«Todos pela Liberdade» – Antevisão


Na quinta-feira vai ser assim

Vergonha, precisa-se

As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.

Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.

Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).

Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.

Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.

Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.

Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.

Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?

A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.

«O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. Vão passar uns fundos para Londres.»

ALGUMAS DAS ESCUTAS DA «FACE OCULTA», REVELADAS PELO «SOL» NA ÚLTIMA EDIÇÃO

 

– «Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo» (Armando Vara, aquando do primeiro falhanço do negócio de compra da PT)

– [Pede-lhe] «para marcar a reunião para a semana, conforme combinado» (Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT, em conversa com Paulo Penedos, pedindo para marcar reunião com Manuel Polanco, da PRISA).

– «Ela, Manuela Moura Guedes, vai ser anunciado já que vai sair – vai para o entertenimento. Ele deve ser muito bom porque os espanhóis querem fazer a transição com tranquilidade. O que ele não sabe é que já não estão a pedir a cabeça dele.» (Paulo Penedos para pessoa não identificada)

– O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. (…) Vão passar uns fundos para Londres.» (Paulo Penedos para Américo Thomatti, quadro da PT e presidente executivo do Tagus Park)

«No dia 29 de Maio, Rui Pedro Soares diz que esteve «com o Júdice» [José Miguel Júdice], que pensou outra solução».

«Inventou-se uma solução de antologia: Compram activos em baixo, o que permite que a PT, directamente, possa comprar a internet e a produtora de novelas, e que outras entidades mais inócuas vão comprar 30% da televisão.» (Rui Pedro Soares com Paulo Penedos)

– «Vão comprar 30% por 90 milhões e era importante que o João Carlos [João Carlos Silva, ex-presidente da RTP nomeado por Vara] conseguisse, pelo menos, uma participação de 9 milhões. Em dinheiro seriam 3 milhões no máximo.» (Rui Pedro Spares para Paulo Penedos)

– «Vai haver alterações imprevisíveis na comunicação social, que vai deixar de ser controlada [daí a dois dias] por Moniz e Manuela.» (Paulo Penedos para um tal de Luis, 17 de Junho)

Paulo Penedos tarde piou

Pois, se Paulo Penedos não autorizasse a divulgação das escutas, o que é que ia acontecer? Nada, as escutas iam ser divulgadas na mesma. Semanalmente, no «Sol». Por isso, … tarde piou.

Pedro Marques Lopes, a «isenção» da TSF e o «amigo Joaquim»


«Bloco Central» é um programa de actualidade política da TSF cujo nome diz tudo. De um lado, Pedro Adão e Silva representa o PS. Do outro, Pedro Marques Lopes representa o PSD.
Pedro Adão e Silva foi dirigente nacional do PS e autor da moção de José Sócrates no último Congresso. Pedro Marques Lopes não é nem nunca foi nada no PSD. Pedro Adão e Silva defende com todas as forças o PS e o primeiro-ministro e está sempre a atacar o PSD. Pedro Marques Lopes ataca com todas as forças o PSD e Manuela Ferreira Leite e não raras vezes defende o primeiro-ministro.
É assim a isenção da TSF. Claro que ninguém foi dizer a Pedro Marques Lopes o que ele devia dizer. E ninguém foi dizer a o director da TSF Paulo Baldaia para contratar Pedro Marques Lopes para um programa deste género. Não é preciso. Lembram-se da história do cãozinho amestrado? Pois, o «amigo Joaquim» não precisa de dar ordens. Todos sabem, a cada momento, o que hão-de fazer.

Sócrates, a comunicação social e os sapos

Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:

Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.

O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:

do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo

e o segundo:

‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’

Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando: [Read more…]

Sócrates, Manuela Moura Guedes, Eduardo Moniz e os sapos

Entendamo-nos: Eu achava o programa de “informação” apresentado às sextas-feiras por Manuela Moura Guedes abjecto. Por isso não o via.

O cidadão José Socrates e seus acólitos eram livres de achar o mesmo que eu ou, até, pior. Desligavam a televisão e não viam. Sabendo-se insultados faziam o que faz um cidadão: queixavam-se a quem de direito, os tribunais.

