Henrique Neto e os partidos

Livre de grilhões que lhe poderiam apertar os calos, Henrique Neto há muito mostrou que não obedece a estratégias partidárias nem se verga perante eventuais interesses que lhe poderiam prometer mundos e fundos a troco de algum silêncio. Embora ligado ao PS, continua a dizer o que lhe vai na alma. E, pelo que diz, a sua alma deve estar ‘negra’.

Há umas semanas dizia que há medo no PS, agora acusa o chefe do partido de favorecer a corrupção e não poupa ninguém na questão do financiamento dos partidos.

Memórias do Pintarroxo (I)


Uma componente forte do Aventar será a colaboração, a nível de parcerias, com a imprensa regional. Com as Autárquicas no horizonte, algumas surpresas estão guardadas para o futuro.
A partir de hoje, dedicarei uma série de «posts» a José Pinto da Rocha, o «Pintarroxo», desconhecido jornalista regional de meados do século XX. Boémio, libertino, desregrado, doidivanas. Mas inteligente, sarcástico, divertido, fascinante e muito talentoso. A crónica social, a crítica mordaz, os problemas familiares do «Zé da Pouparelha», no seu trabalho de correspondente no jornal «O Progresso de Paredes».

«Hoje, dia de Entrudo, vamos comer um caldinho de azeite, porque estamos em dieta rigorosa. O médico que nos recomendou isto é um bocado azarento!… Mas, diz ele, que tenho os intestinos corrompidos de beber tanta vinhaça americana! Como tenho uma correia para apertar o estômago e vão arrancar as videiras, talvez melhore da barriga. Vou passar a beber vinho de seis tostões o quartilho, visto não poder beber água; basta falar-me nela para apanhar uma constipação! Se for obrigado a bebê-la, duro pouco tempo, e é uma pena morrer…»

in «O Progresso de Paredes», 5 de Março de 1935

Sugestão para ida ao videoclube (2)

“Estou totalmente doido e não vou aturar mais isto!”

Parlamentares da III República (1974 – 2009)

in http://www.marcos-sa.net

 
Em jeito de boas-vindas ao Ricardo Fonseca de Almeida, o mais recente elemento do Aventar, inicio hoje a publicação regular, mas sem periodicidade certa, de uma obra encomendada há uns anos por uma editora de Vila Nova de Gaia, que nunca chegou a ver a luz do dia devido à falência da empresa.
Chamar-se-ia essa obra «Dicionário de Políticos Portugueses» e a parte que estava a meu cargo era a da III República – entre 1974 e a actualidade. Mais do que meras biografias e curriculuns, pedia-se uma apreciação pessoal, dentro do possível, de cada um dos parlamentares que passou pela Assembleia da República desde o 25 de Abril.
Apresento esta obra, a partir de hoje, como a deixei na altura, com os erros e as lacunas decorrentes do facto de nunca ter sido concluída.

Ou Sócrates muda ou a crise devora-nos

Maria João Rodrigues, conselheira junto das instituições europeias e ex-ministra da Segurança Social diz: «O objectivo central é evitar o desemprego em massa e criar empregos alternativos – em tudo o que tem a ver com tecnologias verdes e novas tecnologias energéticas, transportes,reabilitação urbana e habitação,serviços às pequenas e médias empresas e às pessoas e industrias criativas. Os investimentos públicos têm de ter uma justificação de longo prazo, efeitos rápidos no curto termo e traduzirem-se na criação de emprego!»
Que tal, não é muito mais racional e lógico do que os Megaprojectos? E quanto ao desbloqueamento dos créditos junto dos bancos? Temos que ser muito claros com os bancos – se querem ter o apoio público, têm que conceder o crédito a custos muito mais baixos, porque a taxa de juro geral está a baixar e não é de excluir que desça ainda mais. Tudo muito parecido com o que se passa em Portugal, não é?
E onde se vai buscar o dinheiro? Com emissão de “eurobonds” que só podiam servir para financiar os investimentos com prioridade definida a nível europeu! Uma maneira discreta de “meter a massa que está fora do circuito” no sistema e de trazer para a europa “paletes” de eurodólares que estão nas mãos dos Chineses e dos produtores de petróleo (isto sou eu que digo). Trazer dinheiro para a economia do futuro – novas redes de enegia, energias renováveis, educação e formação para empregos do futuro e redes de equipamentos sociais.
Como se pode ver, a nossa desgraça é o nosso primeiro ministro ser muito determinado e trabalhador. Se ele tivesse o bom senso de ouvir as pessoas e faltasse às diárias conferências de imprensa na RTP1, teria tempo para pensar. Assim, temos que o acordar com o voto…

Inauguração:

É já esta sexta, 8 de Maio, pelas 19h09, a inauguração do “Na Garagem da Vizinha” na Rua Padre António, no centro da Maia (em frente à Câmara e ao Fórum da Maia).

Estão todos convidados.

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i há espaço para um novo jornal diário?

Sempre gostei de jornais. Do desfolhar das folhas, do papel mais ou menos grosso, mais ou menos aguado, da tinta, mais ou menos suja, das letras a saltitar, das fotografias grandes ou pequenas ou mais ou menos, dos filetes, dos desaparecidos linguados, dos títulos, das gordas, das magras, das colunas, das caixas baixas ou altas, de tudo.

