Ufff!
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ESCUTAS ANULADAS E DESTRUÍDAS
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Mas a suspeição ficará por muito tempo a manchar a reputação do chefe do governo. Disso não se irá livrar facilmente. Não vai dar para anular e destruir.
Mais uma machadada na credibilidade deste senhor.
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Quem namora quem
A questão de os jornalistas poderem ou não tratar a sua colega Fernanda Câncio por "namorada do primeiro-ministro", agora ratificada pelo plenário da Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas, parece-me um bocadinho provinciana e desinteressante.
O que questiono é porque não tratam os jornalistas José Sócrates por "namorado de Fernanda Câncio". O sentido unívoco no tratamento das relações amorosas que remata amiúde no clássico "a senhora de", fazendo de uma mulher pouco mais que uma posse do seu homem, mete nojo.
No mesmo dia em que li no Público uma atabalhoada explicação dos autarcas famalicenses sobre o desaparecimento das vereadoras do PSD/CDS, que decoraram as listas para cumprir a lei mas uma vez eleitas suspenderam os mandatos, com frases deste gabarito:
“As senhoras foram convidadas pelo presidente da câmara, por carta, para exercerem determinado tipo de funções a tempo inteiro e para os quatro anos e foi nesta contingência que tomaram uma decisão”
ou
"Não posso obrigar as senhoras a assumir o mandato”
gostava de ver estes senhores a ganhar em respeito o que bem podiam perder no tratamento cerimonioso e obviamente hipócrita.
Fotografias que nos chegam ao email
E que tal um pouco mais de celeridade?
Só na próxima semana o Procurador Geral da República vai iluminar o país em relação às certidões extraídas do processo "Face Oculta", em relação às conversas escutadas entre José Sócrates e Armando Vara.
O caso, pela complexidade e importância, deve ser tratado com todo o rigor, daí o envio das escutas para o Supremo Tribunal de Justiça. Até aqui, nada a dizer. Todo o cuidado é pouco e nestas coisas não se pode falhar.
Convinha, no entanto, dar alguma celeridade a estes processos. Não por envolver pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. E, sim, porque envolve pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. Parece contraditório e é. A questão é que estas pessoas influentes, importantes e que são dirigentes políticos têm muito a ver com o destino de todos nós.
Apesar de tolhido num certo estupor que nada tem de racional, ainda para mais em tempo de crise, o país precisa de ter respostas muito em breve.
Sócrates e Vara: Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
Provavelmente, nada acontecerá a Armando Vara, apesar de ter sido constituído arguido no âmbito da operação «Face Oculta». A Polícia Judiciária e as primeiras instâncias do Ministério Público e dos Juizos fazem o seu papel mas, quando entram em cena outras figuras, mais graúdas, os processos simplesmente são travados. Daí até à prescrição ou ao arquivamento, vai um pequeno passo.
Para a Justiça portuguesa, os poderosos nunca são culpados. Corrupção ou tráfico de influências? Veja-se Lopes da Mota.
Quanto a Armando Vara, todos se lembram da forma como foi obrigado a demitir-se do Governo por causa da Fundação para a Prevenção e Segurança e das irregularidades cometidas. Nada que o tenha afectado especialmente – regressado à Caixa Geral de Depósitos, passara automaticamente de simples empregado de balcão a Administrador do Banco.
Alguns anos antes, em 1990, criara a Sovenco – Sociedade de Venda de Combustíveis. Como sócios, José Sócrates e Virgílio de Sousa. Curiosamente, estão todos a contas com a Justiça em processos de corrupção – Vara com a «Face Oculta», Sócrates com o Freeport, Virgílio de Sousa já condenado a prisão por corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua.
Todos estes escândalos acabaram com a carreira política de Armando Vara, mas nem por isso a sua influência política diminuiu, traduzida agora no mundo dos negócios. Da Caixa Geral de Depósitos, passou para o BCP pela mão de José Sócrates. Já estava no Banco privado quando foi promovido, na Caixa, à categoria mais elevada do vencimento, com efeitos a partir do momento em que regressar. Sim, porque antes de sair foi-lhe concedida uma licença sem vencimento.
E agora isto.
Haverá certamente uma justificação, porque, como é óbvio, estamos em presença de mais uma campanha negra.
E Mário Lino?
O fax que diz o contrário do que alguns gostariam de ler
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Esta frase, integrada no contexto da mensagem trocada entre os elementos do Freeport, é extremamente elucidativa. «O Ministro do Ambiente é tido como a integridade em pessoa».
