A Marcha do Orgulho LGBT e as famílias hetero


Realiza-se já no próximo Sábado, 20 de Junho, mais uma Marcha do Orgulho LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros. No dia 11 de Julho, irá repetir-se, mas no Porto.
Pela primeira vez desde que existe a Marcha, tenho uma filha. E foi então que me ocorreu a seguinte pergunta: devem as famílias heterossexuais participar no evento e levar os seus filhos?
A resposta, como é óbvio, tem de ser positiva. Por várias razões: em primeiro lugar, de forma mais geral, por uma questão de solidariedade para todos aqueles que se vêem na necessidade de mostrar que são iguais aos outros e que reivindicam essa mesma igualdade na lei. De forma mais específica, penso que a formação de uma criança deve incluir o contacto com pessoas que pensam de forma diferente daquelas que normalmente a rodeiam. «Abrir os olhos» para outras realidades, aprender desde cedo a conviver com as diferenças, saber que gostar de pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Ganhar instrumentos para pensar com a própria cabeça quando for grande e ser a favor, se isso corresponder à sua consciência, do casamento gay» ou da adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
Não é por isso, descansem os críticos, que ela será mais ou menos heterossexual. Aliás, devo dizer que tanto me faz que a minha filha seja hetero, lésbica ou bissexual. Para mim, é igual ao litro, desde que conviva bem com a sua sexualidade e com a sociedade que a rodeia. Mesmo travesti, se for uma actividade que lhe dá prazer, por que não? (transgénero é que não gostava, porque aí já se colocam outros problemas, relacionados com o próprio corpo e com o conforto ou desconforto que se sente em determinado papel que a sociedade nos atribui).
Regressando ao tema, encaro a Marcha do Orgulho LGBT da mesma forma que encaro, por exemplo, o Dia Mundial da Mulher. Não devia ser necessário e não devia fazer sentido numa sociedade que se pretende igualitária. Mas se não há outra forma de se chamar a atenção para a necessidade de impor uma verdadeira e efectiva igualdade, então que se organize tudo o que for preciso.
E se para a igualdade de uma sociedade somos todos necessários, heteros e gays, então devemos dizer todos presente. Nas Marchas, nos Manifestos, nos Abaixo-Assinados, nos Referendos se os houver (embora não devesse ser necessário, porque direitos individuais não se referendam).

P. S. – Foi o Paulo Jorge Vieira que me chamou a atenção, há uns dias, para a Marcha do dia 20, antes ainda do Carlos Loures publicar, ontem, um texto com uma opinião diametralmente diferente da minha. Felizmente, no Aventar, convivemos bem com as diferenças. Temos social-democratas, socialistas, bloquistas e comunistas; temos portistas e benfiquistas; temos católicos e ateus; temos moderados e radicais; temos muita gente e até o Adalberto. É isso que faz a riqueza deste blogue.

Comments


  1. […] este texto que publico aqui é da autoria do meu querido Ricardo Santos Pinto e está em estereo no Aventar. Se tu leitor quiseres escrever algo sobre a marcha até ao próximo sábado manda me um mail com o […]

  2. maria monteiro says:

    r, é isso que faz diferença enquanto educadores e …. a riqueza deste blogue.

  3. Luis Moreira says:

    Nem mais! O r quando teve a ideia do blogue e falou comigo foi o que me disse.Um blogue onde cabem as diferenças.Só não passam as calúnias e as obscinidades, e mesmo estas se estiverem no contexto, passam!

  4. dalby says:

    Este último «mimo» deve ter sido para mim, oh Maria!


  5. Perfeito. O Dalby é o cromo de serviço ao refeitório! Ai… achavas que só tu é que podias mandar bocas ahahahhaAli por terras de santa maria… caiu agora mesmo um sms teu, dizia eu, por terras de Santa Maria o teu nome é motivo de piada… agora és o “meu amigo”.Imagina, eu, o que me havia de acontecer.JP


  6. Tudo muito bem. Mas porque carga de água é que ‘Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgénero’ precisam de mostrar, numa marcha, o seu orgulho? Só têm orgulho num dia por ano? Têm orgulho todos os dias mas só o mostram uma vez por ano? É para dar nas vistas? É para exorcizar ‘fantasmas’? É só um argumento para fazer uma festa?

  7. dalby says:

    zzzzzzzzzzzzzzzz, sim , sim, e por muito mais…melhor ler é a biblía e o novo testamento que fica logo esclarecido..MAS QUE «MÁ FAMA» JP, ENTÃO E NÃO PODEMOS SER AMIGOS?? DOIS AMIGOS HOMENS NÃO PODEM SER ?? SÓ DUAS MULHERES?? E QUERO JA AVISAR O PESSOAL DE ARGONCILHE QUE ME LÊ QUE O JP É MUITO HOMEM E PARECE-ME QUE É DO TIPO QUE GOSTA DE FICAR SEMPRE POR CIMA..NO SINDICATO I PRESUME!!!!


  8. […] correcto — O. Braga @ 12:53 am Tags: marxismo cultural, Utopia negativa Se analisarmos este texto, verificamos a contradição de pessoas que se sentem orgulhosamente diferentes se sentirem na […]

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.