«A sociedade alemã está em plena cisão e constata-se hoje que a vaga de solidariedade que entusiasmava a Alemanha no final de Agosto, princípio de Setembro, foi substituída por um novo nacionalismo.» [Kai Littmann, Eurojournalist]
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
«A sociedade alemã está em plena cisão e constata-se hoje que a vaga de solidariedade que entusiasmava a Alemanha no final de Agosto, princípio de Setembro, foi substituída por um novo nacionalismo.» [Kai Littmann, Eurojournalist]
Ainda nos lembramos da cimeira em Bruxelas. Angela Merkel e François Hollande comprometiam-se a fundo na tentativa de alcançar um acordo sobre a distribuição de 160 mil refugiados pelos 28 Estados-membros da União Europeia (de fora ficavam a Inglaterra, a Irlanda e a Dinamarca, desse modo isentadas da responsabilidade de solidariedade europeia, por razões que aliás permanecem de difícil compreensão). No fim da maratona negocial que durou uma noite inteira, os poderosos da política europeia pareciam satisfeitos: o acordo havia sido alcançado, apesar dos protestos da Hungria, da Eslováquia e da República Checa, que consideraram que o acolhimento aos refugiados ultrapassava as suas capacidades. Hoje, um mês depois desse anúncio, apenas 19 refugiados puderam ser enviados para um outro país. Dezanove. Em 160 mil. E esses 160 mil constituem apenas uma pequena parte dos refugiados que até ao final deste ano hão-de chegar à Europa. [Read more…]
Ontem, o Bundestag [o parlamento alemão] debateu a proposta de reforma da lei do asilo actualmente em vigor na Alemanha. A lei será sem dúvida votada favoravelmente pela chamada Grande Coligação, o que deverá acontecer em Novembro. Mas a reforma apresenta aspectos preocupantes e até mesmo anti-constitucionais.
São 94 páginas de novas medidas que o Governo alemão pretende fazer passar no Bundestag o mais depressa possível. O problema é que o pacote legislativo contém elementos que ferem os princípios da dignidade humana e até mesmo os direitos humanos universalmente consagrados. Se por um lado asseguram cuidados de saúde e formação em Língua e civilização alemãs para os refugiados, por outro suprimem direitos que a actual lei assegura: o existente pequeno subsídio de sobrevivência (uma média de 143 euros/pessoa/mês), que a proposta de lei pretende fazer substituir por uma «prestações em géneros». Assim fazendo, a nova lei, pelo reforço do papel assistencialista do Estado, vai dificultar a integração dos refugiados, manietando a sua autonomia e remetendo-os à indigência.
A reforma da referida lei favorece também a expulsão rápida dos refugiados cujos pedidos sejam indeferidos pelo sistema. A Amnistia Internacional e a ONG ProAsyl consideram que ela boicota o trabalho das organizações humanitárias e que favorece a criminalidade. [Eurojournalist]
comentava o eurodeputado Sven Giegold [alemão, Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia] por ocasião da passagem de Jean-Claude Juncker pela comissão de inquérito do Parlamento Europeu. Pois a acreditar no antigo chefe do governo e ministro das finanças do Luxemburgo [1989-2005], caiu do céu o sistema que permite que numerosas empresas multinacionais evitem ter de pagar impostos nos diferentes países europeus. Um dia, esse sistema estava lá e, uma vez que estava em vigor, os funcionários do fisco não tiveram escolha: foram mesmo obrigados a aplicá-lo, a esse sistema que funcionava formidavelmente bem. O que explica que a Apple, a Amazon, a Coca-Cola, a Ikea e várias outras multinacionais tenham escolhido o Grão-Ducado para ali instalar as suas sedes, criando empregos e contribuindo para a prosperidade do Luxemburgo. [Read more…]
8 de Outubro: é a data da próxima reunião do Conselho Europeu dos ministros do Interior para debater as quotas de acolhimento de refugiados em cada país – determinadas em função do número de habitantes, performance económica, taxa de desemprego e número de pedidos de asilo em pendência. Será que não sabem que os refugiados já chegaram? Que há 15 mil bloqueados na Áustria? Que é preciso o quanto antes repartir entre todos os perto de 120 mil refugiados que estão neste momento em Itália, na Grécia e na Hungria? O Plano Juncker, sustentado numa alínea do Tratado de Lisboa, fracassou. Por sabotagem de vários países do Leste, apoiados por exemplo pela Eslováquia, que leva o racismo ao ponto de excluir refugiados que não sejam cristãos.
Perante isto (e sem esquecer o verdadeiro rosto do poder na Hungria, que esta crise destapou), a existência da União Europeia deixou de fazer qualquer sentido, remata o jornalista alemão Kai Littmann. [Eurojournalist]
– eis como chamam os partidos políticos alemães à entrada maciça de refugiados, sírios e outros (estima-se que sejam mais de 800 000, os que entraram na Alemanha apenas em 2015), que procuram uma oportunidade de vida na Europa. É um jornalista alemão que o escreve, explicando o consenso que há entre os partidos alemães relativamente à tragédia humanitária que tem aportado nos territórios europeus.

