Reconhecê-lo seria péssimo

e

O Expresso mente. Podia antes escrever, para soar menos severo, que o Expressso cometeu um erro ou que foi impreciso. Tendo em conta que quem o escreve, a jornalista Joana Nunes Mateus, tem insistido em fazer do Expresso uma espécie de segundo Observador, a conclusão mais provável é mesmo a inicial. Contrariamente ao que diz o título do artigo linkado abaixo, a economia portuguesa não cresceu no 3o trimestre à boleia das exportações. Mais de metade do crescimento do PIB é explicado pela procura interna, sendo decisivo o contributo do consumo privado. Claro que reconhecê-lo seria péssimo para quem precisa muito que se mostre que a estratégia da devolução dos rendimentos falhou. Mas esse não é suposto ser o papel de um “jornal de referência”, pois não?

Ricardo Paes Mamede

Reconhecê-lo seria péssimo. Como é que se justifica uma coisa destas aos devotos do culto catastrofista? É desta que o Diabo foge de F-16 para a Roménia. Sem impacto no crescimento do PIB.

Entretanto, na Marktest.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Comments

  1. Paulo Só says:

    Há um bando crescente de patos bravos do jornalismo por aí a mergulhar a pluma no tinteiro do medo. Assim como em certos países é o imigrante que causa o medo, aqui é a rutura da falência do país que o inflama. Porque o medo é a maior arma da direita. É através do medo que os povos aceitam abdicar de soberania e democracia, para ter aquilo que pensam que é a “segurança económica”. O medo justifica a vigilância, e as privatizações: ou seja o incremento do Estado policial, e o cerceamento do Estado social. É a receita do Brexit e de Trump. O medo e a austeridade vão de mãos dadas: são o novo patamar do neoliberalismo, nascido nos anos 70, quando as grandes indústrias ao invés de pagar salários, abriram o crédito bancário aos trabalhadores, passando o poder ao sistema financeiro, com as consequências que se sabe. A política do medo é a verdadeira resposta da direita à crise mundial. Quem acompanha a política nos países centrais da Europa sabe que desde os anos 90 a direita vai adotando paulatinamente todas as teses avançadas pelos ideólogos proto-fascistas. É esse o caminho do atual PSD em Portugal, e do jornalismo de complacência. É preciso deixar de ler esses jornais.

  2. Nightwish says:

    E não é isso que o neo-liberalismo europeu manda, que o crescimento seja pelo aumento das exportações? Queixam-se do quê agora, que fazem melhor o trabalho da direita?


  3. Os pretensos fazedores de opinião, bem martelam. É caso para dizer, é para isso que lhes pagam.

  4. anti-pafioso diabrete . says:

    Ó tio Balsemão o que se passa com o grande jornal que já foi ? Descalce as pantufas e pegue no jornal novamente e mande os meninos e as meninas treinarem mais 5 anos na escola da vida .

    • Paulo Só says:

      Isso mesmo, e sobretudo desembarque todos esses jornalistas/comentadores que se repetem interminavelmente uns aos outros, falam do que não sabem, e fará também uma boa economia de papel. Jornalista não tem de ter opinião. Jornalista dá notícias ou entrevista, A reforma em casa é uma coisa boa: quem não cabe na redação não deve transformar-se em comentador. Bem basta os comentadores na web.


  5. Uma limpeza geral nesta comunicação social é necessária e urgente !!!

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.