Leio jornais desde pequeno, desde o tempo em que as páginas eram todas a preto e branco e cinzento. Desde a altura das enormes páginas do Jornal de Notícias, que eram quase do meu tamanho. Desde o momento em que colocar as mãos no jornal significava sujar os dedos de tinta.

Eram os dias em que o Expressa chegava ao grande Porto, na maior parte das vezes, ao início da tarde. Era a hora da corrida ao quiosque para o comprar. Algumas vezes vinha de mãos a abanar. Já tinha esgotado. Após umas três ou quatro vezes, tomei uma resolução: reservei o jornal. Foi tiro e queda.

Às bancas chegou hoje um novo jornal: i. Elogie-se a coragem. O i terá de algo muito mais do que apenas mais um. Terá de ser um produto diferente e de qualidade para chegar junto do seu público. A tarefa não é fácil.

Hoje, continuo a gostar de jornais, embora, admito, em grande parte a internet ganhe muito mais tempo na minha consulta de notícias e informação. Apesar disso, as folhas continuam a fazer parte do meu dia a dia. Há mais páginas, há mais informação, mais notícias, mas há menos jornalismo, menos reportagem, menos entrevistas de qualidade. Para compensar, há mais e melhor opinião.

Às bancas chegou hoje (à hora a que escrevo ainda não o li ou sequer toquei) um novo jornal: i. Num momento em que alguns reformulam o seu projecto editorial e outros mexem nas redacções e no estilo, em busca da redução de custos ou obtenção de mais leitores, o grupo Sojormedia investe mais de dez milhões de euros num projecto que, disse o director do novo periódico, Martim Avillez Figueiredo, destina-se a ser rentável num prazo de cinco anos.

Elogie-se a coragem. Em período de crise económica, que afecta a angariação de publicidade, numa etapa do nosso mundo em que a comunicação social é um dos sectores que mais pesados desafios enfrenta para se adaptar ao ‘admirável mundo novo’, é preciso bravura para lançar um projecto deste género. Com uma redacção das mais modernas do país, 74 jornalistas e edições de segunda a sábado (não sai ao domingo), o i terá de algo muito mais do que apenas mais um. Terá de ser um produto diferente e de qualidade para chegar junto do seu público. E, desde já, com a missão de mostrar que não é um veículo de estratégia empresarial de um grupo que ganha cada vez mais espaço no nosso país. A tarefa não é fácil.

P.S. O Boston Globe salvou-se. Pelo menos para já. Fico satisfeito por isso.

O caminho do mundo e do país

Confesso que ando com algum medo e principalmente, confuso com o caminho do mundo e do país. Para onde caminha? Não consigo descortinar lá muito bem. Tenho uma visão utópica (ou será distópica?) do futuro. Se calhar são filmes a mais. Espero bem que seja isso. Mas depois, mesmo sem querer, lá tropeço nas bases das minhas visões utópicas.
O CDS-PP acusa o Governo de “incompetência” e manifesta-se contra um regime de “monopólios” no mercado da produção de leite. No leite? Só? Qualquer negócio ou serviço caminha rapidamente para a total monopolização. Claro que a realidade portuguesa é muito pequena. A nível mundial (até porque já não faz sentido falar em países) a monopolização é tão grande que até sai fora do ângulo de visão. A Fiat que há dois anos debatia-se para sobreviver, agora vai-se tornar o 2.º maior grupo automóvel, comprando a Chrysler. A seguir vem a Volkswagen comprar a Porsche. Quando vai parar? Quando todas as marcas automóveis sejam da mesma entidade. E isto é transversal a todos os negócios e a todas as indústrias. Qual é o problema disto? Influência directa mais uma vez. E desta vez até há um estudo que prova isso. Fantástico este Maravilhoso Mundo Novo dos Estudos. Mas quando penso que já encontrei um padrão de acontecimentos, o Estado decide surpreender-me e concessionar o património público! Inacreditável. Nunca conseguiria atingir um tal alto nível de imaginação. No final, o mesmo resultado de sempre: como a culpa é nossa, pagamos nós. É justo. E temo que será sempre assim.

Existe previsão meteorológica, previsão do trânsito e até (pasme-se!) previsões económicas, apesar de ninguém conseguir prever nada de jeito! Como é que não existe uma ampla investigação e estudo do futuro da própria sociedade? Saber quais as implicações futuras dos actos no presente? Eu acho que perante estas pequenas, mas reveladoras evidências de um mundo totalmente corporativista e dos seus problemas, se calhar deveriam-se introduzir as utopias como uma nova disciplina nas escolas, como a matemática ou o português.Pelo menos mostrava-se aos mais jovens, como poderá ser o mundo onde irão viver quando sairem da escola. Pelo menos, percebiam logo aos 15 anos como de facto tudo isto funciona. Podia ser que fizesse alguma diferença. Mal não faria de certeza.

Marmotas de rabo na boca à moda do Porto

marmotas

Andei o dia todo nisto. Escrevo, não escrevo… Questões de culinário no Aventar? É delicado, pá, disso para comigo mesmo. Um, que se saiba, é vegetariano. Outro adora carne, eu sou um belo garfo e topo a tudo. É por isso que estava no dilema de abordar uma receita que há muitos anos nos acompanha: as marmotas de rabo na boca. Decidi faze-lo, sabendo dos riscos de me levarem a mal. As receitas são o que são, cada um pode faze-las à sua maneira e gosto, com ou mais picante, com mais ou menos molho.