Ou seja, as pessoas pensam que ele é íntegro. Ninguém vai desconfiar…
Eles Falo, Falo, Falo, E Num Dizem Nada
TODA A GENTE FALA E DIZ, MAS SÓ O DIALOGADOR SABE
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Agora, depois de muito se falar na sra dra Alçada, vem ela dizer-nos que nem convidada foi.
Que pena! O telefone da sra não terá chegado a tocar.
Bem, a ver vamos, quando será anunciado o novo governo, e quem fará parte dele.
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Freeport – comissões houve. Quem as recebeu?
Novo fax (novo para a gentalha tuga, claro) há muito nas mãos da polícia Inglesa, vem não só confirmar que houve comissões, o seu montante, em libras (dá cerca de três milhões de euros) como a razão para serem pagas naquela altura.
O governo de Guterres estava de saída e havia que pagar para que tudo ficasse preto no branco. O não pagamento impedia o licenciamento do Freeport, naquela altura e perdiam-se mais uns anos, com o processo a voltar ao ínicio.
Diz a SIC que já estaria nas mãos da TVI (a tal que calou a voz à Manela e que foi comprada com a massa dos fundos de pensões da PT) mas que só agora veio a público, convenientemente.
Claro que tudo isto são coincidências e nada está provado.
Mas que este fax entre executivos da empresa proprietária do Freeport existe, existe! Para além de tudo o mais que já sabemos e que tambem não está provado.
Provado, provado está, que temos um empreendimento licenciado à pressa e com graves atropelos a uma zona protegida, vídeos a chamarem os bois pelos nomes, familiares envolvidos, reuniões com quem tinha capacidade de autorizar e agora o fax da polícia inglesa, a dizer o preço e as razões.
Só falta alguem confessar para termos caso!
Um é sabido e o outro é anjinho?
Costuma dizer-se que "ou há democracia ou comem todos" o que parece (parece, já não sei bem) querer dizer que estamos todos em igualdade perante a lei e os costumes. Não podemos exigir a um o que não exigimos a outro.
Vem isto a propósito do que aí vai entre os meus amigos PS quanto à questão da trapalhada com as palavras e os silêncios de Cavaco Silva, Presidente da República.
É óbvio, para todos, que há aqui uma questão mal explicada, acusações deturpadas, fontes interessadas, tentativa de intromissão nos resultados das eleições, tudo o que não deveria ter acontecido e muito menos com o envolvimento da Presidência da República.
Mas estes meus amigos, são os mesmos que defendem José Sócrates, Primeiro Ministro, de todas e quaisquer suspeitas nos diversos casos em que o Primeiro Ministro está envolvido.
Foi acusado? O tribunal já se pronunciou?
No Freeport aparecem envolvidos, tios e primos do Primeiro Ministro? Tudo natural.
Na Cova da Beira, o professor que passou o Primeiro Ministro a doze disciplinas ao domingo, é um dos acusados em tribunal por ter existido batota no concurso em que José Sócrates era o secretário de Estado de quem dependia a adjudicação? Normalíssimo!
José Sócrates falsificou as fichas na Assembleia da República? Normal!
Comprou uma casa a metade do preço e através de uma off shore? Normal!
Não há nada provado em tribunal, até lá todos são inocentes. Mas então isso não se aplica ao Presidente da República? Os índicios que nem tudo correu bem no caso das escutas, é razão bastante para transformar Cavaco no sr. silva e, no caso de Sócrates, não chega para lhe fazer crescer o nariz?
Há Democracia ou comem todos?
Sócrates e as Presidenciais de 2016
José Sócrates assume que nunca quis diálogo com a Oposição nos últimos 4 anos e que nunca se esforçou minimamente para obtê-lo. Porque não precisava. «A situação política mudou e o meu dever é dialogar com todos os partidos».
O tempo de duração deste Governo vai depender em grande parte da estratégia do próprio primeiro-ministro. Hábil nestas coisas, usará a arma da vitimização para evitar ser derrubado ou, ao invés, forçará a queda para haver novas eleições e reconquistar a maioria absoluta perdida.
Resta saber qual será o «timing» da preferência de Sócrates, visto que a Assembleia só pode ser dissolvida entre Março e Setembro de 2010 e, depois disso, só a partir de Março de 2011. Ora, não se espera que um Presidente da República, como primeira medida de um mandato, dissolva a Assembleia. E sendo assim, estaremos a menos de dois anos do fim da Legislatura. E haver eleições nessa altura significaria que novo mandato de Sócrates com maioria levá-lo-ia como primeiro-ministro até finais de 2015.
O problema, e já o disse aqui, é que o horizonte temporal de José Sócrates é as Presidenciais de 2016.
