Quem quis tramar Paulo Rangel?

Entre Paulo Rangel e Winston Churchill pode não haver muitas semelhanças mas há, pelo menos, uma: encontram os inimigos dentro do próprio partido.

O cabeça de lista do PSD às eleições europeias tem, dentro de casa, mais opositores que nos restantes partidos concorrentes.

Surgindo como um ‘outsider’, Paulo Rangel foi a escolha de Manuela Ferreira Leite para a liderança parlamentar, primeiro, e para ser o primeiro nome na lista ao Parlamento Europeu, depois. Uma ascensão fulminante num partido de barões, que não deixou de espantar alguns e de provocar um franzir de sobrolho noutros tantos. Que não estão disponíveis para perdoar o mínimo deslize.

Sem estar ligado a lobbys internos, Rangel tem, nesta campanha eleitoral, feito uma espécie de corrida a solo, apoiado pontualmente pela presidente do partido, que surge como o treinador que, à margem do percurso, aparece a dar apoio moral, através de incentivos mais ou menos sonoros.

Com um PSD a meio gás, a campanha ‘laranja’ nestas eleições está apenas meio organizada e os militantes meio mobilizados. Tudo demasiado a meio.

Rangel aposta muito em pequenas reuniões, em pequenas salas, dentro de portas, com pouca rua e comícios medianos que correm mal, com pouco gente, muitos atrasos, descoordenação de horários e entusiasmo apenas meio mobilizador. Veja-se o episódio do comício de Barcelos.

Pedro Passos Coelho, opositor de Manuela Ferreira Leite na última corrida interna, esteve numa acção de campanha em Vila Real. E o que disse? Que o mínimo que se pode esperar é uma vitória e se o PSD não vencer estas eleições “fáceis” como será para vencer as “difíceis”. Calculamos que sejam as legislativas.

É claro que o alvo de Passos Coelho é outro e não Rangel de forma directa. Mas o líder parlamentar levou por tabela. Vale a Rangel a garra que coloca em cada acção e o facto do principal oponente ser Vital Moreira, um peixe claramente fora de água.

Comments


  1. Gosto da atitude de Paulo Rangel. Estou, como muitos, seduzido pelo seu poder de argumentação. Foi uma agradável surpresa.O que lhe irá acontecer no PSD, quando os Santanas e afins se atirarem a ele é o que ainda não consigo adivinhar.Penso que representa bem a ala menos liberal e mais de esquerda do PSD… a não ser que seja só para a fotografia…JP

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