Enquanto a Europa definha, os dividendos aumentam

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© Jacques Demarthon

Uma parte importante dos recursos públicos destinados aos cuidados em saúde, à educação, à criação e fruição cultural, enfim, ao desenvolvimento numa perspectiva larga e de longo termo, foram já subtraídos aos orçamentos dos Estados como consequência de decisões políticas que privilegiam outras prioridades – mesmo se anunciadas em nome de pacotes reformistas ou do «rigor orçamental». É certo que as Constituições ainda asseguram, mesmo se nessa letra pequena de lei que a actual classe de governantes tem relutância em ler, os princípios democráticos que servem uma ideia de sociedade em que a desigualdade extrema não cabe – mas também que as leis fundamentais perderam relevância no quadro das actuais políticas dos Governos, ligados entre si pelos contextos obscuros de uma economia global cujos primeiros grandes embates justamente sofremos por estes dias.

A desigualdade atinge em 2014 níveis jamais sonhados pelas gerações nascidas na Europa e na América depois das guerras do século XX. Por todas estas razões, é sempre bom ir tendo notícias do paradeiro da riqueza que ainda ontem servia a vida de muitos mais, designadamente sob a forma de direitos adquiridos por contrato social, mais do que hoje empenhado na qualidade da vida e na mobilidade social dos cidadãos. Em França, um índice recentemente publicado por uma empresa de gestão de activos chamada Henderson Global Investors (HGI) acaba de revelar o aumento exponencial dos dividendos pagos pelas grandes empresas aos seus accionistas. Incidindo no segundo trimestre do ano, o referido índice dos melhores retornos mundiais em dividendos emergiu no espaço mediático francês no exacto momento em que as ajudas públicas às empresas privadas (em nome da retoma económica e da criação de emprego) atingiram um patamar de investimento jamais conhecido.

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Exportar os anéis, a seguir vão os dedos

Desmontagem do mito do aumento da exportações: miséria e destruição da produção portuguesa.

toca a investir na exportação

A produtividade dos feriados e a indústria portuguesa

Francisco Beirão Belo queixa-se, sobre os feriados:

Um feriado numa terça, quarta ou quinta, que implica a paragem de uma fábrica, significa que essa mesma fabrica tem que reiniciar as maquinas e reiniciar produções duas vezes na mesma semana. Em muitos casos, esse arranque de maquinaria é quase equivalente a um turno de produção.

Eu, que não percebo nada da indústria portuguesa, fiquei a saber que, em muitos casos, as nossas fábricas ocupam a segunda-feira a arrancar a maquinaria, ocupando nisso quase um turno de produção.

Assim não vamos lá.

Afinal I Don’t Like Mondays era um um hino empresarial português. Ainda assim as minhas desculpas, há pouco pop pior do que o dos Boomtown Rats.

Feriados, vamos lá acabar com o de Abril e o de Maio

A questão dos feriados tem sido uma batalha recorrente da direita patronal com um objectivo claro, baixar os salários, e outro oculto: tirar o 25 de Abril e o 1º de Maio do calendário. Acresce a ideologia do trabalho é que induca, com ou sem vinho que instrói, a velha glorificação típica das ditaduras. Libertem-se, dizem eles.

Como é de aritmética elementar, e sendo o salário contabilizado ao ano, retirar um feriado é muito simplesmente baixar os custos do trabalho, fazendo por isso parte da cartilha dos fundamentalistas dos salários que o ex-economista Álvaro Santos Pereira tanto criticava. Trabalhas mais e recebes o mesmo é igual a receberes menos. Sim o trabalho é uma mercadoria, não é um favor, e muito menos um dever patriótico.

Já aventei sobre o assunto, a mentira de que temos mais feriados do que os outros (sobre isto ler também este artigo e os seus comentários) ou a treta de considerar as pontes como algo mais que férias repartidas.

