DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (9)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (9)

Agora não é Saramago mas o meu amigo quem diz “que a segurança dos que não acreditam é invejável e que a intolerância se verifica mais em relação àqueles que crêem”. Plenamente de acordo. Tal facto deve-se a que a segurança dos que não crêem não existe, e antes constitui um exercício permanente de aprendizagem, interrogação, reflexão e descoberta ao longo do difícil caminho da razão.
“Se me tivessem provado que com a morte tudo termina, creio que já teria partido voluntariamente”, confessa o meu amigo. Penso que o Homem não tem, gratuitamente, provas de nada, e pode rejeitar todos os argumentos falaciosos ou extra-humanos que de nada lhe servem. Bastam-lhe as provas que nascem do desenrolar da sua razão. Por que motivo o meu amigo rejeita a força das hipóteses lógicas, racionais, a luz da ciência – pobre ciência humana, é certo – mas que o meu amigo aceita e utiliza numa elevadíssima percentagem dos actos da sua vida, e adere à fragilidade de teses fantasistas, ilógicas e mesmo irracionais, carecendo de todo e qualquer substrato que não seja a fé, fé essa – não pode negar – directamente proporcional à ignorância, à incultura e a toda a espécie de fundamentalismos mais ou menos acéfalos. Isto não significa que não haja pessoas crentes muito inteligentes e muito cultas – que é o caso do meu amigo -. Simplesmente, em meu entender, não foi a cultura mas outra razão qualquer que gerou e enraizou a crença. A verdadeira cultura é, habitualmente, um obstáculo e remete muito mais para o antagonismo do que para o agonismo da fé. (Continua).

                (adão cruz)

(adão cruz)

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