Mas para concorrer, não pode ser primeiro-ministro até finais de 2015, caso contrário arrisca-se a perder. Assim, ou termina o mandato em 2013 e agurda dois anos até anunciar a sua candidatura à Presidência da República, dedicando-se entretanto «à família e aos livros»; ou força a dissolução da Assembleia já entre Setembro e Março de 2010 para conseguir depois nova maioria absouta e poder governar até 2014. Dedicar-se-á então apenas um ano à família e aos livros (chega-lhe muito bem, porque as citações já ele as decorou todas) antes de anunciar, em nome do interesse nacional, a candidatura à Assembleia da República.
Nem esquemas, nem reserva mental
Sem maioria absoluta, José Sócrates terá que ser, de facto, um novo primeiro-ministro. Nas suas declarações de ontem, afiançou-nos do seu interesse no diálogo com os partidos da oposição e à SIC declarou que sendo o governo do PS, tem o dever de cumprir o programa partidário apresentado aos eleitores. Eis o equívoco que não pode deixar de ser sublinhado.
Sócrates parece algo surpreendido pela recusa de coligações ou compromissos por parte de qualquer uma das outras formações com assento em S. Bento. Não sabemos o que terá proposto aos seus quatro interlocutores, nem isso interessa de sobremaneira à opinião pública, mais preocupada com as dificuldades do quotidiano. Pelas declarações do primeiro-ministro, parece ter assim início aquilo que todos previam, no caso de um governo minoritário.
A atribuição do ónus da ingovernabilidade à oposição, segue os parâmetros há um quarto de século gizados pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva e que em crescendo de crispação, conduziria a eleições antecipadas que proporcionaram o almejado absolutismo parlamentar.
Hoje, a situação é bem diferente e ninguém consegue esconder a calada semi-desilusão que a entrada de Portugal na então CEE hoje significa, com o seu cortejo de falências, liquidação de sectores produtivos tradicionais, perda de oportunidades para um prometido desenvolvimento e pior que tudo, a clara ameaça de desaparecimento do país como Estado formalmente independente.
A verdade é que o novo governo não ostenta a necessária legitimidade para tentar fazer aplicar integralmente o chamado "Programa Eleitoral de Governo do PS". Perdeu quase 10% dos eleitores, dezenas de deputados e a confiança no que respeita às decisões que afectarão a vida das próximas gerações. O que J.S. deve compreender, é que mais que a arrogância e a intratabilidade, o eleitorado puniu a opção por projectos cuja valia ou interesse nacional, não são discerníveis pela maioria dos portugueses, avessos a qualquer tipo de aventureirismo. Resta-lhe a construção de pontes com os seus adversários, obtendo os consensos que a moderação e o bom senso exigem.
O PSD não quis acatar o programa do PS, nisto sendo seguido pelo CDS, BE e PC, confirmando-se assim aquilo que todos esperavam da oposição: a não assinatura do aval que permita loucuras a grande velocidade, negociatas turvas e alienadoras do património público, aeroportos semi-desertos ou tríplices auto-estradas destinadas à "dinamização" de negócios de companheiros de viagem.
Um governo minoritário – como o povo quis de forma muita clara -, é um executivo destinado a obter plataformas de entendimento e os compromissos necessários ao bem estar geral. Não pode vingar uma vez mais o ilusionismo da vitimização. A competência de quem tem também o dever de fazer uma oposição responsável, verificar-se-á na capacidade de demonstrar até onde vão as boas intenções do diálogo, ou pelo contrário, os esquemas da reserva mental.
SÓCRATES, O DIALOGADOR
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DIÁLOGOS FRUSTRANTES
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O dialogador (na
verdade tenho-lhe dado o cognome de "o dialogante", mas este é bem mais bonito, pelo que vou passar a utilizá-lo) tudo terá feito para conseguir um acordozinho ou uma coligaçãozinha. Tentou de tudo, com tudo quanto é partido com assento Parlamentar. Começou com a sra dra Manuela e a sra disse-lhe que não. Depois seguiram-se os outros pequeninos, e as respostas foram exactamente as mesmas.
Desta forma, triste e acabrunhado (ninguém parece querer ajudá-lo, ou gostar minimamente dele), já informou que vai apresentar dentro de dias (não disse quando) um governo de iniciativa PS.
Vai ser complicado. Governar nessas condições pressupõe ingovernabilidade. E não convém mesmo nada que Portugal fique ingovernável. Sócrates, o dialogador, vai ter de mostrar o que vale, que será pouco ou muito, dependendo do que conseguir ir fazendo ao nosso País.
Alguém vai ter de ceder. Quem será?
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