uma obra-prima de jim jarmusch

Limits_of_controla última longa-metragem de jim jarmusch, «os limites do controlo» 2009, encontra-se ainda em exibição em portugal. a par de gus van sant e de hal hartley, jarmusch é um dos mais conhecidos cineastas do designado «cinema independente norte-americano». a década de 80 representou a sua afirmação no mundo cinematográfico, pese embora jim pretendesse, originalmente, seguir uma carreira musical. aliás, a sua ligação com o mundo musical está bem presente com john lurie (longe lizards) como protagonista em «stranger than paradise» 1984 e em «down by law»» 1986, este último com a participação de tom waits (que assina a banda sonora de «night on earth» 1991). iggy pop entra em «dead man» 1995 e joe strummer em «mistery train» 1989. tal como a cinematografia de gus van sant, a música tem um papel central na ambiência dos seus respectivos filmes – recorde-se aqui a entrevista que jim jarmusch concedeu ao suplemento do jornal «público» há umas semanas atrás onde é bem específico sobre este tema. em «the limits of control» encontramos a sonoridade de boris. se a américa desolada, emigrante e semi-urbana é o pretexto central para os seus filmes da década de 80, as «noites da terra» entre os estados unidos da américa e a finlândia encerravam definitivamente a primeira fase do seu muito particular cinema. na década seguinte destacam-se duas pérolas arty, o imaginado william blake/johnny deep perdido na américa indígena de «dead man» 1995 – com uma fabulosa roupagem sonora de neil young – e o ghost dog/forrest whitaker, assassino-justiceiro contratado, columbófilo e orientado pelos princípios de Hagakure, «ghost dog: the way of the samurai» 1999 – película pautada pela música hipnótica de rza. o relativo sucesso junto do público chegará apenas em 2005 com «broken flowers» e bill murray numa viagem de um homem celibatário alienado do mundo que plana/viaja em busca de um passado ausente. entre eles, «coffee and cigarettes» reunia encontros im/prováveis que jarmusch filma desde 1986 entre os protagonistas dos seus filmes (e não só) – lá estão iggy pop e tom waits, roberto benigni e steve buscemi, cate blanchett e bill murray, jack e meg white dos white stripes.

este ano jim jarmusch estreia «the limits of control» protagonizado por isaach de bankolé, com pequenas mas importantes contribuições de bill murray, tilda swinton e de um magnífico john hurt. jarmusch parece tornar, de alguma maneira, ao silêncio de «permanent vacation» 1980, retirando do ecrã os apontamentos de comicidade que muitas vezes integra para nivelar as repetições/citações/máximas de cariz filosófico (sempre objecto de discussão crítica) que quase sempre inclui nos seus filmes (aliás como hal hartley – o que, neste particular, nos faz recordar «flirt», embora num outro registo). mais do que toda a obra de jarmusch, é um filme politicamente comprometido e com um final inevitável onde o frio assassino contratado, alheio a toda e qualquer espécie de mundo(s), homem fora do tempo, de hábitos obsessivos, gélido, quase mudo, completa a sua missão mas o «mundo», tal como ele é, ficará inevitavelmente – repita-se – na mesma. não se aplica aqui o princípio de lampedusa. belo. difícil. obra maior de jarmush.

ps: este texto não é uma crítica cinematográfica! 

Comments


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