O primeiro-ministro José Sócrates espero que não tivesse tempo para perder com o programa porque estava ocupado com assuntos do país, portanto não o via. Sabendo-se insultado fazia o que faz um cidadão a quem acontece ser primeiro-ministro. Como não tem tempo a perder com minudências, manda processar o programa. Ou não, se quiser passar a imagem de quem convive bem com as críticas. Toma a decisão – espera-se que um primeiro-ministro tome decisões – de apresentar ou não apresentar queixa e age em conformidade.

O cidadão-primeiro-ministro José Sócrates quis o melhor de dois mundos. Passar a imagem de quem convive bem com a crítica e acabar com ela como se fosse primeiro-ministro-cidadão do Irão.

Eu, olhando os personagens, não me sinto bem com nenhum. Mas, neste caso, estou com Moniz e Manuela Moura Guedes. Informo o cidadão José Sócrates que engoli um sapo para escrever esta última frase. Peço ao cidadão José Sócrates que informe o primeiro-ministro José Sócrates de que engolir sapos faz parte do cargo.

Não gostando de sapos resta a demissão.

Escutas de Sócrates: O juiz será louco?

«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Leiam bem por favor. Leiam bem e respondam: um juiz que não está louco escreveria um despacho destes?:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Já leram? Se o juiz está louco, internem-no. Se não está, façam alguma coisa. E voltem a ler isto só mais uma vez:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»

O «jovem turco» volta a atacar


Desde há muitos anos que, pelo seu hábito de atraiçoar aqueles com quem trabalha, Nuno Santos é conhecido como o «jovem turco». Consta que chegou onde chegou dessa forma.
Ontem, Nuno Santos voltou a apunhalar um dos seus colegas mais próximos. Ao dizer que Mário Crespo mentiu, está a colocar-se do lado de José Sócrates. No entanto, confirma que estava no restaurante e confirma que falou com José Sócrates. Mas se as coisas não foram como Crespo as descreveu, então como é que foram? José Sócrates não falou de Mário Crespo? E se falou, por que razão Nuno Santos não o defendeu? E por que defende agora um primeiro-ministro em vez de defender um colega?
E Bárbara Guimarães, o que terá a dizer? Dirá, claro, o que o marido socialista mandar dizer.

Faltam 433 dias para o Fim do Mundo…

Ontem partiu Rosa Lobato Faria e com ela uma certa forma de televisão do final dos anos oitenta. Paz à sua Alma. Uma Senhora. Simpática, inteligente  e que não precisava de dar ares de uma qualquer superioridade, antes pelo contrário, cultivava uma simplicidade própria dos seres superiores.

Estamos mesmo a assistir ao princípio do fim de um ciclo político em Portugal. Quando Lacão e Teixeira dos Santos já não conseguem disfarçar em público as suas divergências privadas; quando o Primeiro-ministro manda recados de ameaça de demissão e o Governo anda entretido a perseguir jornalistas, só podemos estar em fim de festa.

E hoje a imprensa, neste caso o Público, acordaram para algo que todos nós, sobretudo os que conhecem o Interior do país estamos fartos de saber: o Povo foge desta latrina mal frequentada, utilizando uma expressão dos Mão Morta. E só pode fugir, num Portugal centralista onde se ajuda as grandes fortunas a salvar-se no BPP à custa dos contribuintes e se deixam cair os pequenos aforradores, de tal forma chocante e gritante que até um tipo de direita como eu, começa a ficar com os mais primários instintos de esquerda radical.

Pelo menos o FCP para nos dar uma alegria nesta caminhada para o Fim do Mundo…

Prof. Dr. Engº José Sócrates

Com o curso tirado numa escola de grande reputação – A Independente – (nome apropriado tendo em vista a sua particular independência em relação ao conhecimento e ao mérito), o nosso primeiro e os seus ministros chamam empresários e economistas para lhes darem aulas de política e de empreendorismo!

Com um curriculum particularmente activo e com obra feita (vejam-se as famosas casas ) e com passagem na JSD, meteórica, é certo, mas de grande relevo, e na JS com êxito absoluto (chegou a secretário de Estado, a ministro e agora a primeiro-ministro), José Sócrates tem mais do que capacidade para dar lições a quem arrancou com empresas, vende para a exportação, paga a trabalhadores e ainda paga impostos!

