BREVE COMENTÁRIO A CARLOS LOURES

Uma beleza, Carlos. E a beleza é, por assim dizer, a irmã gémea da poesia. Não consigo separá-las.
Também não conhecia o poema de Peggy Seeger. Muito bonito, mas confesso a minha deficiência, é-me muito difícil absorver a essência, a gema, o cerne de um poema, que não seja em português, ou então numa tradução feliz, que não é frequente porque ser tradutor de poesia implica ser-se poeta. Na minha opinião, uma situação bem diferente do romance ou de qualquer outro trabalho. Adoro Neruda, Garcia Lorca, Goethe, Rilke e muitos outros, mas não chego lá, ao caroço, à alma de um poema da minha língua, da minha rua, da minha pele. Quanto ao CHE, nada mais se pode dizer para além daquilo que eu digo há muitos anos: Neste mundo HÁ ALMAS GRANDES E ALMAS PEQUENAS, e o resto são cantigas.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    De facto, a poesia é muito difícil de traduzir, por ser um complexo tecido de sentimentos relacionados com palavras concretas, na língua em que o poema foi concebido. Che Guevara foi poesia em acção e é de facto, tão difícil como traduzir um poema, traduzir em palavras e em sentimentos de hoje aquilo que muita gente sentiu quando ele foi sumariamente executado na Bolívia. Um abraço e muito obrigado pelo teu comentário, Adão Cruz.

  2. Carlos Ruão says:

    meu caro adão cruz, permita-me que lhe diga que a Poesia há muito tempo deixou de estar, por assim dizer, «espartilhada» pelo Belo ou mesmo com ele partilhar irmandades solitárias.a cultura helénica salientou isso mesmo em textos como a «arte poética» de Horácio ou «sobre o sublime» de Pseudo-Longino. o século XVIII deu o golpe fatal com a discussão em torno do «Gosto» onde para a além do Belo, novas categorias surgiram: o «característico», o «pitoresco» e o «sublime», esta última salientada já pelo empirismo de E. Burke ou pela filosofia kantiana como oposta ao conceito de Beleza. o «sublime» será a categoria por excelência do movimento romântico. um exemplo: poderemos considerar o «paraíso perdido» de Milton como «belo» ou, para avançarmos para o século XIX, os textos de «as flores do mal» de Baudelaire, belos ? de facto, o conceito de Belo é apenas útil à Poesia quando falámos de estruturas clássicas e nem de todas: na «Ilíada», a título de exemplo, a descrição do «escudo de aquiles» é certamente bela, mas que dizer da «ira funesta do herói que, colérico, abandona o campo de batalha ?». aqui falámos de «sublime» ou de «terrífico» como categorias estéticas autónomas. ora, uma das grandes dificuldades da arte e cultura contemporâneas, no geral, é a tentativa de procurar o Belo em muitos lugares onde manifestamente não está presente, por ordem, desejo e razão. (vide: Ortega y Gasset «a desumanização da arte»)abraço.

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