A máquina do tempo: ler o Porto (e ler Óscar Lopes)

O.Lopes

Há um alfarrabista no Porto, a «Modo de Ler», na Praça Guilherme Gomes Fernandes, do qual sou cliente há anos. Mandam-me os catálogos, eu escolho, telefono a fazer a encomenda, enviam-ma registada e, na volta do correio, mando-lhes o cheque. Tudo na base da confiança. Funciona impecavelmente. Há dias, ofereceram-me um livro, de conteúdo valioso e graficamente muito bonito, editado pela Cooperativa Árvore e patrocinado pelo Jornal de Notícias. É uma edição de homenagem a esse grande vulto das nossas letras que é o Professor Óscar Lopes e tem o título «Modo de Ler o Porto». Este post é uma forma de agradecer a oferta, de manifestar a minha admiração por Óscar Lopes, o qual no decurso da minha carreira tive o grato prazer de encontrar por diversas vezes, de lhe dar os meus parabéns pelo seu 92º aniversário e de lhe agradecer tudo o que tem dado à cultura portuguesa.

Em 1969, a Editorial Inova publicou um volume de «crítica e interpretação literária» escrito por Óscar Lopes, com o título «Modo de Ler». E daqui houve nome a livraria, que agora colabora numa homenagem ao Professor, oferecendo este livro a alguns dos seus clientes.

Com um excelente prefácio do Professor Luís Adriano Carlos, onde começa por dizer que «É um sopro da cidade granítica animada pelo espírito criador que Óscar Lopes regista nesta breve colecção de textos. Um modo de ler o Porto que é também um modo de reescrever o seu imaginário vivo e latejante», dizendo depois que ler estes textos «é conhecer e compreender os aspectos mais diminutos, complexos e gerais de todo esse processo histórico, coerente e contraditório, tal como a cidade e a vida.»

Já tinha lido quase todos os textos, mas foi com gosto que os voltei a ler. Direi apenas que o primeiro é uma história literária do Porto, publicada em 1969 em «Modo de Ler», seguindo-se uma análise das repercussões do movimento simbolista (ou decadentista) na cidade e que foi uma conferência realizada no Ateneu Comercial do Porto em Outubro de 1989. Segue-se um estudo do percurso literário entre «O Arco de Sant’Ana», de Almeida Garrett até «Uma Família Inglesa», de Júlio Dinis, texto que fazia parte do volume «Álbum de Família», editado em 1984 pela Caminho, e que nos fala dos diversos «modos de ler» a história das gentes do Porto, de Garrett a Júlio Dinis, passando por Arnaldo Gama e por Camilo. Acaba com – «Daqui Houve Nome Portugal», um pequeno texto crítico sobre a antologia organizada por Eugénio de Andrade em 1968.

Uma iniciativa interessantíssima, um livrinho de grande interesse cultural e que, pelo cuidado gráfico que foi posto na sua execução, os bibliófilos adorarão guardar. Obrigado «Modo de Ler». Obrigado e parabéns Professor Óscar Lopes.

Comments

  1. isac says:

    é curioso. vivi muitos anos perto desta praça e conheço-a muito bem, mas não conheço esse alfarrabista.


  2. Nunca estive na livraria. Sempre os contactei através do telefone e por via postal. Mas essa é a morada que indicam.

  3. carla romualdo says:

    Creio que está num 2º andar, passa facilmente despercebida. Mais um belo texto e uma justa homenagem, Carlos


  4. Bom dia, Carla. O Professor Óscar Lopes é uma figura ímpar da nossa cultura.

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