O Estado Português ignorou Luís Cabral

Luís Cabral, então PR da Guiné-Bissau, foi deposto por um golpe militar em 1980, sob o comando de Nino Vieira, entretanto também já falecido.

Luís Cabral era, de facto, um homem ilustre, pertencente a uma geração de políticos africanos que colheu e cultivou valores e referências políticas e sociais em Portugal. Não admira, pois, que tenha escolhido o nosso País para um exílio de 30 anos, sendo, até à data da sua morte, no fim-de-semana último, o mais antigo dos exilados políticos em terras portuguesas.

Ao contrário de Nino Vieira, que usufruiu de amizades e conluios em Portugal, com o Major Loureiro à cabeça, Luís Cabral foi um homem que teve sempre um comportamento sóbrio e próprio de personalidade de elevada dignidade.

Estamos no momento quente das europeias, mas, ainda assim, não posso deixar de expressar a minha revolta face à indiferença do Estado Português em relação à morte de Luís Cabral. PR e PM comportaram-se de forma nada digna, valendo, na circunstância, o General Ramalho Eanes que, por iniciativa própria, fez o merecido elogio fúnebre do 1.º PR da Guiné-Bissau.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Caro Carlos, a diferença entre o Nino e o Cabral é que o primeiro nadava em dinheiro.

  2. maria monteiro says:

    Carlos, tendo sido Luís Cabral, como muito bem referiu, um homem com um comportamento sóbrio e próprio de personalidade de elevada dignidade, ainda bem que o Estado Português o ignorou… assim pode ter um funeral sóbrio equiparado à dignidade da sua vida… que descanse em Paz.

  3. Carlos Fonseca says:

    Maria, respeito o seu ponto de vista. Todavia, há obrigações institucionais a que o Estado Português não pode furtar-se. É também pelo desprezo por esta e outras figuras que a Guiné-Bissau, que conheço, está na situação que sabemos. Pedro Pires, Presidente de Cabo Verde, por exemplo esteve presente. Os ex-presidentes de S.Tomé e Príncipe, Pinto da Costa e Miguel Trovoada, também.

  4. maria monteiro says:

    Provavelmente os representantes portugueses (PR, PM,…) aguardam a altura em que o corpo de Luís Cabral seja trasladado para a Guiné-Bissau. Assim, lá estará o Estado Português a cumprir todas as suas obrigações e a ficar bem na fotografia.

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