Ontem, no CCB, chegou atrasado 45 minutos, sem um desculpem, avançou com um discurso que ninguém percebeu se se tratava do “seu sonho de menino” e, antes que alguém dissesse alguma coisa, arrancou como chegou e deixou toda a gente a falar sozinha.

O Dr. João Salgueiro ( um tipo que tirou o curso numa coisa que está instalada numa rua que se chama “Quelhas” o que diz tudo sobre a sua reputação), ainda foi dizendo que o sr primeiro-ministro tinha dado uma prova de grande orador, mas que  tinha falado de coisas que ninguem entendia, tal era a complexidade do tema e a originalidade!

À noite, no que já foi o “Prós e Prós e agora é o “Contra e Contra”, na RTP1, todos os que lá foram debitar assuntos sem interesse, disseram que não conheciam as matérias em que o governo é perito o que mostra bem o avanço civilizacional que, Portugal pobre e mal agradecido, não reconhece.

Entretanto, o ingrato e pouco reconhecido Constâncio já veio para aí dizer que “está muito pessimista”, eu percebi logo que se referia ao lugarzinho na Europa, era o que faltava quando o país vai de vento em popa, que a questão fosse os desempregados, a dívida e o déficite.

E é preciso que se perceba de uma vez por todas. O nosso défice é igual ao dos outros países, o endividamento também, por isso nada de chatear, porque a capacidade para  aumentar a riqueza para pagar isso não é igual, mas também não há pressa nenhuma em pagar.

Afinal, o que querem? Não andamos sempre com uma mão à frente e outra atrás?

José Leite Pereira é o Pais do Amaral dos pobres


Há uns anos, o líder da TVI, Pais do Amaral, foi falar com o professor Marcelo Rebelo de Sousa. A mando do Governo de então, o de Santana Lopes, pediu-lhe moderação nos ataques ao Executivo. Marcelo bateu com a porta.
Desta vez, o director do JN, José Leite Pereira, telefonou a Mário Crespo, pedindo-lhe moderação no ataque a José Sócrates. Mário Crespo bateu com a porta.
Quais são as diferenças? É que no primeiro caso, ia caindo o Carmo e a Trindade, era um lamentável ataque à liberdade de imprensa, estava em causa o normal funcionamento das instituições. Hoje, tudo vai bem na República de Portugal, não se devem ouvir conversas privadas, o jornalista não é bom da cabeça.
Como refere hoje Henrique Monteiro no «Expresso», José Leite Pereira não passa de um lambe-botas que sabe bem qual é a sua função como director do JN. Sabe bem e como o tem demonstrado nos últimos anos! A voz do dono, o braço armado do «amigo Oliveira» na protecção ao Governo e a José Sócrates.
Dir-me-ão que ninguém lhe disse para retirar o texto de Mário Crespo. Foi de sua livre inicativa. Acredito que sim. Os cãezinhos amestrados são assim. Não recebem ordens do dono. Sabem, a cada momento, o que hão-de fazer para, no final, terem a recompensa merecida.

Foi Nuno Santos que ouviu a conversa sobre Mário Crespo

Tudo aponta para que tenha sido Nuno Santos, o director de programas da SIC, a fonte de Mário Crespo no caso de que se fala. Não porque estivesse numa mesa ao lado a ouvir a conversa, mas porque estaria a almoçar com o primeiro-ministro.
A ser verdade, é estranho. É estranho que um director de programas almoce com o primeiro-ministro. Mais, é estranho que um jornalista almoce com o primeiro-ministro. Um jornalista tem de se mostrar imparcial e estas intimidades, tão habituais na vida pública portuguesa, são lamentáveis.
E se for verdade, o que pretendia José Sócrates quando falou a Nuno Santos do problema que Mário Crespo constitui? O silenciamento do jornalista incómodo, claro. Sem vergonha nem pudor, como dizia o João José Cardoso aqui em baixo.
A julgar pelas últimas notícias, parece que não conseguiu.

De Fernando Charrua a Mário Crespo

Os defensores do Governo, os do costume, andam muito escandalizados porque uma conversa privada, num restaurante, foi ouvida por ouvidos alheios e chegou até Mário Crespo.
É muito curioso que essas Virgens ofendidas não tenham tido a mesma preocupação quando, em 2007, o professor Fernando Charrua foi suspenso e processado na base de uma conversa privada, em local público, na qual ele alegadamente chamara filho da puta ao primeiro-ministro.
Pois é, as coisas são sempre vistas pelo prisma que mais interessa. É como as conversas privadas. Podem ser ouvidas, mas depende sempre do que é dito e dos interlocutores envolvidos. É que uns têm mais direito a privacidade do que outros.

