Porque não enfia-las numa redoma?

Admito que ainda sou do tempo em que menino e moço, podia brincar nas ruas à vontade. Hoje os tempos são outros. As crianças não brincam nas ruas. Aliás, já quase não brincam. Pelo menos a sério. Vá lá, aquela coisa de passar horas agarrados a uma consola de jogos não é brincar, pois não?

De ano para ano crescem os limites da fronteira até onde as crianças podem ir. Não podem brincar na rua, não podem brincar com brinquedos que não tenham passados três milhões de testes, não podem apanhar um pouco de sol, um pouco de chuva, nada.

Agora, a Associação Para Promoção da Segurança Infantil, que se começa a assemelhar a uma entidade fundamentalista, veio alertar para os riscos das visitas das crianças às praias. Alerta para o perigo de as crianças "correrem risco de morte" só para estar algumas horas na praia. Por causa do problema da segurança rodoviária, porque pode haver acidentes, ou afogamentos.

Sim, pode acontecer tudo isso e muito mais. Como há muitas outras formas de podermos morrer quase sem dar por isso. O ser humano é, na realidade, muito frágil.

Já agora, para além dos inúmeros conselhos de como prevenir tragédias, porque é que a associação não se entretém a elaborar uns quantos, decentes, sobre como ajudar as crianças a brincar melhor.

Sempre será melhor que cresçam como crianças do que como seres superprotegidos e envolvidos numa permanente redoma que os protege de tudo, até da própria vida.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Cuidado , não falar em certas coisas.Se elas já nascem em tubos de ensaio….

  2. maria monteiro says:

    As crianças têm que crescer simplesmente como crianças… assim certamente tornar-se-ão excelentes jovens e mais tarde adultos … em suma excelentes pessoas. Digo eu que sou assumidamente mãe-galinha (mas sempre tentei não colocar o meu filho numa redoma… )Considero importante a existência de regras para o transporte de crianças e jovens (nem sempre as escolas as cumprem) LM, não se pode falar de sexualidade…?

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