Apesar dos meus dotes culinários até serem engraçados, resolvi documentar-me num dos belos manuais existentes na nossa praça: o jornal Público (link não disponível).

Vamos começar: arregacem as mangas, coloquem o avental (a diferença, se não tiverem reparado, entre avental e aventar está apenas numa letra). Em cima da banca de trabalho deve estar já uma bela de uma VCI, ainda fresca apesar de já existir há muitos anos. Vamos amanha-la com a ajuda de uns fantásticos pórticos, com intervenção aqui e ali. Tenha em atenção que devem ter umas câmaras fotográficas que disparam quando alguém passa a mais de 90 quilómetros por hora.

Com a farinha de culinária preparada para enviar as multas dos aceleras, vamos tratar de colocar as nossa marmota / VCI a jeito, com os temperos necessários.

A Câmara do Porto não tem sal suficiente para enviar a farinha e garante que não tem de o fazer. É a Estradas de Portugal, dizem. Esta alega que as ervas aromática cabem ao Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (por via da marmota / VCI ter sido integrada na concessão Douro Litoral). Este assegura que o sal das infracções cabe às forças de segurança (PSP e GNR). Por seu lado, estas remetem os temperos todos para a Câmara do Porto. Neste ponto, a marmota / VCI está pronta para ir ao lume.

Fácil, não é?

Bom apetite.

Já agora, regue a refeição com o seguinte néctar (proveniente da mesma fonte): “Apenas 30 por cento do valor das coimas aplicadas pela Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária (antiga Direcção-Geral de Viação) revertiam a favor da CMP, constituindo uma receita substancialmente inferior aos 500 mil euros por ela gastos na instalação dos radares, acrescidos do custo, não especificado, de gestão do sistema.”

Os dias da blogosfera

Quando eu era miúdo, a minha principal companhia era a rádio. Entretinha-me então, horas e horas, a ouvir os programas de música e os relatos de futebol. E, de repente, dava por mim a imaginar: Como será a Andreia Marçal? Loira ou morena, cabelos curtos ou compridos, magra ou gorda? E como será o Óscar Coelho? E o Sérgio Teixeira? E o António Pedro? E o Jorge Perestrello?
Era a magia da rádio, muito diferente dos dias de hoje. Pela internet ou pela televisão, já conhecemos a cara de todos aqueles que estamos a ouvir. Não é a mesma coisa.
Lembrei-me disto a propósito da blogosfera e dos blogues colectivos. Já estive no «5 Dias» durante algum tempo, mas nunca cheguei a conhecer pessoalmente nenhum dos meus colegas. E mesmo agora, no Aventar, apesar de ter lançado o blogue e convidado o pessoal, não conheço quase ninguém. E de repente, como aconteceu há anos com a rádio, dou por mim a pensar como serão aqueles com quem convivo virtualmente todos os dias. O Luís Moreira e o David Fonseca, serão simpáticos velhinhos de cabelo branco que só se aguentam nas canetas com a ajuda de uma bengala? E o Miguel Dias, será gordito como o Miguel Dias do teatro de revista? E o José Magalhães, terá barbicha como o José Magalhães da política? E o Fernando Moreira de Sá, terá pinta de ciclista? E a Glória Colaço Martins, será uma «vamp» toda extravagante ou um pensozito? E o Pedro Namora? Ah, pois, esse conheço da televisão.
É a verdadeira magia da blogosfera. Uma magia que nos faz bem. Que nos enriquece.
Mas tanta magia também já chateia. Cá por mim, gostava de conhecer a sério o pessoal. E que tal um jantar para a malta do Aventar?
Já estou a imaginar a cena. Chega um velhinho – és o Luis Moreira! Chega um gordito – és o Miguel Dias. Chega um barbicha – és o José Magalhães! Chega uma «vamp» – és a Glória! Chega um tipo de bicicleta – és o Fernando Moreira de Sá! E vai-se a ver e não era nada como eu tinha pensado. Afinal, o gordito é o José Magalhães, o tipo de bicicleta é o Miguel Dias, o barbicha é o Luis Moreira e a «vamp» é o Adalberto!
Então, convite aceite?

PS – Não referi alguns dos elementos do Aventar. Ou porque os conheço pessoalmente, ou porque já vi uma foto deles algures.

Benfica

Meus caros,
andei por estes últimos dias a ver, ler e ouvir comentários variados sobre o mundo da bola lusa, sobre os seus sucessos e os seus fracassos.
Não seria minha intenção vir a este corner falar de bola, porque isso é para os sábados à tarde com os amigos de sempre, mas não resisto a falar do meu BENFICA!

Sou sócio do Benfica e por isso penso que tenho algo mais a dizer do que o simples adepto.
E para arranque de conversa não vou recorrer ao que todos sabemos sobre o “Sistema”. Vou apenas falar da minha casa.
Ao longo dos últimos anos têm passado pelo BENFICA muitos jogadores e treinadores, dirigentes e directores, presidentes e afins. Em quase todos, o resultado, desportivamente falando têm sido maus.

