TGV e novo aeroporto ficam à espera de outro Governo

Os primeiros sinais surgiram, embora algo tímidos, nos dias seguintes às eleições europeias. Foram-se acentuado nos dias seguintes e eis que, uma semana depois, recebemos a confirmação. As grandes obras nacionais seguem o seu curso mas devagarinho. Tão devagarinho que caberá ao próximo Governo decidir. Este vai dar continuidade aos processos mas sem chegar a vias de facto.

Cavaco Silva, depois de um primeiro sinal, também ele tímido, sem medo mas com reticências, transmitiu hoje outro sinal, mais sólidos, sem receios.

O adiamento da decisão final sobre o TGV para depois das eleições seria "um caminho de bom senso", aventou hoje o Chefe de Estado. Embora garanta não ter toda a informação, o que se pode entender como não tendo a palavra final de José Sócrates, o há-vontade com que hoje se pronunciou indica que já lhe sopraram que assim será.

Se o diploma lhe for enviado, afirma, tomará a sua decisão "de acordo com os interesses do país". Não será necessário. Nenhuma decisão sobre esta matéria vai aterrar na sua mesa de trabalho. Nem o TGV nem o novo aeroporto de Lisboa. Ninguém entenderia que, a poucos meses das eleições, e depois de uma derrota eleitoral, o Governo decidisse adjudicar projectos desta envergadura.

É sabido que o Verão, em concreto Julho e Agosto, momento de férias para a esmagadora maioria dos portugueses, são utilizados pelos executivos políticos, centrais e locais, para aprovar projectos menos populares ou deliberar sobre matérias para as quais não pretendem muita atenção. No entanto, os processos do TGV e do novo aeroporto não estarão neste lote de deliberações. O risco de um elevado custo eleitoral é demasiado grande para jogadas de antecipação.

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