Angela Merkel diz: o Dia da Felicidade

Berlim, 1 de Setembro de 1986

 

Hoje, 9 de de Novembro de 2009,  Jerónimo de Sousa denuncia um mundo "mais injusto, com mais desigualdades e mais perigoso". Como se este mundo, não fosse incomparavelmente mais democrático, justo e seguro que aquele de há vinte anos! As desigualdades entre alemães de leste e do antigo ocidente, devem-se antes de tudo, à ocupação e despotismo soviéticos, exercidos através do regime dos gauleiters W. Stoph e Erich Honnecker. 6.000.000 de cidadãos catalogados na sede da Stasi, medo generalizado, prepotência e depotismo levados ao limite por uma STASI doze vezes mais vasta que a Gestapo de Adolf Hitler. Um protectorado russo – ao mesmo nível do Reichsproktetorat da Boémia-Morávia de 1939-45 -, a RDA era patrocinadora de todo o tipo de terrorismo e os seus líderes participavam lucrativamente no tráfico internacional de armas e de estupefacientes. Uma população que auferia de cerca de 30%  do nível de vida dos seus concidadãos ocidentais e que hoje atinge – ainda insatisfatoriamente – 70% da média da antiga República Federal da Alemanha. As cidades hoje limpas, reconstruídas e com o arruinado património arquitectónico em quase completa fase de recuperação.Gente que pode circular, ler, escrever e pensar, sem medo de delação por parte de um amigo, vizinho ou familiar. Muito falta por fazer, dizem os alemães. Decerto.

 

Visitei Berlim-leste em 1986. Uma cidade plena de ruínas da II Guerra Mundial, triste, cinzenta e onde era impossível estabelecer qualquer tipo de diálogo com habitantes que nos olhavam  à distância com uma mescla de medo e curiosidade. Uma cidade policiada a cada esquina, com poucas lojas cheias de prateleiras vazias. Jamais esquecerei a experiência à saída daquele "supermercado" reservado a quem possuía numerário ocidental – os poucos turistas e a gente do Partido SED-, quando tendo comprado alguns chocolates, batatas fritas e alguns outros snacksprovenientes do Ocidente, deparei com três miúdos que olhavam fixamente o meu prometedor saco de plástico. Ofereci-lhes tudo quanto comprara e não me arrependi, tendo há muito a certeza de que pouco tempo faltaria para que eles próprios pudessem ter uma vida normal, sensivelmente idêntica à dos seus irmãos da Alemanha Ocidental.

 

Mas que diferença esta Alemanha oriental, daquela outra que visitei em Setembro de 1986 e que era um pardieiro de lixeiras a céu aberto, rios e terrenos poluídos, policias em cada esquina, soldados de ocupação, uniformes por todo o lado, passos de ganso, gente triste, cabisbaixa, mal vestida e proibida de falar com os estrangeiros! Que diferença, sr. Jerónimo de de Sousa, que diferença!

 

O fim de Honnecker foi rápido, lapidar e soube procurar um tranquilo refúgio para os seus últimos dias de vida neste mundo: o Chile do general Pinochet.

 

 

Comments


  1. É verdade, tambem vi essa diferença, e na Rússia, e na Ucrânia, na Roménia,…ainda hoje os edificios onde viviam as pessoas metem medo.Ao contrário, os monumentos são impressionantes de fausto e luxo.

  2. maria monteiro says:

    também há desencantos na felicidade …. todos os anos o governo federal alemão faz uma sondagem entre a população do Leste sobre as actuais condições de vida em comparação com a experiência da RDA socialista…. A maioria dos alemães de Leste continua a preferir o socialismo e mostra-se desiludida com o capitalismo. A última sondagem (26 de Junho) publicados no jornal Berliner Zeitung : «a maioria dos inquiridos considera que a antiga República Democrática Alemã (RDA) tinha «mais aspectos positivos que negativos”. «Passados 20 anos de anexação, 57 por cento da população da ex-RDA continua a defender o socialismo.»

  3. maria monteiro says:

    quem está por dentro verifica que há crianças a chegarem à escola com fome e torna-se ainda mais evidente à segunda-feira…. e estamos a falar de Portugal em 2009


  4. Aí está um bom laboratório para perceber o que torna as pessoas felizes. parece que uma das coisas mais importantes para os Alemães de Leste é a segurança de terem um futuro assegurado, e que agora não têm.

  5. maria monteiro says:

    agora têm fogo de artificio …