A OCDE está a fazer confusão?

Gostaria de perguntar ao Senhor Ministro Manuel Pinho se a OCDE está também a fazer confusão nas projecções macroeconómicas que hoje publicou sobre o nosso País, http://www.oecd.org/dataoecd/6/31/20213255.pdf .

As referidas projecções são extremamente negativas: Investimento -18,70%, Procura Interna -6,00%, PIB -4,50% são os valores de alguns dos indicadores. Ponderado isoladamente, o desemprego, nas estimativas da OCDE, tem uma evolução preocupante. A 9,6% esperados para 2009 seguir-se-ão 11,2% em 2010. Não posso deixar de sublinhar o anacronismo de a uma menor quebra do PIB (-0,5%) em 2010 corresponder um agravamento de +1,6% da taxa de desemprego. Como refere hoje, e bem, a Dra. Maria de Belém no gratuito ‘Meia Hora’, figura política que já aqui critiquei por outras razões, o PIB deixou de ser uma medida adequada para avaliação de fenómenos sociais, com o desemprego à cabeça. De facto, uma fraca redução ou  até um crescimento do PIB coincidem, diversas vezes, com  aumentos  signficativos do desemprego.  A suceder esta coincidência, há forte probabilidade de ampliação dos desequilíbrios na distribuição dos rendimentos, reflectidos em expansão da exclusão social e proletarização de extractos consideráveis da classe média. Os cidadãos portugueses têm  razões bastantes para a decepção e a preocupação.

Reconheço que o cenário descrito é reflexo de vários factores e, no que respeita às causas internas, advêm de uma continuidade de políticas financeiras, económicas e sociais executadas desde há anos. Todavia, a actual governação, na voz arrogante do PM, não pode limitar-se a expelir as culpas para cima da crise internacional e de governos anteriores, quando também revela incapacidade de chegar a soluções para contrariar a deterioração económica e social do País. O governo age sob o comando de um partido dito socialista, arrogando-se do direito de propagandear, alto e com grande sonoridade, a infalibilidade e justeza das suas políticas. Os resultados estão à vista. O pior dos cegos…

Comments


  1. O sr. Manuel Pinho não vai responder mas se respondesse seria algo muito interessante.