Mais um erro de LFV

Mais um erro de LFV

E nos últimos dez anos há uma marca comum à vida do BENFICA – Luís Filipe Vieira. Num estilo muito próprio foi construindo algumas coisas interessantes, mas no plano da equipa de futebol falho redondamente: temos estádio, temos sócios, temos modalidades a lutar por títulos, temos campeões olímpicos, mas tudo isso é pouco porque a equipa de futebol não ganha.

É uma questão de jogadores? Sim, claro: eu lembro-me que no Benfica estiveram jogadores como o Nelo e Tavares, o King, o Fernando Aguiar e outras dezenas de homens que nem para suplentes de algumas equipas da SuperLiga serviram.
É uma questão de treinadores? Claro que sim. Alguns foram um erro.

Mas, não eram TODOS, jogadores e Treinadores, MAUS!
Creio, pois que estaria na hora de Luís Filipe Vieira, eleito com o meu voto, deixar o cargo para uma nova geração de gente que não queira só copiar o estilo de Pinto da Costa.
Se este quer Lisboa a arder, eu não quero que o meu Presidente deseje ver o Porto a arder.
Se PC odeia os Mouros, eu não quero ver a palavra Tripeiros metida no meio disto, até porque nasci em Miragaia!

E para começar uma nova época, nada melhor do que manter o Quique, o Rui Costa e contratar jogadores em vez de craques!

Partidos abrem a porta à corrupção

Não me digas ? Maria José e João Cravinho cada um à sua maneira, dizem o óbvio mas que poucos têm a coragem de dizer alto e bom som!Com a aprovação de todos os partidos e com o argumento fantástico de ser por causa das receitas da Festa do Avante, o limite de apoios aos partidos passa para 1 250 000,00 euros, em dinheiro vivo. Isto é um grande contributo para a transparência da vida pública e até pode ajudar à viabilidade económica do TGV, tal vai ser a quantidade de malas de dinheiro a percorrer o país. Mas quem anda distraído é que fica pasmado (gosto desta palavra).Pois não é verdade que há dois ou três meses atrás o governo aprovou que projectos de obras até 5 000 000,00 euros podem ser entregues sem concurso público, por ajuste directo? E pelo que se sabe (disse-o Rangel no Prós e Contras) as entregas (de bandeja digo eu) estão a fazer-se em bom ritmo às grandes empresas onde, por acaso, estão os amigos do partido? Havia aí anjinho que dizia que obras de de 5 000 000 de euros eram pequenas obras.Não são, mas mesmo que fossem, grandes obras divididas por três ou quatro fica tudo na ordem. grande novidade esta de as portas estarem abertas de para em par.E abertas por dentro!

Come a papa, Rangel, come a papa

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Pelo facto de Paulo Rangel se ter atrevido a dar uma opinião, uma simples opinião, o Governo convocou de imediato Basílio Horta para acertar o passo ao Deputado do PSD. Que é tudo politiquice, que Paulo Rangel é um ignorante. Como se um simples funcionário do Estado pudesse vir atacar dessa forma o líder parlamentar do maior Partido da Oposição.
Não contente com isso, vem o Ministro da Economia, Manuel Pinho, dizer que Paulo Rangel tem de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares de Basílio Horta. Duplo ataque pessoal: à idade do candidato ao Parlamento europeu e à sua altura. Quem não tem argumentos políticos ataca desta forma. Lamentável!
Como vão longe os tempos em que Basílio Horta atacava Mário Soares e chamava-lhe de tudo em directo nas entrevistas da campanha presidencial. Começa a ser um «must» na política portuguesa, não é?, ex-CDS a passarem-se para os lados do PS. Mais ainda do que ex-PCP’s. Que isto do poder é muito bom!

SILÊNCIO, DIAS LOUREIRO E O EMPRESÁRIO

O Silêncio é sempre muito difícil de ser gerido. Na política o silêncio pode muitas vezes ser considerado cúmplice de vontades, de atitudes ou mesmo de práticas incorrectas.
É precisamente neste contexto que não se entende e não se aceita o silêncio do PPD/PSD relativamente ao processo BPN, em particular sobre Dias Loureiro e a sua continuidade no Conselho de Estado.
Com excepção de António Capucho, que em entrevista ao Correio da Manhã tomou a posição óbvia, e Paulo Rangel que recentemente também se desmarcou, ninguém, em nome do partido, afirmou o que mais faz sentido nesta altura: “Dias Loureiro devia-se ter demitido do Conselho de Estado” ou então “Se fosse comigo, ter-me-ia demitido”. Uma afirmação simples, concisa, clara e curta. A consequência passaria “apenas” por tirar o PPD/PSD desta história bizarra e de contornos muito pouco claros que o BPN introduziu na vida pública portuguesa.
Hoje, parece claro, aos olhos dos portugueses, que Dias Loureiro esteve no BPN em representação do PPD/PSD. Isto não faz qualquer sentido. Mas quem é o primeiro dos responsáveis por esta situação é o próprio partido.
O PPD/PSD já vai tarde, muito tarde, mas mesmo assim deverá o quanto antes desmarcar-se do empresário Dias Loureiro… A bem da política de verdade!

O pântano socialista!

