O optimismo e a confiança foram dar uma volta

Volta e meia, lá me vêm com a lenga-lenga do optimismo e da confiança. É os senhores do governo, é os senhores da europa, é os
senhores do BM e FMI. Que não se pode ser pessimista. Que os pessimistas só criticam e não fazem nada. Só percebem de “bota-a-
baixismo”. Pedem-me optimismo? Pedem-me confiança? Mas então acham que eu sou um idiota. Pior, eu acho que estas pessoazinhas meias lunáticas, que estão aos comandos das grandes instituições, vivem numa realidade estranha e alternativa. Porque na “minha realidade”, eu consigo ver a confiança a desvanecer-se dentro do frigorífico. Lá dentro existem coisas que eu nem sequer compreendo. Na segunda prateleira está ketchup que contém estabilizadores, sorbato de potássio e benzoato de sódio. Como?!? Estou a comer, ou a fazer experiências em laboratório? O meu iogurte (além de um pouco de leite) contém E440, E415, E150a e E202 entre outras coisas estranhas. Passei 3 horas a ver o que são aqueles “E’s” todos. E alguns deles são garantia de causarem pessimismo e desconfiança… O que andamos a comer parece saído do Soylent Green. Só espero que continue no campo da ficção, mas como já vi ovos falsificados… eu desconfio sempre. E eu já nem falo na desconfiança perante toda a tecnologia que nos rodeia e que já ultrapassou largamente a nossa percepção comum. Essa parte dava para escrever um livro!
Agora também anda aí a pandemia dos porcos. Perdão. A União Europeia veio pedir que se diga Gripe Nova para não prejudicar os produtores de suínos e os respectivos negócios. Curiosamente, a gripe aparece no México, esse portento mundial de produção de porcos que, por acaso, praticamente anda em guerra com os Estados “Salvadores do Mundo” Unidos por causa do narcotráfico. Se querem construir um muro na fronteira, é porque o problema deve ser grave. Agora, apertam o cerco (ainda mais) na fronteira e ainda por cima o México vê-se na “obrigação” de contrair mais um empréstimo ao FMI, por causa da desvalorização do peso. Há mesmo Gripe Nova, ou é só uma manobra para conter um problema que a América não consegue resolver? E porque é que estas pandemias acontecem sempre em animais de quinta e não em cães e gatos? Será porque seria demasiado alarmante? Nós ainda vamos é ficar totalmente paranóicos sem saber em quem ou no que confiar! E ainda me vêm falar em optimismo? E em confiança? O optimismo e a confiança foram dar uma volta… e enquanto isso nós ficamos à espera que voltem. O problema é que nessa espera fartámos de questionar e questionar e questionar… e aparece o verdadeiro problema do pessimismo, ou, politicamente correcto, da falta de optimismo: perguntas. Questões. Dúvidas. Que levam à desconfiança. Quem lucra com esta atitude questionante? Não é o homem capitalista, de certeza!

A verdade é a coisa mais valiosa que possuímos. Por isso vamos tratar de economizá-la. – Mark Twain

Comments


  1. Adoro uma boa teoria da conspiração. Adoro mesmo. Contaram-me hoje que a gripe apareceu para vitimar Obama. O presidente dos EUA esteve na Cidade do México e na mesma sala – até cumprimentou, consta – que o director do Museu Arqueológico mexicano, que foi uma das vítimas mortais da gripe. O objectivo dos conspiradores era atingir Obama e vitimá-lo. Agora, Isac, arranjar uma gripe para suportar a político do muro, parace-me um pouco demais. É que o muro já lá está. O físico e o psicológico. Já agora, comemos muita porcaria e alguns químicos? Comemos, respiramos, tocamos… É o nosso mundo.


  2. Pois. Mas eu não adoro teorias da conspiração. Eu acho é preocupante existirem tantas, principalmente nesta altura em que se pede confiança. E eu pergunto-me como é possível recuperar alguma confiança no que quer que seja, quando vivemos rodeados de coisas que não entendemos, comemos coisas que não sabemos o que é, usamos tecnologias que não compreendemos, etc.É o nosso mundo, este de porcarias e alguns químicos? É, mas não precisa, nem sequer deve ser. Apenas o é porque o continuamos a suportar. E eu pessoalmente já começo a funcionar de outra forma para não seja o meu mundo.

  3. Luis Moreira says:

    O optimista só pode ser um gajo enganado e a confiança só nos arranja problemas, como se vê pelos bancos a quem confiamos o nosso dinheiro e pelos políticos a quem confiamos o país! O Isac faz bem em estar desconfiado da gripe mexicana!


  4. Embora ficasse a ideia de que sou adepto das teorias da conspiração, isso não é verdade. Fiz-me entender mal. É que eu não suporto teorias da conspiração. Para mim são um sintoma de algo muito errado no homem. O que eu não consigo compreender é esta paranóia toda em volta das pandemias. Recentemente, foi divulgado um estudo do Instituto Ricardo Jorge que diz que, “no último Inverno, em apenas dez semanas, morreram entre 1 200 e 1500 pessoas, o que significa um aumento de entre 15% e 20% face a anos com actividade gripal considerada normal em que morrem entre mil e 1 200 pessoas.” A “gripe normal” mata mais pessoas em Portugal do que as pandemias no mundo inteiro! Isto também gera desconfiança, e ainda por cima não totalmente fundamentada. Parece-me um assunto algo sobre-alimentado pela imprensa, com contornos extremamente difusos, em detrimento de outros, se calhar, muito mais importantes.

  5. Luis Moreira says:

    Isac, ninguem ficou com essa ideia.Até porque a globalização é um veículo fantástico para a disseminação de vírus e outras coisas menos boas.Sim, não é só económica!

  6. Ricardo Santos Pinto says:

    Concordo contigo: uma conspiração de alto nível, conduzida pelos principais laboratórios mundiais com o objectivo de vender milhões e milhões de vacinas aos Estados, sempre influenciáveis pelas notícias. Claro que, aqui, o poderoso lobby dos laboratóriosa tem um forte aliado nos principais gruposa económicos da imprensa, que ajudam a espalhar as notícias, e os líderes governamentais, que fazem aquilo que os laboratórios querem. Daí ao poderio das farmácias vai um pequeno passo. E o povo é que se lixa sempre.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.