Neste momento o governo, e nisto Passos Coelho cumpre o que prometeu, prepara-se para tentar cortar com quatro feriados e terminar com as tolerâncias de ponto, assunto que aquando da primeira estadia da troika entre nós deu origem ao episódio caricato de António Simões, patrão dos patrões, insurgindo-se contra uma tolerância oferecida aos funcionários públicos, quando fez o mesmo na sua empresa. E pego na sua argumentação atrapalhada: [Read more…]

Factores de reprodução social em sistemas rurais: trabalho, produção e pecado em aldeias camponesas

https://i0.wp.com/bp3.blogger.com/_v5D4iHsJtk0/R7Y7vrEJJRI/AAAAAAAAAzE/9aosKNUD57U/s400/DSC06415.JPG?resize=280%2C206         Embora num sistema rural se possa definir pela cultura que nele surge como dominante, seja porque proporciona o sustento ou o dinheiro, seja porque ocupa a maior parte do tempo de trabalho, e por fim, da criação da sociedade e cultura, com ele coexistem outras actividades produtivas que o complementam. No caso das aldeias, que tenho estudado no Chile e em Portugal, produtoras de uvas e de vinho, ou nas aldeias produtoras de leite que estudei na Galiza, o milho, as batatas, as azeitonas, as hortaliças, os animais, as matas, compõem o contexto mais amplo dentro do qual se desenvolve o trabalho principal. A produção de  tecnologia e a renovação dos instrumentos são também parte do processo de trabalho. [Read more…]

560, Made in Portugal


Não se trata apenas de bacoco patriotismo, mas sim, de sobrevivência. Uma ida ao supermercado, leva-nos direitos aos “produtos em promoção especial” e sem hesitar vamos colocando no cesto, tudo aquilo que de fora vem. O argumento é sempre o mesmo e reporta-se ao …”é mais barato”. Pois é. Mas até quando?

Como poderá a nossa incipiente indústria sobreviver, se continuarmos a dar preferência ao que além-fronteira chega? Conservas, massas, arroz, batatas, cebolas, alhos – invariavelmente chochos ou secos -, cogumelos, salsichas e enchidos, fiambre, café – muito mauzinho, por sinal -, chá, leite, vinho para cozinha, bolachas e até, pasme-se, verduras! Uma invasão sem fim ou controlo.

A falácia da “unificação de mercados”, impõe a aceitação apenas num sentido, erguendo os outros alegadamente mais poderosos, barreiras que se não estão firmadas em papel de Lei, existem pela prática de todos os abusos. regras atrás de regras, vida infernal feita à nossa camionagem, desdém das distribuidoras, etc.

Uma vista de olhos no código de barras, pode ajudar e muito, no mitigar desta situação escandalosa a que a incúria do regime nos obriga. Comprem o produto que no código de barras apresenta os seguintes primeiros três números: o 560 quer dizer Made in Portugal.

Em boa verdade, esta opção torna-se num sacrifício, mas este será mitigado por compras mais criteriosas e propiciadoras de uma melhor gestão do nosso dinheiro. Não se trata de qualquer boicote, mas de razão. De outra forma não vamos a sítio algum e bem podemos garantir a nossa completa ruína.

Trocar apoios sociais por salários

Se uma empresa tem condições para continuar a laborar, ou se após investimentos tem condições de estar no mercado, porque não a Segurança Social apoiar nessas vertentes em vez de pagar a desempregados?

Só tem vantagens. Desde logo porque não fica mais caro ao Estado, depois porque permite que a empresa se adapte e se torne competitiva, e não de menos importância tira às pessoas essa sensação de inutilidade de quem está desempregado.

Claro que isto tinha que ser com conta, pois não se pode de maneira nenhuma estar a conceder apoios a empresas que sempre viveram a pagarem salários de miséria e o mesmo para as que não têm mercado ou foram ultrapassadas por novos produtos e estão absoletas.

A flexisegurança ( permitir que os empregados transitem entre a empresa e a Segurança Social) que é uma medida que vai na esteira da que estamos a tratar, embora não sendo a mesma, tem contribuído bastante para que os Estados do norte da Europa se defendam bem desta crise que está longe de acabar e que vai gerar ainda mais desemprego.

As vantagens são evidentes em termos de produção e sociais ! E com o desemprego acima dos 10% vamos ter violência e problemas sociais se nada se fizer para tirar as pessoas das tabernas e dos bancos dos jardins.

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