Previsões da CE!
Mais uma campanha negra, que não leva em conta os resultados das medidas já anunciadas pelo governo, diariamente, na RTP1! A economia portuguesa deverá recuar 3.7% este ano, com o desemprego a subir para 9.1% e o déficit orçamental para 6.5% do PIB!, diz o Público! Mas os resultados das medidas, só nossas, estão a caminho.
“Fábrica de vacinas antigripe anunciada por três ministros há dois anos nunca saiu do papel!”
Fábricas fecham todos os dias. Os trabalhadores vaiam o ministro da Segurança Social e o PM! Portugal e Irlanda, únicos casos na zona euro em que o salário por trabalhador vai cair em 2009, em termos nominais e em termos reais.
“Portugal vai ser dos mais lentos a sair da crise” manifestando já não incompreensão mas manifesta má vontade. O governo nega-se a apresentar um Orçamento Rectificativo não vá os ignaros cidadãos perceber o que aí vem.” A derrapagem orçamental se se prolongar por 2010, como é previsto, promete alterar por completo o cenário das contas públicas portuguesas. A sua sustentabilidade terá que ser revista e poderá levar os futuros governos a políticas de ainda maior contenção e agravamento de impostos nos anos seguintes!”, tudo numa campanha sem precedentes contra Sócrates e Teixeira Santos!
E é com estas previsões e neste lamaçal que estes senhores querem avançar com os Megaprojectos para nos levarem para o pântano a que os socialistas nos habituaram!
Volta Guterres, tu ao menos não nos mentias!

"Notícia só é aquilo que alguém quer esconder. Tudo o mais é publicidade"

Diz o senhor Mário Crespo que foi Bob Woodward que o disse. Percebo e concordo perfeitamente. Muito se fala duma campanha negra criada por alguém, com a ajuda de jornalistas, que tentam criar falsas notícias motivadas por interesses ocultos, para prejudicar eu sei quem, em telejornais travestidos. Como se eu não soubesse que o jornalismo já não existe. Como se eu não soubesse que os jornalistas têm de responder perante responsáveis editoriais que respondem perante administrações que respondem perante os seus donos, os patrocinadores. Obrigado pela dica, senhor Mário, mas eu já sabia disso. “Há demasiada publicidade em Portugal”, diz ele. Pois é. Eu percebo!
Por curiosidade, decidi ver com mais atenção um espaço de publicidade. Espaço publicitário no intervalo do Jornal da Noite da TVI:
Banco Totta: um belo musical cantante e dançante ao som de “I need a zero!”. Brilhante. E estes gajos continuam a dar-nos música. Vê-se logo que são estes banqueiros com anúncio bacocos que mandam nisto. Próximo.
Sociedade Ponto Verde: Umas latinhas a falarem com outras, que querem ser novas coisas depois de recicladas. A normal hipocrisia do “novos negócios verdes”. Tudo pelo ambiente, digo eu. Matéria-prima à borla, é o que eles pensam. Mas pelo menos dão cabo do imenso lixo que faço. Próximo.
Bellady Wella: um colorante para cabelo que promete 6 semanas de brilho intenso. Juro que não entendo esta “trip” com os cabelos soltos e sedosos e 86% de recomendações de pessoas especializadas em cabelos, e fibra de carbono e pérolas de juguarassi e mais não sei o quê, só para lavar e pintar a porcaria do cabelo. Não entendo. Eu pensava que o que contava era a parte de dentro da cabeça. Pelos vistos não. Próximo.
Mazda 6: mais um carro amigo do ambiente só porque tem 185cv e é a diesel! Toda a gente sabe que “a diesel” é muito mais amigo do ambiente. Aliás, neste momento, nada ajuda mais o ambiente e o mundo em geral do que comprar um carro! É o que vem em todos os anúncios. E ainda se gabam: “não é para todos!”. Para mim não é de certeza.
Seguro Directo: um polícia manda encostar um condutor e em vez de pedir os documentos, quer multar o condutor porque ele tem o seguro caro. Bem, se calhar é o que vai mesmo acontecer daqui a uns cinco anos, bastando ao polícia apontar um aparelhómetro qualquer ao chip da matrícula. Assim, até os polícias podem ter mais uma comissão de venda de seguros, a juntar à das multas. Eles merecem.
Intermarché: os frescos do Intermarché são os melhores, os mais baratos e os preferidos dos portugueses. É o que diz o TNS World Panel. Porque raios, hoje em dia, todas as empresas são as preferidas dos portugueses? E porque é que há sempre um estudo qualquer para o provar? Existirá, de facto, alguma coisa que não se venda suportada por um estudo qualquer?
Peugeot 207: “Quer ajudar o ambiente? Então troque de carro!”. Não, não é uma piada. É mesmo o anúncio do novo Peugeot. Ou estes gajos são mesmo idiotas ou então pensam que as outras pessoas o são. Eu quando quero ajudar o ambiente compro um LCD, palermas!
Para finalizar: Águas Luso Sem Sabor. Sem sabor? Não é suposto a água não ter sabor? Isso devia ser antigamente… porque esta nova água regula o trânsito intestinal! E se não regular, devolvem o dinheiro. Como é que alguém vai provar que a água não regulou o trânsito intestinal? Pior! E se alguém precisar de provar que de facto regula?
Conclusão: este pessoal das empresas, dos produtos e das publicidades está totalmente demente! É só publicidade? Não acho. Acho que este tipo de publicidade é a representação fiel de empresas alheadas da realidade, manipuladoras, enganadoras e totalmente psicóticas que não têm mais nenhum objectivo a não ser vender, vender e vender cada vez mais. Sempre mais, sem parar, dê por onde der.
O grave da situação é que estas mesmas empresas são uma pequena fatia dos verdadeiros donos de tudo. Informação e jornalistas incluídos. Até de mim! Isto reflecte-se em quê? Isto quer dizer que no Jornal da Noite, estas empresas ganharam o direito de interferir com o alinhamento editorial. Patrocinando o programa, fazem com que seja impossível ao editor deixar “passar” uma notícia menos abonatória envolvendo qualquer uma destas empresas. Aliás, a situação é ainda mais complexa porque sendo as televisões e outros órgãos de comunicação social partes de empresas de comunicações com participações de/noutras empresas, a informação e o alinhamento editorial estão já comprometidos desde a raiz. Exactamente como acontece no Governo. Igualzinho.
Por isso, percebo mesmo perfeitamente porque Mário Crespo diz: “Há demasiada publicidade em Portugal”.

