A abstenção galopante desde 1975

Bem sei que estamos a falar de actos eleitorais com objectivos e enquadramentos políticos diferentes. Mas, a natureza das diferenças não justifica, só por si, o desinteresse e a drástica redução da participação popular, em eleições realizadas em Portugal, e na Europa em geral.

Esta tarde, corre na imprensa a notícia de que a Direcção Geral da Administração Interna registou ao meio-dia uma participação de 11,8% dos eleitores, comparáveis aos já baixíssimos 14,2% que tinham sido averbados, à mesma hora, nas eleições de 2004 para o Parlamento Europeu.

Recordo que em 25 de Abril de 1975, na votação para a Assembleia Constituinte, estive mais de uma hora numa fila que se alongava pela rua, desde a entrada de uma escola primária situada próximo da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, para chegar à secção de voto. Nessas eleições, e num universo de 6.231.372 inscritos, abstiveram-se 8,34% dos eleitores, mais precisamente 519.534.

Hoje, votei com demasiada calma na Escola Secundária do Lumiar, no pavilhão 3. Apresentei-me à porta da sala onde funcionava a secção de voto que me competia. Os membros da mesa, apenas com um votante à vista, conversavam tranquilamente.

Repito: bem sei que estamos a falar de eleições diferentes, mas o fenómeno exponencial de crescimento da abstenção não pode, por outro lado, converter-se em responsabilidade inteira dos cidadãos. Os políticos, esses sim, é que não podem declinar a maior fatia da responsabilidade, e sobretudo os dirigentes dos chamados partidos do poder. Não venham eles, pois, queixar-se da degenerescência da participação democrática, um resultado natural das suas políticas ao longo de anos. As populações em geral estão, de facto, decepcionadas, e em Portugal e na Europa nem sequer há um ‘Obamazinho’ para acreditarem, de novo.

Comments


  1. É um problema geral: dos políticos profissionais e dos eleitores. Não podemos alegremente apontar o dedo aos políticos, dizendo que a responsabilidade é toda deles e nada ou pouco fazer para mudar a situação.


  2. não esquecer que se não limparem os cadernos eleitorais das pessoas que.. bem… enfim… já morreram…. a abstenção será a crescer.

  3. Luis Moreira says:

    Pelo movimento de pessoas, fiquei com a ideia que a abstenção vai ser grande.