O Aventar desceu as audiências porque quis

E a Manuela Ferreira Leite só não ganha outra vez o PSD porque não quer. E o FC do Porto está a ter uma má temporada porque quer. E eu não vou para a cama com a Soraia Chaves porque não quero.
E ele, é parvo porque quer ou porque acha que os parvos somos nós?

Orçamento, salários e carrosséis

Depois do acordo, as perguntas. Ferreira Leite quer saber “Porque é que o défice se agravou 1,3% em 15 dias?”. Já Sócrates rejeita acusações de ter escondido valor do défice, o que não me espanta: provavelmente nunca o soube verdadeiramente.

Eu, já agora, gostava de saber o porquê da abstenção do PSD? Quais foram as matérias concretas em que incidiu o acordo entre o PS e o PSD? E o mesmo se diga acerca do CDS-PP. É que as responsabilidades não devem ser apenas exigidas, também devem ser assumidas.

As empresas alinham com o Governo  para um 2010 sem aumentos salariais, e Teixeira dos Santos já fala em cortes nos salários do Governo. Ou comem todos, ou há moralidade (?!).

Entretanto José Sócrates quer sossegar os ânimos dizendo que a “viligância das agências de rating a Portugal não é única”, ou seja todos os países estão a ser vigiados. Fico muito mais descansado: pelos vistos não é nada pessoal contra nós, são apenas negócios tal como a velha máxima  da Máfia “nada pessoal, estritamente negócios”.

Quem não teve meias-medidas foram os empresários de carrosséis que saltaram as barreiras de protecção colocadas pela PSP para conter a manifestação junto à residência oficial do Primeiro Ministro. Acho até que a PSP está a ter muita sorte por os manifestantes não terem trazido as girafas, os cavalos e as chávenas gigantes.

O que se diz por aí

Como seria de esperar o Orçamento do Estado para 2010 não agrada nem ao BE nem ao PCP. Já se sabe que os socialistas sempre preferiram entendimentos à Direita. Habituem-se… que já é tempo.
Quanto às grandes medidas do Orçamento teremos hoje “novidades”.
Já José Sócrates pode-se considerar, realmente, como um um político com muita sorte, tal como diz Paula Teixeira da Cruz. Por várias vezes afirmei, e reafirmo: o PS governa graças ao PSD.
O caso “Casa Pia” conhece novos desenvolvimentos, e agora há já mais dois arguidos por força de denuncias feitas no âmbito daquele processo.
E em matéria de Justiça, continuamos a ter mais do mesmo, agora com a conclusão que mais de 80% dos advogados considera a Justiça lenta. A novidade estará nos cerca de 20% restantes.
Em Itália, Berlusconi arrisca a enfrentar um terceiro julgamento devido aos seus negócios. Coitado do homem: mas afinal quantas vezes terá ele de mudar a lei para que o deixem em paz de vez?
Na Taça de Portugal F.C. Porto defronta o Sporting. Vamos ver qual dois dois consegue ser menos mau.
Por fim, uma curiosidade: George Clooney quer criar roupa interior anti-scanner. Penso que Bin Laden será o primeiro a querer financiar o projecto, para que mais terroristas possam usar cuecas explosivas.

O que se diz por aí

A afirmação de Pinto Balsemão que o PSD “está vivo”, poderá ser tranquilizadora para algumas pessoas – até mesmo para o Governo que diz que a Regionalização depende do PSD -, mas penso que é algo preocupante para qualquer social-democrata: é muito mau sinal quando é preciso vir um fundador afirmar que o partido está vivo.
Já o PS parece estar muito vivo, até demais para o gosto de José Sócrates: a alegada insconstitucionalidade (pela exclusão da adopção) do regime legal do casamento homossexual ontem aprovado, mostram, que a matéria até entre socialistas é fracturante, ao contrário da versão oficial.
Interessante é saber que a Barragem do Alqueva está no limite e não se sabe o que fazer a tanta água. Eu estava em crer que faltava água em Évora, mas deve ser imaginação minha.
Ficou-se a saber agora que o Governo vai construir 400 novas creches. José Sócrates escusava era de exagerar quando afirmou que assim ficará assegurado que os jovens casais “podem ter os filhos que quiserem”. É que para se criar filhos não basta ter quem tome conta deles…