Exercício de imaginação avançado: Se o PS e José Sócrates fizessem publicidade no intervalo do Jornal de Sexta da TVI, ou directamente no grupo Media Capital é garantido que as notícias que envolvem o PM desapareciam e com elas a campanha negra terminaria. Ou alguém duvida do contrário?

Proposta indecente

Ali na Jugular, o João Pinto e Castro , no seu papel de “caixa de ressonância”, vem dizer que não há alternativa ao PS.
Perguntei-lhe se essa conclusão decorria dos resultados dos governos PS em 11 anos nos últimos 14 anos. Reagiu convidando-me a fazer as contas.
Não foi preciso. Por mim, alguém as fez e bem. Lá estão os 11 anos de Governo PS desde 1996.
Coloca-se pois a questão.O que tem o PS de diferente para conseguir agora o que não conseguiu antes? Onde estão as novas políticas se é que as tem? Ou vamos continuar a empobrecer e a afundar um país onde os ricos são mais ricos e os pobres são mais pobres? É que o país empobreceu e tornou-se mais injusto com os governos PS!
É sério que se proponha votar no partido que não encontrou soluções para o país? Não será mais justo criar soluções no quadro da democracia parlamentar, com vista a tirar o país da situação estrutural miserável que o PS ajudou a criar? Não será justo criar condições pela via parlamentar e de governo para a Justiça ser reformável? Ou interessa que a Justiça esteja nas mãos dos “aparelhistas” que saltam da Magistratura para o governo e vice-versa, impedindo o andamento de determinados processos e fazendo pressões para que se arquivem outros, públicos e notórios?
É que em coligação estas coisas são mais difíceis de fazer do que quando se tem o poder absoluto! E tenho muitas dúvidas de que o PS, sendo obrigado a partilhar o poder, prossiga com a política suícida dos Megaprojectos! Só por isto já vale a pena obrigar o PS a negociar!

Ambiente chocante

O ministro do Ambiente faz bem em andar desaparecido. É que sempre que o homem abre a boca ficamos com o ambiente “tóxico”!
Agora, apareceu com uma proposta polémica (além de indecente) sobre os processos de contra-ordenação. O mesmo governo que levara ao Parlamento em 2006 a lei em vigor chama-lhe agora “chocante”! As coimas vão descer 84% em alguns casos, noutros 60% e acima disso. Terá isto a ver com as facilidades prometidas em legislação recente com o destino de terrenos em áreas protegidas?
Diz o “Público”: “chocante é esta forma de gerir o Estado, a legislação e o ambiente. E sem pagar multas.”
É melhor ficarmos ambientalmente alerta!

A tortura e o terror, segundo o Estado

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A administração Obama divulgou há alguns dias uma “versão expurgada” dos memorandos secretos que descrevem os métodos da CIA na “sua luta antiterrorista”, como foram descritos os actos de tortura a prisioneiros de Guantanamo e não só.

Um conjunto de quatro memorandos secretos, agora não tão secretos, detalham de forma minuciosa as técnicas de interrogatório associadas à tortura utilizadas durante a gestão de George W. Bush. Os agentes que "fizeram o seu dever fundamentando-se com boa fé nos conselhos legais do Departamento de Justiça não serão perseguidos", lê-se nos documentos.

 

Vem isto a propósito do trabalho de Legofesto, que se apresenta como um “political junkie, news-hound and artist”, com uma obsessão pelos famosos Legos e outros brinquedos de construção. Com as pequenas peças da invenção dinamarquesa, Legofesto concebeu uma série de cenas relacionadas com as torturas praticadas pelos soldados e agentes da CIA dos EUA.

Uma opção de justiça inquinada mas compreensível. Os torturadores cumpriam ordens de um torcionário, autorizadas por opções governamentais deliberadas por outros torcionários. Se fosse um qualquer outro país, talvez localizado em África, no Médio Oriente ou América Latina, seriam, na altura, aprovados embargos, protestos de indignação internacional, censurados na ONU e em todos os fóruns internacionais de nações, talvez fossem mesmo alvo de represálias que incluiriam ataques e invasões militares de países que entoam o hino da liberdade, como uma tal de “land of the braves”.

