O silêncio ou a normalização não são opções

No debate político, formal ou informal, há, por vezes, uma certa mentalidade infantil que consiste em não nomear os monstros pensando que isso fará com que não existam.

Na Assembleia da República, já existiam partidos que, de modo mal disfarçado, trabalhavam para a extinção progressiva de um Estado Social e solidário, governando de modo a que as instituições públicas falhassem, beneficiando amigos privados.

Com a entrada do Chega e da Iniciativa Liberal no Parlamento, essa vergonha terminou: para ambos os partidos, é necessário acelerar a destruição da esfera estatal e transformar a sociedade numa selva em que só pode sobreviver o mais forte ou o mais rico. Hoje, Bárbara Reis explica, de modo simples, que André Ventura é de extrema-direita, mesmo que tente disfarçar.

Como é evidente, estes partidos têm o mesmo direito que os outros, legitimados pelo voto. É igualmente evidente que não faz sentido fingir que não existem, não se pode ignorá-los, porque não é isso que os combate.

A solução não está no silêncio. O facto de terem sido eleitos não pode livrar ninguém de ser criticado. Acrescente-se que a existência destes radicais anti-Estado não desculpa o que PS, PSD e CDS têm estado a fazer, especialmente nos últimos quinze anos. No fundo, a diferença está no ritmo.

Pelos animais, ração!

(houve até quem falasse de foguetes, deus nos livre)

Carla Romualdo

Who do you think it’s for? For the animals.

William Henry Duffy & Ian Robert Astbury

LE PROFESSEUR. Vous devenez un véritable animal, Marina.
MARINA. Non : je suis un animal.

— Amélie Nothomb, “Les Combustibles

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Fonte: http://bit.ly/333I4tm, foto de 6/4/2019 (graças à EPHEMERA: http://bit.ly/2oSqVUq)

Efectivamente, o esquecimento do <r> inicial de ‘ração’ é uma das hipóteses mais plausíveis para aquele cartaz. Sim, aquele da direita. Convém recordar o que foi recentemente dito pelo porta-voz do PAN sobre a revisão do Acordo Ortográfico de 1990:

Faz sentido, a ortografia não deve ser legislada por decreto.

Isto é, em última análise e vendo bem as coisas, aquele cartaz não faz sentido.

Por outro lado e por incrível que possa parecer, não se trata apenas nem da tristeza sentida por Cavaco Silva, perante a prestação de anteontem do PSD, nem do impacto dos recentes resultados internacionais do Glorioso no ânimo do presidente do Benfica. A crónica ausência do cê medial, naquelas palavras encontradas no sítio do costume, deixa-me profundamente triste e deverá deixar os respectivos responsáveis tristes e envergonhados.

Continuação de uma óptima semana.

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Tempo de romance

Perdedores e perdedores

O crescimento do PAN e a possibilidade de André Ventura chegar ao Parlamento não são boas notícias e, neste caso, somos nós os perdedores. O partido dos cães e dos gatinhos e a xenofobia do Chega são extremismos que bem dispensava. Atendendo à pouca campanha que o Chega fez e olhando para os valores que atingiu, conclui-se que há muito populismo à espera de ser potenciado.

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Resultados eleições legislativas 2019

Projecções da Católica para as eleições legislativas 2019:

 

 

Parlamento resultante da eleição de 2015:

 

Legislativas 2019 (chat)

Estamos a resolver um problema do chat. Ficam aqui as mensagens trocadas até agora.

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O fato de Tolentino de Mendonça

Lembrando as palavras de Donald Davidson, recordando uma das faces mais visíveis do drama e agradecendo esta imagem aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, aqui ficam umas levíssimas canções de Billy Bob Thornton & The Boxmasters, a pesada explicação do Karl Childers/Billy Bob Thornton e os meus votos de um óptimo e espectacular domingo.

Para lá da fumaça

[Santana Castilho*]

Daqui a quatro dias, todos poderemos votar (sem que nos possamos candidatar) para eleger alguns que, maioritariamente, nem sequer conhecemos. Chamamos a esta liturgia, de certa menoridade política, eleições legislativas. Neste cenário, demasiados protagonistas comportam-se como as antigas máquinas do tempo do vinil: tocam a música escolhida por quem tiver a moedinha. Exemplo? A repercussão que teve, em plena campanha eleitoral, a iniciativa de António Guterres. [Read more…]

Furacão eleitoral

Em parelo com a divulgação das sondagens que apontam para o PS em queda nas intenções de voto, assistimos à participação de António Costa numa reunião da Protecção Civil para acompanhamento do furacão que passou ao largo dos Açores, sem que o alarido comunicacional que o antecedeu se tivesse concretizado. É a campanha eleitoral a funcionar, o que revela muito sobre a sua utilidade quando realizada nestes moldes.

Abstenção

É tema recorrente nesta época. Seja por causa da desactualização dos cadernos eleitorais, com eleitores falecidos a aumentarem a abstenção na proporção directa dos apoios autárquicos contados em cabeças, seja devido à governação que apenas ouve os cidadãos durante as semanas que antecedem as eleições, o número de eleitores que acha que o seu voto nada conta vem aumentado de eleição em eleição, com o consequente corolário de estes não irem votar.

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Declaração de voto

Decidi votar na Iniciativa Liberal, porque gostaria de ver mais partidos representados no parlamento. Não me revejo na actual Constituição da república portuguesa, não acredito no sistema político, mas é o que temos, não acredito que algo vá mudar nos próximos tempos, porque há demasiados interesses instalados a viverem à sombra do Estado. De empresários a subsidio-dependentes, passando por uma intocável casta de funcionários e políticos, são milhões à sombra do Estado, que se financia à custa do verdadeiro investimento e iniciativa empresarial, ou dos rendimentos do trabalho. [Read more…]

Chegou atrasado?

Chegou-me isto à caixa de correio. De repente, pareceu-me um programa para eleições autárquicas. Terá chegado atrasado?

O PS e o poder

O maior desafio que o poder coloca a um homem não é o de conquistá-lo, mas de dominá-lo quando o conquista. Para possuir poder basta, por vezes, deixar que ele se encaminhe até nós. O problema surge quando é necessário exercer domínio sobre o poder que o poder exerce sobre quem o possui. É aqui que se distinguem os verdadeiros homens de poder.

O PS não tem homens capazes de exercer o poder, uma vez que demonstrou não ter homens capazes de dominar o poder que possuem.
Todo o militante ou simpatizante do Partido Socialista deve levar isto em conta nas próximas eleições. Assim como deve levar em conta que acima da lealdade que deve ao seu partido está o respeito pelos valores que emanam da sua Declaração de Princípios. E que acima de tudo isto está Portugal.

Bruno Santos
Militante 149536 do Partido Socialista

Começa bem

Fui à página do partido Iniciativa Liberal para ler o programa com que concorrem às próximas eleições legislativas e, entre puxa para cima e para baixo para o encontrar no meio dos slogans, reparei neste em particular.

CORRUPÇÃO

  • Diminuir o poder do Estado, para reduzir possibilidades de corrupção
  • Mais transparência e mais escrutínio dos agentes políticos

Deduz-se que não existe corrupção no sector privado. Talvez seja a juvenilidade do partido a contribuir para a falta de memória mas, sem ir mais longe, deixam-se aqui três casos que somam prejuízos equivalentes a cerca de um terço do dinheiro emprestado pela troika: BPN, BPP e BES.

Talvez os senhores liberais possam explicar como é que menos regulação, ou seja, menos poder do Estado, tal como defendem, teria evitado estes buracos sistémicos.