As manifestações Vasconcelos, uma tradição anal portuguesa

Defenestração de MigueldeVasconcelos

Não entendo algum espanto pela realização de uma manif designada por “Obrigado Troika promovida pela Senhora Dona Rita Ferreira de Vasconcelos. Trata-se de uma tradição nacional, a nossa aristocracia, mais tarde a burguesia, nunca se sentiu muito bem na pele portuguesa e adora ser protectorada, sobretudo se for por trás e sem vaselinas.

Remonta a 1128, quando tivemos o movimento “Obrigado, Teresa, amamos-te Galiza” que mais tarde deu origem ao “Amamos-te Afonso VII, és um Leão“, durando este até 1143.

Em 1383-85 foram frequentes os desfiles sob o lema “Gracias Castilla, Gracias Juan“, onde pontificava Pedro Álvares Pereira.

A partir daqui ocorreram com  frequência manifestações mais matrimoniais, que culminaram em 1580 com o vitorioso “Gracias, Filipe“, vitorioso até 1640, quando Miguel de Vasconcelos, grande patrono destes movimentos cívicos, enfrentou a lei da gravidade. [Read more…]

A direita, a traição e as putas

Em 1383 o grosso da nobreza, principalmente a detentora do morgadio, tomou o partido de João de Castela. Em 1580 repetiu-se o filme, desta vez apoiando o rei Filipe. Em 1640 saem a correr 40 aristocratas, em desespero, porque a populaça andava a fazer alterações nas ruas, não apenas contra o rei Filipe III mas já contra todo o poder que a empurrava para a absoluta miséria.

Ainda podia acrescentar uns episódios oitocentistas. É sempre assim, a nossa direita anda sempre com a pátria na boca mas trai por tradição Portugal quando chega a hora da verdade.

Recordo isto na semana em que dois pré-ocupantes alemães começaram a verbalizar o que se vai seguir: humilhação internacional de Portugal através da sua máquina de propaganda, até ao estádio grego actual e o que se vai seguir.

O silêncio da nossa direita (nem toda, é verdade, mas da maioria) tem o ensurdecedor rufar da História. Sempre as putas do costume.

Patriotismo e guerra colonial

As recentes, e, na minha opinião, infelizes, declarações de Cavaco Silva sobre a generosidade com que muitos jovens portugueses foram obrigados a participar na Guerra Colonial e as reacções a essas mesmas declarações levam-me a pensar, mais uma vez, sobre o que é ser patriota.

Ao dar como exemplo de generosidade e dedicação à pátria os homens que participaram na Guerra Colonial, Cavaco terá proferido essas palavras, entre outras razões mal disfarçadas, para agradar a antigos combatentes. Resta saber quantos antigos combatentes se terão sentidos elogiados e quantos terá ofendido. É que falar com antigos combatentes não é, necessariamente, falar com pessoas que defendem a guerra colonial.

Por esse país fora, ao longo do ano, há homens que se reúnem aproximados pelos tempos que passaram em África, na guerra. Os antigos combatentes são homens todos diferentes uns dos outros, unidos sobretudo pelo sofrimento e pela camaradagem que o sofrimento tem o condão de originar. Não sei se nessas reuniões se defende, maioritariamente, as virtudes da guerra em que participaram, mas não é isso que está aqui em causa. [Read more…]

mi 18 de septiembre es el 25 de abril

mi fiesta de la independência es el 25 de Anril

Estoy cierto que todos saben que el 18 de septiembre de 1810, la colonia de la corona de España, llamada Chile, auto proclamaba su Independencia de los Reyes Borbón. Napoleón había entrado en todos los países de Europa, derrocando reyes y príncipes y colocando en los sitios de las jerarquías de poder, a miembros de su familia.

En el caso del Estado español, la suerte la había cabido a su hermano más joven, José Bonaparte. Chile estaba descontento de ser colonia de un Estado extranjero, pero iban soportando esa permanente invasión, por haber ganado el título del Reyno de Chile – no es falta mía, en esos tiempos reino se escribía así.

El representante de la corona española era Don Mateo de Toro y Zambrano proclamado Conde de la Conquista por el Rey de España, un distante pariente nuestro, muy muerto ya en éstos 200 años de libertad, con sus caídas a veces dentro de dictaduras, hasta afianzarse como República estable en 1999 del Siglo XX. Don Mateo no reconocía al rey invasor, llamó a una reunión de los notables de  de la Capitanía General del Reyno de Chile, de entre ellos los más importantes, la familia Larraín, vascos que habían llegado a la colonia cuando el gobierno estaba estable en el Siglo XVIII. Como todos los apellidos con dos r! Iban a hacer sus negocios, se apoderaban de los nativos, los Mapuche de Chile y sus clanes diseminados por todo el territorio, los esclavizaban, tomaban sus tierras como si fueran de ellos, de los vascos, y pasaban a comprar los títulos aristocráticos de Condes y Mayorazgos. [Read more…]

O tanque

O Tanque

(Mais um conto – verdadeiro –da Guiné)

O alferes Almeida foi meu companheiro de quarto em Bigene, no norte da Guiné, se é que podemos chamar quarto ao alpendre onde dormíamos. Cerca de oito anos mais novo do que eu, o Almeidinha fez-se meu amigo de verdade. Amigo desde o acampamento da Fonte da Telha, do quartel de Porto Brandão e da Amadora.

Embarcámos para a Guiné no velho Uíge, empurrados pelo magnífico patriotismo de Salazar, entalados entre o belo gesto das senhoras do movimento nacional feminino e o malabarístico safanço dos filhos dos ricos e patriotas da situação. Embalados pelas ondas do mar da Mauritânia, e sossegados pelas ricas ementas flamejantes do cozinheiro de bordo, demos à costa da Guiné no dia 13 de Maio de 1966.

O Almeida e eu pertencíamos à mesma companhia. Eu como médico e ele como atirador, comandante de pelotão. Nos primeiros tempos da nossa comissão na guerra da Guiné estivemos separados. Eu fui destacado para Canquelifá, perto da fronteira da Guiné-Conakry. Ele esteve de intervenção durante algum tempo. Quando a companhia se fixou em Bigene, já eu lá me encontrava. [Read more…]