Parece como se estivesse a falar duma meninada que não mexe, que não tem imaginário, que é triste. Como se tivesse mais anos dos que a cronologia do tempo nos diz. Bem queria eu falar desses. Fica prometido.Porque da criança velha que falo, a do círculo dos ciclos de vida, referidos por mim noutros textos e por especialistas em geriatria com os quais tenho tratado para entender essa viragem da vida. A vida começa em bebé primário e acaba em bebé secundário, dizem-me esses especialistas e diz-me a observação participante feita em terreno europeu ou latino-americano. O ciclo bebé primário é curto e acaba quando o pequeno entra na memória social. O ciclo do bebé secundário é curto também: começa com a perda da memória social, da identidade de si, da identidade dos outros, do sítio onde mora. Não sabe onde está. Não entende as palavras. Confunde as situações. Pensa que o ser que está ao pé de si é o pai ou a mãe. É um regredir à infância.ag
ens que mais ninguém vê e fala com elas. Às tantas, fica cansado e adormece no chão, ou no canto da cama onde o bebé secundário foi deitado com amor e carinho, para acordar decabeça para abaixo e pés por cima da pessoa adulta que o acompanha. Ou, como relata um adulto que tem um bebé secundário, acorda a brincar sentado no peito do mesmo. E chama, chama, chama. Grita sons imperceptíveis para o glossário comum da memória social. Bebés secundários, que tiram as fraldas que usam, para satisfazerem os seus desejos eróticos parte da memória genética que os bebés primários trazem consigo ao nascer; parte da memória interactiva que o bebé secundário deixa ao abandonar a memória social. Esfregar genital, que os adultos no dito uso de razão rejeitam por acreditarem numa ética pouco apropriada para tratar de crianças primárias ou secundárias. Adultos para quem o erotismo é pecado e por isso deve ser guardado para a idade da interacção, sem se lembrarem da sua infância, nem da sua puberdade, nem tão pouco da sua própria maturidade erótica, essa que adora jogar com o prazer que faz a reprodução. Prazer que faz crianças, logo, faz história. Prazer que nasce connosco e morre quando o corpo é já carcaça sem espírito.

alvarmos da troca comercial que de nós fazem, especialmente os descendentes aterrorizados de ver feito bebé o seu adulto maior, esse que um dia os fez e os soube criar com amor. É para entendermos o actual ciclo de vida e saibamos, em casa, tomar conta da criança velha. Especialistas em família somos nós, os que em família sabemos viver: a cronologia do grupo mudou e o seu comportamento também. Hoje há crianças bebés e crianças velhas. Saibamos agir, especialmente em lares onde há pequenada nova, para se integrarem na heterogénea realidade da vida.
Tolstoy 1910





Terminamos como começamos, não é, professor? Como crianças dependentes.Olho para o meu bebé e aquela boquinha sem dentes, tão linda. Olho para o meu velho pai sem dentes. Impressiona. Definitivamente, não é a mesma coisa.
Caro Ricardo, este texto foi escrito a pensar na minha mãe e os seus 90 anos, que tive que tratar no Hospital com avental branco e estetoscópio. E verdade, acabamos como começamos. Veja a Imagem de Goya e a su decepção perante a vida, um auto retrato. No caso da nossa mãe, tomei conta dela com canções de embalar, dar o biberão e mudar draldas. Tinha uma enfermeira para ela, mas, enquanto estava eu, era eu quem fazia todo. Até tornou a ficar como pequena bebé. Perguntou-me um dia, essa falsa recuperação que anuncia a entrada na eternidad: porque há tanta gente em casa? Ripostei: estão a espera de um funeral. Qual?. O seu, mãe, já é tempo que descanse e vai ter com o seu homem, o meu Pai. Achas?. Sim. Durante a noite solicitou a mão da enfermeira, agarrou, e faleceu em paz, se ruga nenhuma na sua cara e um sorriso infantil que nem dava para chorar. Seu bebé ainda está longe do assunto, tem que passar antes pelas suas provas de eternidade!
