Odisseia – programas fascinantes

Só é pena serem muito tarde, entre a uma e as duas da manhã, ás vezes mais tarde, mas são comentários sobre ciência e história absolutamente fascinantes.

Está a decorrer uma série ” Cirurgia” com imagens e testemunhos de muita gente que estiveram envolvidas, pessoalmente, na extraordinária saga da medicina cirúrgica. Na semana passada vi a “cirurgia cardio-toráxica”, desde os primeiros passos até ao primeiro transplante de coração pelo Prof Bernard em cape Town, na África do Sul.

Os primeiros grandes avanços, com o cirurgião a ter quatro minutos para fazer a incisão no coração e, com o abaixamento da temperatura do corpo, conseguirem mais quatro minutos num total de oito. A seguir a máquina “extracorporal” que permitiu o grande salto em frente e a execução das cirurgias pesadas que se conhecem hoje. O cientista que desenvolveu a máquina de “coração/pulmão trabalhou nela dezoito anos até que colegas seus conseguissem utilizá-la na prática cirurgica.

Pelo caminho ficaram o “coração/bomba artificial” que permite que o doente aguente o tempo suficiente para aparecer um coração compatível e as tentativas com a utilização do coração de porcos. Numa das entrevistas o cirurgião que utilizou,em primeiro lugar esta técnica, comentou divertido que o porco quando chegou ao hospital, no centro de Londres, fugiu da camioneta que o transportava . Quando o povo percebeu para que servia o porco, o hospital teve que ser protegido pela polícia.

Ontem o programa focou-se na neurocirurgia, mostrando o que representavam os hospitais de doenças mentais, numa altura em que não existiam os medicamentos que hoje existem e que permitem que milhões de pessoas vivam uma vida capaz. A Lobotomia, do nosso Prof. Egas Moniz (curiosamente não foi referido no programa) a primeira técnica com intuitos curativos de doenças mentais, e que era algo de absolutamente incrivel para uma pessoas normal, a esta distãncia.

Ainda vive um homem que aos doze anos foi sujeito a uma Lobotomia e que pode ser estudado hoje, com as novas técnicas não invasivas de imagiologia. Lá estão, no Lobo Frontal, dois buracos feitos pelo cirurgião, através do lobo ocular, algo que foi mostrado e que tocava as raias do absurdo. Hoje faz-se o mapeamento do cérebro com o cirurgião a operar com o doente desperto para poder aquilatar da eficácia da operação, conversando com o doente.

Homens e mulheres de grande coragem e inteligência que aqui e ali pisaram a linha que limita a área do ético e do razoável.

Comments

  1. maria monteiro says:

    Milos Forman criou uma certa incomodação em “Voando sobre um ninho de cucos” onde muito bem retratou o drama dos doentes mentais e a dureza de “muitos tratamentos”Pena é que os programas fascinantes sejam fora de horas e… nos outros canais