Debate sobre o RSI – O Portugal dos Pequeninos

Fico chocado com o facto de a fraude na atribuição do RSI ser um tema suficientemente importante, no contexto actual, para ser debatido.

Sinceramente, penso que o país tem problemas bem mais sérios, com custos económicos e sociais francamente mais elevados, com que se preocupar.

A fraude ao RSI é verdadeiramente insignificante por alguns motivos muito simples:

1 – A expressão orçamental é muito reduzida;

2 – Os beneficiários fraudulentos são pessoas que, tivessem nascido em França, teriam direito ao RSI sem recurso a fraude, uma vez que, no fundo, até nem são “ricos”;

Também não procede muito bem a ideia do subsidio à preguiça. O Homo Preguiçosus parece-me ser dos maiores mitos urbanos que existe. Não vejo uma corrida das pessoas ao desemprego para tentarem obter os subsidios a que essa situação lhes daria direito. Nem conheço pessoas que queiram permanecer propositadamente na pobreza para não perderem o subsídio. Mais frequente é, de facto, ver pessoas a acumularem prestações sociais com salários. Mas nem isso me chateia muito. Por um motivo muito simples: Nem com a fraude conseguem fugir da pobreza! Conseguissem ter condutas fraudulentas na direcção do BPP e talvez tivessem melhor sorte…!

É evidente que situações de fraude existem, assim como existirão um punhado de “ovelhas negras” que estouram as prestações sociais em cerveja e não “gostam” do trabalho. Assim como é evidente que estas situações devem ser combatidas. Assim como é evidente  que as prestações sociais têm que ser aumentadas. Assim como é evidente que estas ovelhas negras constituem uma esmagadora minoria.

Por estes motivos, estou sériamente despreocupado com a fraude ao RSI, e às prestações sociais em geral. Preocupam-me sim as fraudes nos sistemas financeiros e nos concursos públicos, entre outros problemas que podiam ser resolvidos com recursos “desperdiçados” na busca do “desgraçado” que, graças a uma fraude qualquer, consegue ter um rendimento de 700€ em vez dos 450€ do salário mínimo.

Nesta ordem de ideias, só me resta uma última conclusão, em termos políticos: Paulo Portas anda a galopar eleitoralmente a pequena inveja de paróquia, aquela pequenez tão portuguesa, a tal que faz com que estas irrelevantes situações se tornem (no contexto actual) dignas de debates superiores a 5 segundos. Apela ao que de pior existe entre vizinhos. E presta, com isso, um péssimo serviço à qualidade do ar que se respira na nossa sociedade.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    O CDS responde a isso dizendo que os concursos fraudulentos são meia dúzia e os pobres são uma dezenas de milhar. É por isso que nunca se dirigem políticas para os milionários. São poucos e têm sempre maneira de fugir.Não sei é como vão explicar os 3 mil milhões que já meteram no BNP, e no BPP e no BCP…

  2. Pedro M says:

    O CDS, que permitiu uma amnistia fiscal de 11.200 milhões de euros a empresas no off-shore da Madeira não tem grande credibilidade para falar de subsidiodependentes.

    Quase toda a gente ignora que a prestação média é de 150€ e 85% dos beneficiários são idosos, crianças e pessoas portadoras de deficiência ou doença crónica.

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