O Diabo por Belzebú

É o espírito que conduz o mundo e não a inteligência

Antoine de Saint-Exupéry

 

Em 9 de Novembro 1989 caiu o muro de Berlim. Existia então a seguinte situação com os seguintes ingredientes imateriais: um sóciosistema podre, não reformável e condenado, uma constelação astral propícia, o mês dos Escorpiões, Novembro, e uma banda chamada “Scorpions” (“Escorpiões”) que cantando a canção “Wind of Change”* augurava mudanças. E estas mudanças materializaram-se.

 

O que na altura não se viu ou não se quis ver, foi o facto que todo o sistema mundial estava podre e caduco. Assim, este, com a queda do muro e com a despedida do indispensável antagonista “socialismo”, ficou fora de equilibrio de vez. Mas nós, na nossa mania de vermos apenas vencedores e vencidos e não tanto o bem comum e o TODO, declarámos a vitória unilateral do capitalismo pensando que iamos viver felizes para sempre.

 

Todavia, como um mundo unipolar e sem antagonistas não funciona, tiveram que surgir outros “ismos” (islamismo, fundamentalismo religioso, etc.) para tomar o lugar do defunto socialismo. Por outras palavras: substituimos, a partir e 1989, o diabo por belzebú. Por isso, após 20 anos de vãs tentativas – Globalização – de alcançarmos a felizidade, bem-estar e a harmonia, os ventos da mudança, desde 1989 suprimidos, ignorados e não aproveitados na altura para criar uma nova ordem, fazem-se sentir com cada vez mais força para restabelecer o equilibrio e a harmonia perdidas. Quem se opõe corre perigo de sucumbir, temos é que acompanhá-los. Assim teremos uma boa oportunidade de chegarmos, após alguns sustos e sobresaltos, a um mundo melhor.

 

Penso que em breve a canção “Wind of Change” conhecerá uma nova edição – talvez em em Novembro de 2010?

 

RD – bloguer convidado

 

P.S. Por mais paradoxal que pareça: depois da grande mundança qualitativa teremos os dois antagonistas, capitalismo e socialismo (ou egocentrismo e sóciocentrismo), de volta – felizmente! Todavia, desta vez sem estarem bipolarizados e sob uma forma de pensar e agir que permita vencer a dualidade entre os dois: olhando para a frente e primeiro para o benefíco do próximo. É esta a receita para os tempos áureos que o mundo periodicamente tem conhecido e voltará a conhecer quando a grande “seca” acabar. E então, em vez de quaisquer “ismos” estúpidos, teremos novo crescimento e ascensão sócioeconómica, política, cultural e ecológica para todos, ou seja, para os mais ricos e os mais humildes. Claro, tudo isso até que um dia voltarmos ao comportamento linear que depois traz consigo novos “ismos”. A não ser que entretanto tenha chegado o momento em que se cumpre o seguinte vaticínio feito em 1969:

 “O desenvolvimento espiritual da humanidade  acontecerá em três épocas: 1º comportamento  instintivo animalesco,  2º comportamento linear  sob o lema: o que serviu ontem, também há-de  servir hoje e 3º pensar e comportamento “em  espiral”. Com o comportamento em “espiral”  começará a reunificação entre natureza, homem  e técnica e com ela a época mais nobre da humanidade.” 

Professor Pannikar, catedrático para a filosofia  hinduista da Universidade de Benares (Frankfurter  Allgemeine Zeitung, 22.01.69)

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.