E se o mestre cervejeiro fosse trocado?

Andei de boca aberta uma parte do dia. Vi um país discutir e debater a retirada de um pivot televisivo da apresentação de um telejornal. Debateu como poucas vezes debate. Como talvez só aconteça em jogos de futebol. E como muito poucas vezes acontece noutros temas.

A administração da TVI, uma empresa privada, decidiu afastar Manuela Moura Guedes da apresentação do Jornal Nacional de sexta-feira. Disse faze-lo para transformar aquele produto em algo de homogéneo para com os restantes serviços noticiosos do canal.

Falou-se em pressões, em influências políticas, em vergonha. Como é evidente tudo tem a ver com política e este caso não é excepção. Algumas das virgens ofendidas poderão ter alguma legitimidade para reclamar. As outras, a maioria, não. A começar, por exemplo, no PSD, a continuar na Entidade Reguladora da Comunicação, a quem só falta abordar o índice de açúcar nos pirolitos, continuando por muitos jornalistas da TVI, que não podem ver Manuela Moura Guedes nem pintada mas agora vieram gritar que o rei vai nu. Sócrates garante que nada teve a ver com o assunto. Estranho seria se dissesse que teve.

Escusado será dizer que todos os poderes políticos desejam controlar a comunicação social. Sempre assim foi, sempre assim será. Aos jornalistas cabe responder à altura. Escusado será dizer que o jornal de sexta da TVI era feito por uma redacção dentro da redacção, por um núcleo de fiéis que trabalhavam, na maior parte das vezes, uma semana inteira para um noticiário. Escusado será dizer que isto fica caro. Muito caro.

Escusado será dizer que José Eduardo Moniz saiu contrariado da TVI, mas saiu. E depressa abraçou outro projecto.

Escusado será dizer que este afastamento não me agrada. Não por gostar do jornal das sextas, que raramente via e quando via não gostava. Não me agrada porque não me agradam as trocas feitas a desproposito e em cima da hora. Porque não aprecio o cheiro a esturro.

No entanto, a TVI é uma estação privada e a administração pode fazer as mudanças que considerar adequadas, desde que cumpra a lei. Não houve bom-senso? Não, mas isso também não houve muitas vezes nos jornais de Manuela Moura Guedes. Está em causa a democracia? Está sempre em causa. Sobretudo a qualidade dela.

Feitas as contas, estou preocupado mais ou menos. Foi um dia longo, estou cansado e não me apetece pensar muito. Cá entre nós, confesso que estaria muito mais preocupado se a minha marca de cerveja predilecta mudasse o mestre cervejeiro. É que nem se atrevam a trocar no homem.

Comments

  1. dalby-o-calmo says:

    Oh ZeFrei, o problema é que TODOS SABEMOS E MAIS PRECISAMENTE, TODOS NÓS SENTIMOS QUE A MANUELA NÃO ERA MAIS DO MESMO…ESTÚPIDA OU PARVA, LOUCA OU NÃO, ELA DEIXAVA sair E DIZIA BEM ALTO O QUE A TUA ALMA E RACIOCINIO PENSAVAM TAMBÉM mas não podiam dizer para milhões….NÃO É UMA QUESTÃO DE GOSTO E DE COR, É UMA QUESTÃO DE VERDADE….ELA ERA E É ÚNICA, E NÃO É MENTIROSA NEM TENDENCIOSA…DÁ É A SUA VERSÃO PESSOAL que não implica abortar a verdade…E TINHA UM SENTIDO DE HUMOR ÚNICO..A PARTIR DE AGORA DIZ-ME …VOU OUVIR NOTICIAS ONDE? EM ESPANHA? NA RTP? NA SIC NOTICIAS? WELL, MY DEAR, I DON’T THINK SO!dalby


  2. Mentirosa, não digo. Tenho respeito por MMG. Agora, tendenciosa, lá isso caro dalby, era.

  3. dalby-o-calmo says:

    Se tu chamas tendenciosa a alguém dar o seu toque-parecer…bem..é o mesmo que ninguém possa dar pareceres sobre nada…..na sua profissão…era o mesmo que dizeres que a Madonna não pode cantar fado porque é uma cantora de rock!dalby

  4. dalby-o-calmo says:

    EU CHAMAR-LHE-IA «MESTRE, ESPERTA,INTELIGENTE, LOUCA, ARROGANTE» MAS FAZIA FRENTE COMO NINGUÉM TIPO SUICIDA KILLER…ERA INCONVENIENTE E COMO NÃO PERTENCIA À BEAUTIFUL PEOPLE DO PS NÃO ERA SUPORTADA…É..MAS VIU-SE..INCOMODOU TODO O PAIS…

  5. dalby-o-calmo says:

    quem ri em último ri melhor..fizeram dela «uma mártir, uma divina, uma desejada, uma vitima» VAIS VER COMO SERÁ O SEU REGRESSO TRIUNFANTE »

  6. Ricardo Santos Pinto says:

    Era, ó Freitas? Tem calma, que ainda não morreu!

  7. Ricardo Santos Pinto says:

    Mas em que ficamos, Zé? Primeiro era por razões económicas. Depois, passou a ser homogeneizar a grelha ao longo da semana. e a seguir, qual vai ser a justificação?


  8. Homogeneizar a grelha foi a explicação da administração. As razões económicas fui eu que aventei como um possível forma de explicar a decisão.Acontece que independentemente das razões, a decisão, neste momento, foi má, embora seja conhecida a antipatia que MMG despertava na administração espanhola da TVI. A saída de Moniz permitiu fazer aquilo que já queriam ter feito.


  9. http://www.doportugalprofundo.blogspot.com/ Manifestação pela Liberdade de ImprensaHoje, sexta-feira, 4-9-2009, pelas 20 horas, em frente à TVI,na Rua Mário Castelhano, n.º 40, Queluz de BaixoNão pode ser uma vigília silenciosa! Não é altura de silêncio, mas de levantar a voz para reclamar a liberdade perdida e exigir a reposição de um processo eleitoral livre e justa. Um processo eleitoral com informação plural, a garantia necessária para que qualquer eleição seja considerada livre e justa

  10. dalby-o-calmo says:

    Também acho, estivesse eu ai e ia logo

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