Barack Obama reconheceu que os Estados Unidos atravessaram um "capítulo negro e doloroso" da sua história. Alguns indivíduos aparvalhados, entre os quais congressistas e senadores, por seu lado, alegaram que a administração fez mal. O que foi feito estava feito e bem feito. Alegadamente foi importante para combater o terrorismo no país e seria fundamental manter aberta essa possibilidade para o futuro. Com os argumentos do costume: combater o terrorismo. Utilizando o ‘legal’ terror de Estado. Logo, fazer aquilo que, por exemplo, Saddam fez no Iraque e levou à invasão norte-americana, atendendo ao argumento apresentado por Bush filho, que decidiu acabar o que Bush pai tinha começado.

Vem isto a propósito do trabalho de Legofesto, que se apresenta como um “political junkie, news-hound and artist”, com uma obsessão pelos famosos Legos e outros brinquedos de construção. Com as pequenas peças da invenção dinamarquesa, Legofesto concebeu uma série de cenas relacionadas com as torturas praticadas pelos soldados e agentes da CIA dos EUA. As fotos estão disponíveis na sua galeria no Flickr e valem a pena ser vistas. É um exemplo de como se pode fazer intervenção política e social com brinquedos.

SEMANA ACADÉMICA

A QUEIMA DAS FITAS

Pelo que se ouve por aí, não há dinheiro nas universidades e sobra pouco ou nada para a investigação, e muitas vezes a que se faz tem pouco ou nenhum interesse. Os reitores queixam-se, os professores queixam-se e os alunos queixam-se. Mesmo assim, arranjam-se uns milhares de euros, muitos, para essa coisa chamada de “Semana Académica da Queima das Fitas”. A festa dos estudantes, por excelência.
Antigamente, antes da revolução, e mais tarde quando do seu recomeço nos idos de 1979, a “coisa” traduzia-se em festas como a Missa da bênção das pastas, a Monumental serenata, a garraiada, o rallye paper, o cortejo, procissões intermináveis de estudantes alegres e divertidos, alguns, uma minoria, abusando uma ou outra vez das bebidas alcoólicas.
Hoje, apesar de continuar a haver a missa, a serenata, o cortejo e todas as outras coisas, tudo não passa de uma quantidade enorme de tipos dependentes do álcool e do tabaco, bêbados e bêbadas, muitos, demasiados, a recorrer às urgências dos hospitais em coma alcoólico, prematuramente decadentes, que passam por ser estudantes universitários e a propósito dos quais os mandantes de esquerda do nosso país dizem maravilhas e muito esperam. Excessos e dependência fazem parte da ordem do dia. Esta juventude, os responsáveis do amanhã, afoga a alegria, quando não a tristeza e a frustração, em copos de cerveja subsidiada (onde à conta disso as cervejeiras ganham milhões), e dá uma péssima imagem dos nossos futuros mandantes e governantes. E, os estudantes que não alinharem nestas “festas” passam por “aliens” ou pior. Serão estes os futuros médicos, engenheiros, gestores, economistas e políticos, que olharão por nós, que nos tratarão das doenças, que construirão as nossas estradas e pontes e nos governarão.
Não há quem ponha mão nisto, ninguém se incomoda, poucos se importam, e, por estas e por outras (as bebedeiras de outros que já foram estudantes e tiraram cursos sabe-se lá onde e como, e agora mandam em nós), estou crente de que não iremos nunca a lado algum.
Pobre futuro o nosso, e o dos nossos filhos.

Um Ministro que deixou de ser economista

O Ministro das Finanças diz coisas que não envergonham o Primeiro Ministro mas que envergonham qualquer economista .Primeiro não havia crise.Depois estavamos melhor preparados para enfrentar a crise que os outros países. As bases do Orçamento estavam correctas quando tudo o mundo já sabia que não era verdade.Íamos crescer 0.8 no PIB quando já era certo que a Alemanha e a Espanha, nossos principais mercados de exportação, estavam em forte queda.Agora diz com o ar mais sério que lhe é possível, que o Orçamento rectificativo não é necessário para assim esconder os tratos de polé que as contas públicas estão a sofrer.Mas as instituições financeiras internacionais desdizem-no todos os dias.As previsões hoje conhecidas são mais negras que as anteriores.O suposto efeito sistémico dos muitos milhões que foram injectados nos bancos não chegam à economia real, como se vê com o aumento do desemprego e o fecho acelerado de empresas. Toda a gente lhe disse isso e o economista sabe que é assim, que são as obras de proximidade dirigidas às PMEs, que representam 70% do emprego,as que poderiam suster o emprego.Mas não, apoia os megaprojectos que não têm efeito nenhum no emprego nos próximos dois anos e que vão endividar o país por décadas! E, já agora, que o famosos déficit controlado já está novamente nos 6.7% do PIB ! Se fosse o economista a tomar decisões o déficit não estaria neste nível e não teriam sido enterrados milhões de dinheiro público em bancos assaltados !

E quem os quer?

O ex-presidente do Conselho Fiscal do Benfica, Luís Nazaré, considerou que o elevado o passivo do clube é "preocupante". Em entrevista à Lusa, deu conta da necessidade do Benfica vender um ou mais jogadores no final da época. Os mesmos jogadores que acusa de serem os responsáveis pela má época do clube, que classifica de “decepcionante”. Um eufemismo, pois. Se não fosse “aquela” vitória na Taça da Liga teria de ser classificada como “catastrófica”.