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte III

Parte I – Dimensão político-partidária
Parte II – A duração das carreiras

Escrevi nos textos anteriores que o acordo é bom do ponto de vista político, para sindicatos, para o Ministério, para as escolas… Mas, escrevi também que a carreira me parece excessivamente longa. Acredito que será possível, em momentos mais positivos do ponto de vista económico, voltar a esta questão.

Se me permite, car@ leitor@, pretendia agora reflectir sobre o modo como se vai processar a progressão na carreira.
A questão central do acordo foi a necessidade de garantir que TODOS os professores avaliados com BOM podessem chegar ao topo da carreira. Com este acordo isso fica garantido. Na carreira Maria de Lurdes a nossa expectativa de carreira terminava no 7º escalão (índice 245 ao fim de 18 anos). Agora temos uma carreira que nos permite chegar ao índice 370, sendo que isso é muito tempo… demasiado tempo… Com o congelamento (28 meses que o ME insiste em não considerar – rouba-nos um tempo de serviço que efectivamente trabalhamos!) pode ir até aos 42, 5 anos. É muito, demasiado…
Para progredir (pt 4 do acordo) os professores deverão reunir 3 condições: tempo de serviço, avaliação de Bom / Muito Bom / Excelente e formação. Aqui, nada de novo em relação ao que temos.
Os cenários possíveis: [Read more…]

Em revista 08.01.2010

E aí está José Sócrates a afirmar no Parlamento que a provação do casamento homossexual é “um passo contra a discriminação”. Esqueceu-se foi de dizer que é também um passo a favor de uma outra discriminação: podes casar mas não podes adoptar.
Entretanto o Tribunal da Relação de Lisboa, confirmou a inconstitucionalidade da ASAE, quanto às suas competências policiais. O que é um claro exercício de coragem: arrisca-se que a ASAE ainda lhe feche as portas à custa de umas tantas normas de uns tantos regulamentos.
Mas, voltando a José Sócrates, afirmou ontem que a culpa da crise financeira é dos bancos. Isto a propósito das contas sobre a dívida pública apresentadas pelo BPI. Sócrates não deve ter gostado que fossem privados a denunciar o real estado das contas públicas. É o que dá as zangas entre comadres…
E ainda há o azar destas coisas da natureza, a aumentar aos custos do Estado. Pelos vistos já custa ao erário público cerca de 80 milhões de Euros as chuvas de Dezembro. Se continua assim, precisamos de fazer um fado bem trágico “As águas de Dezembro”, para contrapor às “Águas de Março” de Tom Jobim.
Por fim, uma boa notícia: Manuel Machado teve alta. Sempre gostei do estilo deste treinador, que nunca se escusou a dizer o que pensa. Que regresse o mais cedo possível ao trabalho.

O Discurso de Natal

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AINDA E SEMPRE O CALIMERO
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Não tenho tido vontade de escrever sobre política. A coisa é sempre a mesma e os nossos dirigentes todos a mesma trampa.
No entanto, pequei, e resolvi ouvir a mensagem de Natal do nosso maravilhoso líder, Sócrates II, O Dialogador.
As palavras estavam por lá, no discurso, mas a quererem dizer exactamente o oposto do que aprendemos na escola e no dicionário. Solidariedade e esperança, palavras sempre encontradas em qualquer discurso que se prese, em especial na época natalícia, pareceriam ao menos atento, palavras sérias e a mensagem de um Primeiro interessado e atento aos problemas do País. Mas não esqueçamos que estamos perante o mestre do disfarce, o perito do embuste, o cínico que pensa que é o maior, que é o mais inteligente e que é o detentor da verdade. O ar sofredor que adoptou, qual Calimero, e a face sem um sorriso para amenizar as palavras, ajudaram a criar um clima que lhe será cada vez mais adverso.
Já ninguém acredita que o investimento público possa trazer riqueza ao País, embora vá enriquecer alguns.
O discurso de ocasião, feita de promessas ocas, já não colhe, nem nos seus apoiantes. O seu partido anda perdido e sem saber já o que fazer com este personagem.
Um dia, Deus queira que muito próximo, para nosso bem, vai deixa-nos, e nessa altura poderá ser já tarde para uma recuperação, que outros encetaram já, enquanto nós nos continuamos a afundar.

