“A Madeira não pode ficar prisioneira de um homem só”

A frase é de Alberto João Jardim, o homem que governou o arquipélago durante 47 anos, por muitos apelidado de Fidel Castro da Madeira. Rivaliza, no capítulo do humor, com a prestação do errático Miguel Albuquerque, capaz de dizer tudo e o seu contrário, agarrado ao poder como uma lapa. E lapas, na Madeira, só as grelhadas e regadas com sumo de limão.

Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu

Dois vídeos carregados de mediocridade, com especial destaque para o pretendente a estadista, Pedro Passos Coelho.

No primeiro vídeo, Coelho é muito rápido a criticar António Costa, talvez um dos demissionários mais felizes da história, depois de ter conseguido meter água em muita areia, ao ponto de ficar metido num lodaçal de todo o tamanho. No mesmo vídeo, surgem outros dois artistas pimba: José Sócrates defende Costa (como se Costa já não tivesse, por culpa própria, problemas suficientes) e André Ventura secunda Passos Coelho.

No segundo vídeo, o mesmo Passos Coelho recusa-se a comentar o caso de Miguel Albuquerque. O vídeo não está completo – na realidade, Coelho escuda-se no facto de ter sido primeiro-ministro e presidente do PSD, não querendo, por isso, intervir, adoptando uma pose conciliatória.

Tudo gente sem vergonha na cara. Tudo gente que confirma o velho ditado de que somos capazes de ver o argueiro no olho do vizinho, ignorando a tranca que trazemos no próprio olho. A democracia portuguesa tem as virtudes próprias no único regime legítimo; os defeitos que tem são todos destes figurões que vão governando em simpática alternância, sendo a rivalidade uma aparência consubstanciada em frases medíocres e resultante da disputa de alguns tachos, mais distribuídos do que disputados. [Read more…]

Nadinha a ver

Foto: Homem Gouveia/Lusa

Obviamente que o que se passou ontem na Madeira não se compara ao que se passou com o Costa.
Desde logo, na “operação influencer” as buscas foram feitas numa 3ª feira. Ontem foi 3ª feira? Foi? Não, claro que não. Ontem foi 4ª feira, caramba.
Só os muito mal intencionados podem dizer que há semelhanças.

“Rais parta” o País em que os seus governantes, pior que acharem que estão acima da lei, se acham acima da coerência, da congruência e da lógica. Mais, estão convencidos (e as eleições dão-lhes razão) que o poder lhes concede o direito divino a criar as suas próprias realidades alternativas que os outros têm obrigatoriamente de “comer”.

Montenegro em bicos de pés

Autor Convidado: Rui Naldinho

Ao contrário da maioria dos seus antecessores, Luís Montenegro deslocou-se no pretérito domingo à Madeira, para festejar a hipotética maioria absoluta do PSD/CDS naquele arquipélago, numa clara tentativa de dar uma leitura nacional a uma eleição regional, cuja especificidade, está mais próxima das autárquicas do que de qualquer outra eleição de âmbito mais abrangente.

Ao contrário das expectativas criadas pelas empresas de sondagem, não acertam uma, Luís Montenegro também parece que não, o PSD local perdeu a maioria absoluta, tendo agora que negociar com o PAN ou com a IL. Mas Montenegro cavalgou um garrano em vez de um cavalo lusitano, com esta ida à Madeira. [Read more…]

Luís «porque não precisamos» Montenegro

Luís Montenegro teve um momento de festejo precoce, indo colar-se ridiculamente à perda da maioria absoluta de uma aliança entre PSD e CDS na Madeira, tentando reclamar para si um golo que Miguel Albuquerque quase falhou.

Acontece, mesmo aos mais experientes: uma pessoa entusiasma-se, o ambiente aquece, a excitação descontrola-se e o clímax surge sem se contar. Que atire a primeira pedra aquele que nunca se descontrolou.

Entre as declarações de Luís Montenegro, no entanto, avulta a frase: «Não iremos fazer alianças com o Chega, porque não precisamos.»

Montenegro é um marxista da facção Groucho e poderia dizer «Estes são os meus princípios. Se não gostar deles… tenho outros.» Não será por uma questão de princípios que Montenegro não se aliará ao Chega – quando precisar, isso acontecerá, mesmo que tenha de recorrer a falsas equivalências. O que esperar do autor da frase «A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor.»?

Montenegro não acerta uma

Luís Montenegro precisava desesperadamente de uma vitória.

Por isso, decidiu quebrar com décadas de protocolo implícito e ir à Madeira na noite eleitoral, para aparecer ao lado de um vencedor anunciado.

Azar do líder do PSD, escolheu a eleição em que o partido, coligado com o CDS, falhou o objectivo de revalidar a maioria absoluta, abrindo caminho a uma crise que resultou exclusivamente de uma promessa arrogante de Miguel Albuquerque, que garantiu que se demitiria, caso tal cenário se verificasse. [Read more…]

Quanto é que é mesmo a dívida da Madeira?

AJJ.jpg

Fotografia via Dinheiro Vivo

E o que é que isso interessa? Para quem em 10 anos “emprestou” 17 mil milhões de euros a bancos geridos por piratas e incompetentes, sabendo que nunca os irá receber de volta, manter o buraco madeirense não dói nada. E Alberto João Jardim sempre fez umas autoestradas e umas praças catitas, já os piratas e os incompetentes comeram tudo e não deixaram nada. Merece ou não merece a mais alta condecoração madeirense?

