DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (10)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (10)

Para quem espera o céu, a gente sabe que a razão da vida não pode ser o natural percurso desta pequeníssima dimensão humana no seio infinito da natureza e do Universo, em permanente mutação e movimento, mas uma espécie de celestial e eterna pensão de reforma que a imaginação deste limitado ser, mesmo dando-lhe o fluido nome de alma, não consegue despir das materiais aspirações, prerrogativas e necessidades do corpo que por cá ficou. Com a vida tudo e nada começa e com a morte nada termina. A parte é diluída no todo. Em cada instante o Universo é outro. O início da minha decomposição é, precisamente, o início da minha contribuição para a formação ou transformação de milhares ou milhões de outros seres.
“Já não adianta nada dizer que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino”, diz Saramago. “Para os que matam em nome de Deus”, continua, “Deus não é só o juiz que os absolve, é o Pai poderoso que dentro das suas cabeças juntou antes a lenha para o auto-de-fé e agora prepara e coloca a bomba”. Não sei se esta bomba a que se refere Saramago é a do Pai poderoso de cá se a do Pai poderoso de lá. Ou se é de ambos. Permito-me, de qualquer forma, alguns comentários, cujas ilações pertencerão a cada um que as queira tirar. Vejamos. (Continua).

                   (adão cruz)

(adão cruz)

Comments


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