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O matrimónio homosexual e as opções de amar

Por curiosidade, parei a minha escrita, esse meu grande amor a seguir à minha mulher, filhas e netos, e ouvi a notícia: o Conselho de Ministros tem aprovado um projecto de lei que liberaliza o mais elementar direito do ser humano: as formas de amar. Por estranha coincidência, a proposta é aprovada no dia a seguir em que Ratzinger impõe uma lei canónica para o matrimónio católico: se dois que se amam e querem casar pela Igreja mas são de diferente fé, antes do sacramento o fiel católico deve pedir autorização à Cúria Romana, por meio do seu Pároco. Se a licença é negada, não há Sacramento e, talvez comece uma vida de amancebamento que a fé romana impede: ou sacramento, ou nada, excepto a lei civil para os filhos serem filhos de dois que se unem por amor. O bom Bispo de Braga comentava, na sua boa vontade, que era apenas uma orientação de Ratzinger. Mas, quando o Papa Romano fala, a sua voz deve ser obedecida por se acreditar que a divindade fala pela sua boca em matérias de fé.

Mas Ratizinger não é apenas Bento XVI, é também o PDS e o muito católico CDS-PP. Partidos que, como sabemos, deve contar entre os seus membros pessoas que vivem amancebadas de forma homossexual ou heterossexual. Nunca há nada puro. Se a pureza existir, não seria necessário o sacramento da confissão, que começara no Século XII, no II Concílio de Letrão. Não era para fazer introspecção como na psicanálise, era para limpar a alma em tempos em que o inferno era uma realidade viva e temida. Temida de tal maneira, que o Concílio de Trento do Século XVI criou como dogma de fé, o Purgatório. Sítio, estou certo, que deve servir aos que estão a pensar em tratar o matrimónio homossexual como um amor diferente. Eles ainda não experimentaram o sentimento definido por Freud em 1905-12 e 22, que a paixão é uma força da natureza e a libido manda na nossa racionalidade, especialmente o texto do ano 1922: O Eu e o Isso, ou o Ego e o Id. Esse Id, tem sido ultrapassado se este projecto de lei é aprovado e promulgado. Não podemos esquecer que o nosso Presidente da República tem direito a veto e toma a eucaristia de joelhos, em Fátima, que visita regularmente. No entanto, confio ma sua racionalidade e em andar nos tempos modernos: não quererá permitir, conforme a sua fé, que seres humanos vivam, como ele diria, em pecado, ou os de diferente fé, assunto apesar da concordata que não é com ele, ou os do mesmo sexo. [Read more…]

Não Há Condições

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NÃO SE ADMITE O QUE ESTÃO A FAZER
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Não se admite o que a oposição está a fazer ao governo de Lisboa. É que os tipos não deixam que os governantes, eleitos democraticamente, governem como sabem. Fazem imposições, votam em maioria contra as decisões do sr Sousa, não permitem que as coisas se façam como os governantes querem, enfim, estão a ser uns tratantes, mais ainda do que os da anterior maioria o foram.
E, claro que quem se vê assim tratado, não gosta.
Eu também não gostaria de ser enxovalhado por uns quantos deputados que, lá porque têm a maioria, se consideram no direito de não quererem as coisas como eu as quereria. Até era o que mais faltava. Então eu, que até tinha ganho as eleições, tinha de me sujeitar a que uns gajos quaisquer me dissessem como queriam que eu governasse? Então eram eles que tinham ganho as coisas ou eu? [Read more…]

