O campo do Ramaldense

Ramalde é uma freguesia do Porto com profundas desigualdades sociais. De um lado, a zona do Pinheiro Manso, do Foco ou da Urbanização do Lago. Mesmo ao lado, o bairro das Campinas, Francos ou o Viso. Quem vai, por exemplo, ao Café Porto Alegre, a meio da Avenida Antunes Guimarães, depara-se com dois mundos: o dos senhores «chiques» das vivendas da avenida e as gentes pobres dos bairros dali da beira.
O mítico campo de futebol do Ramaldense fica entre estas duas realidades. Desde pequenino, lembro-me de ir para lá ver os jogos de futebol e os de hóquei em campo. Ia mais ao Estádio da INATEL, junto ao Bairro da Previdência, onde vivi até aos 24 anos, mas muita da minha mocidade passei-a no Ramaldense.
Pois agora parece que o campo vai ser encerrado definitivamente, após a sentença do Tribunal Constitucional, a última instância a que o Ramaldense podia recorrer. Os proprietários do espaço decidiram denunciar o contrato, após 65 anos de utilização por parte do clube, provavelmente para vender o terreno a algum especulador imobiliário.
A renda estava em dia, mas nem isso demoveu o senhorio. Não lhe interessa que mais de 100 crianças percam um espaço de prática desportiva. Não lhe interessa que desapareça a escolinha gratuita de futebol que movimentava quase 50 crianças dos 5 aos 9 anos. Não lhe interessa que 80 atletas seniores, juniores, juvenis e femininos deixem de poder praticar a modalidade. Não lhe interessa os 200 jogos que ali vão deixar de ser realizados anualmente.
Claro que não interessa. A renda era irrisória e o dinheiro, como sempre, fala mais alto. Aposto que daqui a uns anos, onde está o campo de Ramaldense, estará uma urbanização de luxo, iguais às do Lago. Quanto às crianças que deixam de poder praticar desporto, não há que temer. A sua vida seguirá outro rumo. Droga e outros vícios é coisa que não falta por ali…
Depois disto, é impossível deixar de dar alguma razão ao Filipe Moura.

Comments

  1. maria monteiro says:

    Anda-se a reinventar solidariedade mas… entretanto estragam-se outras solidariedades

  2. RicardoF says:

    Olá, como já sabem sou de Viana e para mim é um prazer dizer que já joguei futebol no campo da Inatel, ali ao lado da Antunes Guimarães. Foi apenas uma vez, com amigos e desconhecidos. Comigo é só dizer “Vamos jogar à bola” que eu respondo “A que horas e onde?” Não sou craque apenas gosto do Cumbíbio e de correr atrás da redondinha.Quanto ao Ramaldense, costumo almoçar aos fins-de semana num dos apartamentos que tem uma vista privilegiada sobre o campo e consegue ver a alegria em dias de jogos e treinos de miúdos.

  3. dalby says:

    Viana-Cu m BI bio-Vamos jogar à bola- a que horas, onde_ correr atrás da redondinhas- jogos e treinos -vista previligiada-almoçar em apartamento….BEM AMIGO, ISTO MAIS DO QUE UMA PARTIDA DE FUTEBOL PARECE-ME MAIS «A CANÇÃO DO ENGATE» VERSAO SEC XXI DOS DELFINS!!!

  4. RicardoF says:

    Bem amigo, só posso dizer que cada um interpreta as coisas como quer. Se quer interpretar assim, interprete e muita saudinha.Eu continuo a preferir “A canção do engate” versão Variações.Os textos são como as mulheres cada um interpreta-as da maneira que quer.

  5. J L TEIXEIRA says:

    Pois meus caros, ésta é a injustiça da justiça Portuguesa, tanto se diz sobre os direitos da crinça, e o que fazer com eles…..não sei como são formados os juizes, pois não tenho qualquer formação académica, mas vejamos….retira-se uma crinaça de uma familia de acolhimento e entrega-se a uma mãe biologica que por sinal é dependente do alcool, manda-se uma criança para adopção quando a mãe quer e tem condições para a educar, e no RAMALDENSE, retira-se o prazer de 200 crianças, e atiram-se para a margem, talvez tenha algum fundamento, é que ojuiz que retirou o campo ao rRamaldense, terá amanhã muito prazer em julgar num tribunal uma pessoal a não sei quantos anos de cadeia por trafico ou outro crima qualquer, sé que já não se lembra que foi ele que lhe tirou o sentido da vida, na quele celebre dia 9 de Junho de 2009, ao fechar o camppo de Ramaldense

  6. dalby says:

    oh RIcardo F eu estava a brincar, até gostei do seu post, parece-me ser uma pessoa bastante autêntica e de prazeres simples e saudáveis..abraço

  7. RicardoF says:

    Dalby, eu leio a maior parte das suas postas, por isso eu já vou entendendo como escreve (um pouco surreal)! E eu respondi na brincadeira.A vida é para levar….;)http://www.youtube.com/watch?v=qVCL00o-a2I

  8. dalby says:

    ai é voce ricardo de dusseldorf um abraçoooooooooooooooooooooo

  9. José Manuel Souto Ribeiro says:

    O campo do ramaldense foi o meu berço,nele passei tardes a jogar a carica,pião,ferrinho etc..
    Joguei hoquei em campo,futebol e até lá vi ao vivo a nascer uma ovelha.Toda a zona envolvente
    eram quintas agriculas onde andei muitas vezes em carros de bois.
    Enfim é lamentável o campo desaparecer,com ele dasaparece um valioso bocado da história da
    minha infância.Ramalde amo-te de paixão.
    José Manuel Souto Ribeiro

  10. Rui Pedro Ribeiro Loureiro says:

    Bolas..eu nasci no bloco 23 do bairro das campinas a janela do meu quarto era onde eu em puto passava as tardes de domingo a ver o GRANDE RAMALDENSE, já lá não moro há 11 anos, pois foi residir para Valongo terra que muito gosto tambem, mas todas as sextas feiras após o jantar na minha rica sogra residente ainda nas campinas vou jogar a minha partidita de bilhar ao “centro” (C.S.D.C BAIRRO DAS CAMPINAS)..viva RAMALDE a “Terra dos Cornos Grandes”, um Bem-Hája a todos os Ramaldenses.