impostos, mas sem ser a criação desses novos impostos, há de facto uma estabilidade no resto das outras medidas fiscais comparando com outros orçamentos. Mas, em termos de ruído, tivemos um ruído enorme que afeta os investidores e sobre isso não há nada a fazer.

Resumidamente, Macedo aponta a estabilidade das medidas fiscais, quando comparadas com orçamentos anteriores, e critica o ruído, com impacto directo no investimento, uma mensagem que acerta com relativo estrondo na direita parlamentar, ou não fosse Macedo um dos ministros mais elogiados e consensuais do anterior governo.

Na altura, e apesar de achar tudo isto algo estranho, desvalorizei. Afinal de contas, a direita não foi, toda ela, radicalizada pelo surto de profecias da desgraça que tem caracterizado a intervenção parlamentar e pública dos principais responsáveis eleitos pelo PSD e CDS-PP. Claro que, alguns dias depois, quando confrontado com a notícia do Público que dava conta do interesse de António Costa em colocar Paulo Macedo na vice-presidência do Banco de Portugal, fiquei com a pulga atrás da orelha. Mas a notícia era do Público pós-David Dinis e, como tal, todo o cuidado era pouco.

Hoje, porém, o anúncio feito ontem pelo Jornal de Negócios confirmou-se: Paulo Macedo é o novo CEO da Caixa. Resta saber se seria, desde o início, o plano B para a CGD e se, quando fez as declarações que abrem estas linhas, já saberia do potencial interesse do governo nos seus serviços. Seria bizarro sairmos de uma novela de potenciais conflitos de interesses para imediatamente entrar noutra, mas, convenhamos, mais bizarro será se os partidos da direita parlamentar decidirem cercar Paulo Macedo como fizeram com António Domingues. Os caminhos do bloco central, é sabido, são, tal como os do Senhor, insondáveis.

Foto@ZAPaeiou

Comments


  1. Chamem lá parvo a António Costa… já calou o chinfrim da PàF à volta da CGD

  2. António Correia says:

    Enquanto os Mendes desta vida andam em folclores de nomes, cores, alinhamentos, politiquices, tretas sem fim…..

    Eu gostava era de saber :

    1. Porque é que a CGD tem de ser recapitalizada ?
    2. Quem são os grandes devedores a esta instituição e respectivos valores ?
    3. Qual a estrutura do crédito concedido pela caixa até à data ?
    4. O que é que o governo pretende para o futuro do banco ?
    5. Porque não se faz uma auditoria independente à gestão da caixa nos últimos 30 anos ?

    Provavelmente a resposta a estas perguntas não interessa a ninguém.

  3. Nascimento says:

    Ai o que eu adoro adoradores sebastianistas salvadores do regime…e quando tem boquinha torta e é vesgo ou zarolho dá ká uns Ares du caraçes… viva o PS E COM A AJUDINHA DA ESQUERDA!! E já agora o assassino do SNS, quantos balcões fecha?E AGORA??

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