O elogio de José Sócrates

José Sócrates tem uma visão modernizadora para o país. A sua aposta nas energias renováveis e na sociedade da informação, via choque tecnológico, demonstram à evidência que o rumo escolhido pelo primeiro-ministro é o de alguém com uma ideia clara do que quer para o país que ama.
Com as energias renováveis, ficaremos menos dependentes das energias fósseis e de um futuro assustador para a Humanidade.
Com portugueses escolarizados do ponto de vista informático, temos as ferramentas indispensáveis para uma sociedade mais capaz e mais apta a enfrentar os desafios de um mundo em constante mutação.
E depois há as questões ditas fracturantes, que me fazem aplaudir José Sócrates pela coragem das medidas tomadas. A questão do divórcio veio corrigir uma flagrante injustiça que se verificava há muitos anos e que, como sempre, só prejudicava a parte mais fraca.
O aborto até às 10 semanas acabou com uma das situações mais vergonhosas do Portugal democrático – mesmo sendo contra o «aborto fútil» das classes média-alta e alta, entendo que nenhuma mulher pode ser criminalizada por exercer um direito.
E depois há o casamento «gay». Duas pessoas do mesmo sexo têm todo o direito de se amarem e de constituirem família. Com papel passado e com todos os direitos dos casais ditos normais. Normais por quê?
Numa sociedade mais aberta ao futuro e menos espartilhada pelos medos, complexos e preconceitos que nos foram inculcados pela Igreja Católica, estou em crer que o primeiro-ministro daria o passo seguinte: possibilidade da adopção de crianças por parte dos casais «gay», legalização da eutanásia, legalização das drogas leves, rescisão unilateral da Concordata com a Igreja Católica.
Aí sim, Portugal estaria ao nível dos países mais avançados do mundo e José Sócrates poderia finalmente dizer que os portugueses conseguiam acompanhar o seu ritmo progressista. [Read more…]

Transcrição de escutas Vara / Sócrates: faça-as você mesmo

escutasCirculam pela net versões das escutas de conversas entre Armando Vara e José Sócrates. Já falámos disso, e porque a criatividade e imaginação quando nascem são para todos propomos aos nossos leitores um desafio literário: escreva a sua transcrição.

Lançamos mais do que um desafio: um concurso. O melhor texto, apurado por critérios tipo adjudicação directa, dará ao seu autor um telemóvel abaixo do topo da gama mas fora das bases de dados da PJ: o indispensável para não ser escutado a menos que ligue para um Vara qualquer. Aí acaba o certificado de garantia.

Todos os diálogos forjados serão publicados, excepto os que violem as regras da casa.

Envie os seus textos através do nosso contacto. Cá os esperamos, avisando desde já que se aparecerem as verdadeiras transcrições não violamos o segredo de justiça – aqui no Aventar o sexo é sempre praticado por acordo entre as partes envolvidas. Data limite de entrega: 31 de Dezembro, vale o carimbo dos correios.

Ver as transcrições aqui

Está para breve a divulgação das escutas

Dizem-me que está para muito breve a divulgação das célebres escutas de José Sócrates e Armando Vara. Se calhar, digo eu, é esperar por um dos semanários de fim-de-semana.

Se for verdade o que me dizem, vai haver algumas surpresas. Vai cair o Carmo e a Trindade e, como é óbvio, vai cair José Sócrates.

Sendo que a Assembleia da República não pode ser dissolvida até Março de 2010, terá de ser nomeado um novo primeiro-ministro. Irá ser António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa, o Santana Lopes do PS?

Pouco viverá quem não viver para ver!

O Sôr Assis

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O REGRESSO ÀS CAMPANHAS NEGRAS CONTRA SÓCRATES II

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O sôr Assis, a quem já partiram os óculos, tendo sido um dos dois dirigentes do partido do governo a quem isso aconteceu (embora este nada tenha que o compare ao outro a não ser nessas circunstâncias, a de ter os óculos partidos e pertencerem ao mesmo partido), veio botar faladura. Mais uma vez sobre a campanha ignóbil que uns quantos fazem contra o nosso Dialogador. A exemplo das campanhas negras e pessoais de que Sócrates I se queixava, agora a campanha visa decapitar o governo de Sócrates II.

Ora o sôr Assis, entende que o facto de mandarem arquivar ou destruir ou seja lá o que for que vão fazer ou fizeram aos documentos que traduziam as escutas efectuadas ao telemóvel do sr Vara, e onde por mero acaso aparecia a voz do sr José Sócrates, na altura nosso Primeiro, com o cognome de O Arrogante, é a prova cabal de que nada se pode apontar de menos correcto ao comportamento do Primeiro Ministro. E adianta que quem quer saber o que os dois amigos disseram, é um bilhardeiro e quer cortar a cabeça ao governo.

