A língua portuguesa é mesmo muito traiçoeira

Anda um português muito contente pela designação do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Senta-se o português e escreve no momento em que se sabe que o Rio ganhou a Madrid: “Entre os nossos irmãos ou nuestros hermanos, preferência clara pelos primeiros. A minha, e a dos votantes.”

Entretanto começa a polémica lusa habitual. Que o Brasil é um país pobre e não se devia meter nesses luxos. Que é um país de ladrões e criminosos incapaz de garantir a segurança dos Jogos (não hiperligo, mas é fácil de encontrar).

Senta-se novamente o português e escreve um título irónico: Os jogos olímpicos no país dos pobres presidido por um apedeuta, onde bate nos que chamam apedeuta ao Presidente Lula, defende o investimento nos Jogos Olímpicos, e termina com uma boca ao reaccionário Pelé, como bom adepto do Maradona que sempre foi.

E cai-lhe isto em cima: “Favelas são enfatizadas em comentários sobre as olimpíadas do Rio” subtítulo para uma prosa onde Pepe Chaves treslê tudo o que leu, cita fora do sítio, resumindo e concluindo: não pescou um chavelho, não viu o elefante olhou para a formiga que o cavalgava, entrou no Dia Mundial do Animal como uma alimária.

Agora levanta-se o português e berra: eu já não quero só um acordo ortográfico, quero um acordo gramatical completo. Ou uma declaração solene de ambos os países: português e brasileiro são línguas distintas com vagas raízes em comum.

A minha pátria ainda é a língua portuguesa, mas acabou de encolher nuns milhões de falantes. É triste.

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