«Raramente os responsáveis políticos estiveram assim de acordo. Seja a extrema-direita, a direita, os social-democratas, os verdes ou o Die Linke, toda a gente usa a mesma palavra para designar o afluxo de refugiados – «grande invasão», «Völkerwanderung», em Alemão. (…) A expressão estimulará uma vez mais o ódio e a violência dos que não compreendem que os fluxos migratórios não emanam de Deus, antes são o resultado de más políticas, levadas a cabo durante séculos.»
Segundo a mesma fonte, «a única que ainda não usou a expressão é Angela Merkel. (…) Fiel aos seus hábitos, prefere esperar para ver como se comporta a «vox populi» antes de tomar uma decisão. Uma estratégia de uma ineficácia política absoluta, mas que a faz ganhar eleições. (…)» [Read more…]

A Constituição alemã é clara: os deputados eleitos devem votar segundo a sua consciência e jamais coagidos pela chamada “disciplina parlamentar” – prática que serve não os cidadãos que aqueles representam mas a estratégia partidária que pode ajudá-los a manter-se no poder.
Foram 60 os deputados da CDU que, em meados de Julho passado, votaram contra a política do governo alemão relativamente à Grécia. O que em nada afectou o resultado final, pois a “grande coligação” CDU/SPD [o equivalente ao português “bloco central”] dispõe no parlamento alemão de uma maioria esmagadora. Nesse contexto, o anúncio da punição dos 60 conservadores rebeldes da CDU pode surpreender.
Sucede que foi já declarado – pelo líder da bancada parlamentar da CDU no Bundestag, Volker Kauder – o primado do “espírito corporativista” (“korpgeist”), e que os deputados que votaram contra os empréstimos à Grécia (em favor da sua saída do euro) vão ser afastados das comissões parlamentares mais relevantes do ponto de vista do partido: as que se ocupam dos assuntos orçamentais e europeus, onde importa manter a maioria, e salvaguardar os interesses da posição do referido grupo parlamentar – e da espécie de bloco central que integra.
Esta semana, um novo pacote relativo à Grécia deverá ser objecto de votação no Bundestag. Se é certo que a “grande coligação” há-de passá-lo, certa é também a manutenção da posição dos rebeldes. O que lhes acontecerá, então? Serão realmente punidos? Está a Alemanha a abandonar de vez os procedimentos democráticos?
E a democracia representativa, o que se passa para que tenha cedido o lugar à democracia tecnocrata, em que apenas a vontade dos partidos conta? Um fenómeno que não é unicamente alemão, aliás, e que tende a afastar ainda mais a política dos cidadãos.
O facto de os deputados rebeldes da CDU serem os mais conservadores não invalida que Kauder esteja a levar por diante um verdadeiro ataque ao sistema democrático – pois por mais fragilidades que tenha, não deveria ser aceitável esse tipo de punição sobre quem vota de acordo com a sua consciência.
[Eurojournalist – publicação bilingue Alemão/Francês]

Wolfgang Schäuble é na política o que o Bayer Leverkusen é no futebol:
o eterno número 2, que nunca chega ao título
Foto: Claude Truong-Ngoc
É o dele, ainda mais do que o da Chancelerina Merkel, o rosto da política austeritária alemã. Mas quem é ele? Sabemos que é o ministro das Finanças da Alemanha. Sabemos que se encontra entre os «falcões» da política alemã. Sabemos que se desloca numa cadeira de rodas. Sabemos também que é jurista, pai de família e deputado pelo Ortenau, a região que faz fronteira com a cidade francesa de Estraburgo. Quanto ao resto, sabemos pouco sobre este homem que, desde há várias décadas, anseia pelo poder na Alemanha, sem jamais tê-lo verdadeiramente conquistado. Razão para nos perguntarmos se a intransigência da sua política na cena europeia não constituirá uma espécie de «vingança» por um destino pessoal com razões de sobra para amargurar um homem. [Eurojournalist(e)]
Nascido em 1942 em Friburgo, Wolfgang Schäuble chegou cedo à política. Seguramente inspirado pelo seu pai, Karl Schäuble, deputado da CDU no parlamento regional de Baden (1947–1952, até à sua fusão com Wurttemberg), Wolfgang abraça a política a partir de 1961 e torna-se membro da «Junge Union», organização de jovens conservadores. Numa época marcada pela revolta da juventude contra a geração da guerra, Wolfgang Schäuble posiciona-se nos antípodas da «geração de 68» – os valores que defende são conservadores. [Read more…]

© Bundesarchiv via Wikimedia Commons
[Nos anos 1980, o alemão Kai Littmann passou um ano na ilha grega de Creta, numa aldeia recôndita onde não havia electricidade. Um dia, um velhote grego mostrou-lhe um cemitério onde haviam sido enterrados 150 resistentes gregos, fuzilados pelos nazis durante a Segunda Grande Guerra, e explicou-lhe alguns factos da História. As gerações alemãs (mas nem só) nascidas depois da Grande Guerra ignoram muita coisa que aconteceu, incluíndo os crimes de guerra perpetrados pelos nazis na Grécia, que não figuram nos manuais escolares de História. Não admira por isso que ninguém perceba muito bem do que falam os gregos quando agora, pela mão do Governo recentemente eleito, reclamam o pagamento de uma dívida que os alemães têm para com eles. Uma dívida que, ao contrário do que tem sido sugerido pelos media que chegam a Portugal, não corresponde a reparações de guerra. S.A.]
Para perceber de que dívida se trata (essa mesma cuja urgente liquidação o actual Governo grego reclama) é preciso saber que em 1942 os nazis obrigaram o Banco da Grécia a acordar-lhes um “crédito” de valor equivalente a 476 milhões de marcos da época, o que hoje, acrescido de juros de mora, soma algo que pode ascender aos 70 mil milhões de euros. Uma dívida que a Alemanha afirma ter honrado em 1960, quando transferiu para os cofres do Tesouro grego a quantia de 115 milhões de marcos. Sucede que esse valor foi na verdade pago a título de indemnizações às vítimas do nazismo na Grécia, que foram muitas, e não tem nenhuma relação com a dívida de que aqui é questão. [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Descobri na passada terça-feira que este vídeo deveria ter saído no dia 22 de Setembro de 2024, às 23h30. Pronto, ei-lo.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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