A sexualidade na escola

Levei uma sova de todo o tamanho quando o Padre de religião e moral soube que eu namorava. Fechou-me numa sala e bateu-me a ponto de eu lhe dizer que se tornasse a tocar-me me defendia.

 

Fui confessar-me e o padre escreveu num papel "eu sou um rapaz fraco" e colocou na minha carteira de forma a que sempre que eu a abria, lê-se a frase. Só percebi quando alguem mais velho me disse o que é que aquilo queria dizer. O Padre estava preocupado porque eu estava na idade da pívia.

 

Ficava com um sentimento de culpa sempre que me roçava por alguma amiga, ou apertava o par nos bailes de sábado à tarde. Culpa e remorso se me adiantava  com as amigas mesmo que elas não se importassem.  O meu próprio pai ia-me dizendo  para eu não fazer às raparigas o que não gostaria que fizessem às minhas irmãs (quatro).

 

A educação sexual que eu recebi só não me enviou para o "vale dos ímpios" porque eu era um rapazinho feito de material de primeira, terra da boa, onde o trigo germinava mais depressa e melhor que as ervas daninhas.

 

Aprendi nas aulas práticas já que nunca tive aulas teóricas.

 

Ensinar o que é viver, o que é a vida, ser um bom cidadão, ser bom namorado, bom marido e bom pai, devia ser a mais importante disciplina do curiculum escolar, mas o que se ensina nesta disciplina é, em muitas coisas, incompatível com a doutrina da Igreja.

 

Não podemos fazer à Igreja o que a sua hierarquia nos faz a nós. Culpá-la, enviá-la para o inferno, porque há muitas coisas boas que aprendi na Igreja e à sua maneira sempre me protegeu. Eu quando não tinha aulas ficava nos adros das Igrejas, para o meu pai era o lugar mais seguro.

 

Mas é claro que aqueles tempos não são estes tempos. No meu tempo, o inferno era qualquer coisa que estava ao lado do Céu, pelo menos era uma passagem para um sítio melhor, mas agora o Inferno é cá em baixo, não é passagem para nada.

 

A SIDA e as hepatites e as outras doenças sexualmente transmitidas não se compadecem com doutrinas, exigem um combate sem tréguas e isso passa por uma vivência sexual transparente e responsável.

 

Como tive ocasião de dizer a um senhor Bispo, "o que me pede não se faz a um filho".

Discutíamos o uso do preservativo e o meu filho de dezassete anos, andava de comboio Europa fora.

 

 

Comments


  1. Os meus problemas com a Igreja começaram ainda antes da puberdade. Na catequese, perguntei ao padre (da Igreja de São Domingos) se o Espírito Santo, o da Santíssima Trindade, era o mesmo que jogava no Benfica. Na época, havia com esse nome um grande avançado, do SLB e da selecção e, com 6 ou 7 anos, nem estava a ironizar. O padre disse à minha mãe que eu era «uma criança estranha», dando-lhe a entender que se se esquecesse de me mandar lá, o esquecimento seria bem-vindo. A minha ruptura com a Igreja começou logo nessa altura, quando deixaram de dar respostas coerentes às minhas perguntas. Pois cabe lá na cabeça de alguém que uma pessoa pode ser três…


  2. Bem me lembro do Espírito Santo do Benfica…


  3. Não sei se ainda é vivo. Se é, já vai nos 90. Além de grande futebolista, era um excelente atleta, pertencendo-lhe o recorde nacional do salto em altura durante muitos anos.


  4. Ainda o vi jogar já na fase descendente. Tinha um pé esquerdo fantástico. Era um atleta de primeira.


  5. Eu dizia-te.. dizia-te o que e DO que tu precisavas!!!! E o que sabes e o que fizeste….pois pois tu precisavas e gostavas era de umas reguadas mas num sitio que agora nao digo..sim sim raposa as uvas estão verdes, a avaliação é precisa e os homens não se devem casar!!! sim sim..Marina, bai-me à loja que está lá gente!!! dalby