Digo eu que, o facto de esconderem da opinião pública tais conversas pressupõe, isso sim, menos correcção ou até mesmo coisas más, ditas ou feitas pelos senhores envolvidos.

Se houvesse realmente liberdade, se o envolvido neste caso fosse outro que não o nosso Primeiro, Sócrates II, O Dialogador, será que as escutas teriam sido mandadas destruir?

A dúvida permanecerá para sempre, e mais uma vez, o sr Pinto de Sousa se vê envolvido em coisas pouco bonitas.

Onde há fumo, costuma haver fogo, e o cântaro, tantas vezes vai à fonte que, mais dia menos dia, acabará por partir.

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Portugal é mais corrupto do que a Itália – a propósito da polémica

 

Nos últimos dias, vai forte a polémica, dentro e fora do Aventar, acerca do último «post» que escrevi. Referia-me então ao arquivamento das escutas entre Armando Vara e José Sócrates, escutas essas que dois Magistrados da comarca do Baixo Vouga – um Juiz e um Procurador do Ministério Público – consideraram conter indícios de crime contra o Estado de Direito.

 Não fui eu que o disse, foram dois Magistrados independentes. Independentes porque não nomeados pelo poder político.

Não foi esse o entendimento do Procurador-Geral da República, um cargo que, como se sabe, não é, na prática, independente. Porque a sua nomeação, ao contrário dos outros Magistrados, depende do poder político: é nomeado pelo Presidente da República sob proposta do Governo. Da mesma forma, é também o Governo que pode propor ao Presidente da República a sua exoneração.

É por isso que, no que diz respeito ao conteúdo desse «post», não tiro uma vírgula – as instâncias superiores da Justiça protegem e defendem os titulares de cargos políticos e evitam que eles sejam chamados à barra do Tribunal.

Não faltam os exemplos. Sei que, como em todas as profissões, há os políticos sérios e os políticos desonestos. Mas então, como explicar que em todas as profissões haja desonestos que prestam contas à Justiça e na política não? É tudo gente séria…

Já quanto ao estilo, reconheço um certo exagero, fruto de ter escrito em cima do acontecimento. Que dizer? Olhem, que me inspirei num famoso «blogger» – que durante anos andou a chamar filho da puta a toda a gente e que, hoje em dia, é um garboso Deputado do Partido Socialista.

No meio de tudo isto, só tenho pena que a polémica tenha extravasado para a caixa de comentários de um outro «post», cujo objectivo era prestar uma sincera homenagem a Salgueiro Maia, o herói da Revolução de Abril e aquele que, se fosse vivo, estaria mutio desiludido com o estado a que isto chegou.

 

 

  

José Sócrates é um assassino

O autor do disparo à queima-roupa que vitimou, há dois anos, um militante do PSD, nunca foi descoberto. E José Sócrates acaba de confessar a Armando Vara, enquanto este está a ser escutado, que foi ele o autor do disparo.

O Magistrado que autorizou e ouviu as escutas, convencido de que um crime de homicídio é suficiente para que seja extraída uma certidão, envia o processo para o Procurador-Geral da República, que o endereça ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Este declara as escutas nulas, porque não foram por ele autorizadas, e ordena a sua destruição. O Procurador-Geral da República não recorre e manda cumprir a ordem.

José Sócrates, Pinto Monteiro, Noronha do Nascimento, Clara Ferreira Alves e Mário Soares pensam que se fez Justiça, sendo que, para este último, estamos em presença de um «problema comezinho». Afinal, a Justiça americana, que liberta assassinos em série porque a obtenção da prova não seguiu todos os preceitos (como vemos nas séries), é que tem razão. 

Tudo está bem quando acaba bem.

 

 

Agora só falta aqui é cimento

Ao minuto e 20 segundos desta apresentação do documentário Pare, Escute e Olhe, acendem-se umas luzes sobre o perigo que representa para José Sócrates ser escutado quando pensa que não o está a ser. Não sou adepto do jornalismo dos microfones unidireccionais, das teleobjectivas que se escondem na longa distância, e menos ainda das escutas telefónicas como meio sistemático de prova, mas há casos em que se justificam. Este primeiro-ministro é um deles.