Assalto ao (nome do) aeroporto

Claro que, quanto ao caricato disparate do aeroporto da Madeira, poderíamos desejar que Cristiano Ronaldo recusasse a honra. Porém, apesar de um génio da bola e um sobredotado em vários aspectos, no fundo é ainda um garoto imaturo e deslumbrado demais para perceber a armadilha que lhe ficará amarrada aos pés. Quanto ao presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, seria esperar demais vê-lo abdicar do seu rasteiro oportunismo e populismo barato e perceber que um jovem ainda tem muito tempo – e direito – para desgostar – por razões respeitavelmente humanas – quem o homenageia com um cheque de confiança absoluta no futuro. Não é por acaso que gente bem mais sábia que Albuquerque espera pela maturidade ou morte do homenageando para o honrar na toponímia. É porque, na velha tradição positivista, estes homenageados se constituem em referências cívicas e culturais que podem servir de exemplo aos vindouros. Homenagear deste modo após a morte não é sinal de morbidez, mas de sabedoria. Claro que o governante madeirense já refutou esta ideia, debitando as tolices apropriadas ao tema naquele tom modernaço e négigé tão grato aos neo-reaccionários.
Suponho que quem faz o favor de me ler está, neste momento, a pensar em vultos madeirenses de indiscutível grandeza, como Herberto Helder, ou em grandes figuras ligadas à aviação e ciência como Gago Coutinho. Qualquer deles seria mais adequado. Mas duvido que o primeiro desejasse tal honra e o segundo a quisesse vinda de quem vem e, de resto, já tem o seu nome espalhado por toponímia dos quatro cantos do mundo.
Finalmente, já o escrevi aqui, não me parece que os que dão o nome a aeroportos venham a ter uma memória alegre. É que não há boas notícias relacionadas com esses lugares. Só más. E, se tudo corre bem, notícia nenhuma.

Bilhete do Canadá – Que pena, Madeira!


Há dias houve o comício anual do PSD-Madeira, no Chão da Lagoa, durante o qual, por muitos anos, Alberto João Jardim abria a torneira dos disparates e das ameaças para dali a pouco tempo, quando precisava de dinheiro do “Contenente”, dizer o contrário diante daqueles que tinha insultado. Sem vergonha nenhuma.

Este ano, Passos Coelho esteve presente. Em mangas de camisa, com aquele ar amarrotado e desfeito que resolveu arvorar depois de ter deixado o governo e as suas mordomias. Disse as alarvidades a que nos vem habituando e que, vistas as sondagens, não o beneficiam. Nem ao partido que diz servir.  Pois, desta vez, Miguel Albuquerque, o actual presidente do Governo Regional, saiu-se a dizer que “Passos Coelho salvou Portugal da bancarrota” e por ali fora, visivelmente ansioso de ver regressar a São Bento o Soba de Massamá.
[Read more…]

Depois do afastamento pré-eleitoral

Miguel Albuquerque expõe toda a sua admiração e vassalagem a Alberto João Jardim. Na Madeira, o regime será sempre o regime.

Beijar o anel ao padrinho

Miguel Albuquerque: “Passos Coelho tem todas as condições para ganhar as eleições“.

Sobre os resultados das eleições regionais da Madeira

Miguel e João

Foto@Público

A vitória do PSD era dado adquirido antes do acto eleitoral. Miguel Albuquerque consegue a maioria absoluta mas perde cerca de 15 mil votos face a 2011, o pior resultado de sempre do PSD. Da mesma forma, CDS-PP e PS viram os seus resultados caírem face à eleição anterior. PCP e BE reforçam timidamente a sua votação, não tanto quanto a abstenção que avança quase 8%. Já o movimento de cidadãos Juntos Pelo Povo, pela primeira vez na corrida, consegue 10,43% do total de votos e um honroso quarto lugar. Perante tudo isto, e apesar do regime continuar a controlar o regime, fico com a sensação que a democracia sai reforçada.

Argoladas fascistas do regime jardinista

Jardim

O rei-palhaço do Carnaval da Madeira continua a governar o arquipélago no registo autoritário e patético que lhe é conhecido e amplamente tolerado pelos moços que se vão alternando no poder em Lisboa. Um misto de humor e fascismo.

Ontem foi dia de reunião do conselho regional do PSD-Madeira. A oposição interna liderada por Miguel Albuquerque apresentou um requerimento no sentido de antecipar, de Dezembro para Junho, as directas internas da estrutura madeirense mas o projecto não teve pernas para andar no interior de um órgão completamente dominado e escolhido a dedo por João Jardim. E se duvidas restassem nas cabeças dos conselheiros madeirenses, o Putin do Funchal ameaçou recandidatar-se caso o requerimento fosse aprovado. “Se o congresso fosse antecipado, eu teria de entrar em campo outra vez.” declarou o czar das bananas que, antes desta manobra intimidatória já teria, segundo a edição de hoje d’O Público, pressionado o conselho jurisdicional e o secretariado para que rejeitassem o requerimento de Albuquerque e acenado com expulsões do partido a todos aqueles que discordassem das orientações aprovadas pela comissão regional relativamente às internas e ao próximo congresso. Escusado será dizer que o conselho reagiu e deliberou em linha com a vontade do querido líder.

[Read more…]