Comentei ao nosso patrão, enquanto a minha família toda está reunida para o matrimónio do fiscal de justiça do Chile, o meu sobrinho Andrés Iturra Herrera , Fiscal da Justiça no Chile, ou Procurador geral, como são denominados em outros sítios. Por me ser proibido até andar de carro, não fui. Mas, não é o motivo de este comentário. Como bem diz Ricardo Santos Pinto, uma pessoa impossível de contactar, começamos dependentes e acabamos dependentes. Ai, se assim não for, não haveria solidariedade humana. É verdade que é uma temática, como a morte, da que nunca se fala. As pessoas evitam os danos emotivos que estes temas incutem na nossa psique. Com a minha mãe já nos seus 90, tomei conta dela no Hospital, e nas horas que dormia, com avental e estetoscópio na mão, pesquisei entre os anciões e anciãs. Era característico perceber que estavam abandonados no Hospital e que precisavam de carinho. Usei o estetoscópio imensas vezes , não apenas para auscultar, mas para dar carinho, e muito. O prolongado tempo que ai passei, fez-me entender que a sociedade procura pessoas úteis e em condições. É o que o neo- liberalismo tem. Nos oferecido. Ricardo Santos comenta o prazer de dar “papa” a sua filha, mas o desgosto que sentia de tratar do seu pai. É muito comum ver que, os antes todo-poderosos pais, uma vez desvalidos, acabam por ser um anátema para os seus descendentes. A vida social fecha as crianças em bebé, nas casas de infantário e aos adultos maiores, em lares. Nos meus quase sessenta, já a minha descendência tem-me inscrito em vários lares…têm muito trabalho e não conseguem tomar conta dos convalido . Ainda, os mais novos, não pensaram que um dias os filhos juntam-se com outras pessoas e vão-se embora. Quem tem a sorte de ser bondoso com os seus filhos, terá uma velhice calma, como a avó e mãe de uma minha amiga, que dava todo o seu tempo sem desmaiara, para a sua mãe imobilizada por um AVC , treinada como estava já com a sua avó. Os senhores que leiam texto e comentários, podem saber que não há mellhor refugio para a velhice, que a sua cama, o seu quarto e o seu lar. Mal começou a nossa Senhora mãe a falecer, foi levada de imediato a casa, onde durante quase uma semana recuperou memória e agilidade. É denominada a melhoria da morte, mas melhoria. Normalmente no desespero e na culpa, esses velhos deixam uma lembrança da que é impossível fugir, pela sua simpatia e bondade. É bem mais duro, quando a pessoa senil já perdeu a pessoa que a acompanhava: a falta de amor mata aos velhos mais do que as doenças ou a separação. Bem lembro eu como levava a mãe ao cinema, ao café, a Igreja-não sou homem de fé, mas ela o era profundamente. O médico tem ese papel: auscultar e dar carinho. Faltava-me acrescentar estas ideias. Lá vão para os que tenham paciência. Viver com uma mulher, ou homem, jovem e bonit@ e com bebés que nos fazem sentir importantes, é doce como o mel, mas dura apenas os anos que mediam entre a minor idade e o dia de encontar ao seu par.Acreditem que não há melhor prazer que tomar conta dos nossos procriadores. Observado tenho em Portugal, como a senilidade dos nossos adultos causa náuseas nos mais novos, mas se o nosso divertimento é partilhado com eles, dá uma memória de alegria. Não é por acaso que poste Morrer e viver em Portugal. O abandono começa ao se pensarem os mais novos, uma família nuclear. É verdade, como tebho escrito em livros e ensios, que á esses adultos que tomam pose dos mais novos, os seus netos. Os ciúmes são imponderaveis. Ou, como aonteceu com um amigo meu: mal a mãe, que ele adorava teve um acidente vascular, nem queria visita-la, habituado como estava a ver um mulher forte, de família antiga que até governara este país. Com paciência-fazia o doutoramento comigo, o levei à mãe e falamos de todo, é dizer, de nada, mas ficou habituado e treinado a levar a máe a dar passeios de carro. Suficiente. RI