Contas à moda do Porto

A câmara paga, o presidente cala, La Féria assobia para o ar.

Hoje dá na net: Os 39 degraus

Filme realizado por Alfred Hitchcock, em 1935, com Robert Donat, Madeleine Carroll, Lucie Mannheim, Peggy Ashcroft and John Laurie. O argumento baseou-se num romance de John Buchan: um homem é injustamente acusado de homicídio e é obrigado a fugir para provar a sua inocência. Um dos primeiros filmes do mestre do suspense, filmado ainda em Inglaterra. Sem legendas. Para além do interesse cinéfilo, é especialmente aconselhado a todos os que queiram deslocar-se ao Pequeno Auditório do Teatro Rivoli, no Porto: até 24 de Março, está em cena uma comédia baseada no filme.

Touradas

Recentemente a Câmara Municipal de Viana do Castelo decidiu proibir a realização de touradas na cidade. Não me interessa  tanto a medida em si, que terá certamente muitos defensores e outros tantos detractores, mas sim uma pergunta em concreto que a decisão suscitou a um jornalista. Neste caso, foi um pivot da SIC Notícias, cujo nome infelizmente não recordo. Perguntava este ao presidente Defensor Moura se estava certo de que a medida correspondia à vontade da maioria da população. Visivelmente pouco habituado, como de resto a maioria dos autarcas, a ser confrontado com esta questão, o presidente esquivou-se e foi necessário repetir a pergunta. E então respondeu que não precisava de saber isso, só precisava de saber que Portugal havia subscrito uma declaração de defesa dos direitos dos animais.

No que me diz respeito, gostaria que se acabasse de vez com as touradas, não tanto por proibição mas porque fosse crescendo uma sensibilidade que visse com repulsa os maus tratos infligidos aos animais. Mas pergunto-me porque razão tão poucas vezes se pergunta a um autarca se está certo de que qualquer uma das medidas que pretende implementar corresponde à vontade da maioria dos seus munícipes.

Responder-me-ao que não precisa de estar, foi eleito pela maioria para decidir e a contínua consulta aos cidadão atrasaria a tomada de decisões e tornaria a governação impossível. Mas não posso deixar de pensar que, pelo menos ao nível do poder autárquico, poderia e deveria ser de outro modo.

Queria a maioria dos portuenses que o teatro Rivoli fosse entregue às soporíferas encenações do sr. La Féria? Queria a maioria dos portuenses que a Avenida dos Aliados fosse despojada sem piedade de qualquer vestígio de árvores de sombra, flores, relva, bancos de jardim, para que em seu lugar se estendesse o cimento e se colocassem umas pobres árvores depenadas, que mais pareciam sobreviventes de um holocausto?

E, da mesma forma, podemos perguntar se era a vontade da maioria dos portuenses que se teve em conta quando se pensou entregar a privados a gestão do mercado do Bolhão, do pavilhão Rosa Mota, da praça de Lisboa, do mercado Ferreira Borges?…

Desculpar-me-ao se me centro exclusivamente na cidade do Porto, mas creio que não deverá ser difícil enumerar, em muitas outras cidades deste país, situações semelhantes. Afinal, com maior ou menor mestria, vamos todos sendo toureados.