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A questão de um milhão de dólares é: quem os quer? Com excepção de Cardozo, os restantes nomes sonantes são emprestados e não vão render dinheiro. Os outros, nomes não sonantes, dificilmente terão mercado interessado nos seus préstimos. A não ser a preço de saldo. A excepção talvez seja Ruben Amorim, mas nem neste caso o clube terá grande margem para o transferir.

UM PAÍS GERIDO POR MEDÍOCRES

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MEDINA CARREIRA

VALE A PENA OUVI-LO AQUI, E VAI VALER A PENA OUVI-LO DIA 11 DE MAIO NO DEBATE DO CLUBE DOS PENSADORES.

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Misha Lerner

Quantas vezes se referem os líderes políticos ao escrutínio que das suas decisões farão as gerações vindouras, e quantas vezes fica claro que esse é um tema que não lhes merece nem um segundo de reflexão?

Diz-se que a verdade fala pela boca das crianças e essa é talvez uma das mais óbvias razões para que estas sejam tão persistentemente silenciadas. Mas quando essa voz se faz escutar pode ser ensurdecedora…

O Washington Times conta a história da visita de Condoleeza Rice a uma escola primária da capital americana. Estava previsto que Rice falasse sobre temas tão inofensivos como as suas viagens e a importância de aprender idiomas, dando depois lugar a um período de perguntas que as crianças haviam preparado.

A princípio tudo correu conforme o esperado. Como foi crescer no Alabama segregado?Por qual das suas aptidões gostaria de ser lembrada? Foi então que Misha Lerner, aluno do 4.º ano, levantou-se e perguntou:

Que pensa sobre aquilo que a administração Obama está a dizer acerca dos métodos que a administração Bush usava para obter informação dos detidos? (Recorde-se que poucos dias antes, na Universidade de Stanford, Rice tinha afirmado que a tortura por afogamento era legal “por definição se o presidente a autorizava”.)

Conta o jornal que a pergunta que Misha queria fazer era ainda mais pontiaguda: Se trabalhasse para a administração Obama defenderia a tortura? Mas, de acordo com a sua mãe, a escola terá pedido que a pergunta fosse reformulada, evitando o uso da palavra “tortura”.

Depois de se esquivar a uma crítica directa a Obama, e de defender a legalidade de todos os actos cometidos, as palavras finais de Rice são já de derrota. “Espero que entendam que foi um período muito difícil. Estávamos aterrorizados com um novo ataque ao país. O 11 de Setembro foi o pior dia da minha vida no governo, assistir à morte de 3.000 americanos… Mesmo sob essas circunstâncias tão difíceis, o presidente não estava preparado para cometer uma ilegalidade, e eu espero que as pessoas entendam que estávamos a tentar proteger o país”.

Misha Lerner, menino judeu americano, filho de imigrantes russos, não parece ter entendido.

Sugestão para ida ao videoclube

No momento em que entendemos os loucos, passamos a ser o quê?

"Notícia só é aquilo que alguém quer esconder. Tudo o mais é publicidade"

Diz o senhor Mário Crespo que foi Bob Woodward que o disse. Percebo e concordo perfeitamente. Muito se fala duma campanha negra criada por alguém, com a ajuda de jornalistas, que tentam criar falsas notícias motivadas por interesses ocultos, para prejudicar eu sei quem, em telejornais travestidos. Como se eu, não soubesse que o jornalismo já não existe. Como se eu não soubesse que os jornalistas têm de responder perante responsáveis editoriais que respondem perante administrações que respondem perante os seus donos, os patrocinadores. Obrigado pela dica, senhor Mário, mas eu já sabia disso. “Há demasiada publicidade em Portugal”, diz ele. Pois é. Eu percebo!

Por curiosidade decidi ver melhor um espaço de publicidade. Espaço publicitário

Quem é Jorge Sampaio?

Jorge Sampaio, cuja façanha mais assinalável da carreira política foi mandar assassinar por envenenamento milhares de pombos que, no seu entender, estavam a sujar os edifícios da Avenida da Liberdade, é a favor do Bloco Central PS / PSD. E acrescenta que é sempre a favor das maiorias absolutas. Em nome, claro, da estabilidade política.
Mas se é assim, por que razão demitiu a maioria absoluta do PSD / CDS que governava o país em 2004? Na altura, não era pela estabilidade? Não era pelas maiorias absolutas? Será porque era preciso dar um empurrãozinho ao PS de Sócrates?
Ah, já sei, porque era um Governo onde as trapalhadas se sucediam e onde o primeiro-ministro não respondia às necessidades do país. Será que foi mesmo por isso? Mas então, por que raio não demitiu também o actual Governo? Teve tempo para isso. E se essas razões se aplicassem a todos os Governos, quantas vezes o actual primeiro-ministro já não teria sido demitido?
Mas afinal, quem é Jorge Sampaio e por que fala ele?

Bloco de Esquerda, o pesadelo do centrão

Segundo as sondagens publicadas nos últimos dias, o BE atinge um score eleitoral que o torna o mais importante partido do país.
O PS, sem maioria absoluta, que está cada vez mais longe, e com a economia a não dar nenhum sinal que a política de atirar dinheiro para cima dos bancos é a correcta (como muitos já o disseram mas a que Sócrates e a sua teimosia nunca quiz dar ouvidos), afunda-se, e o tempo corre contra, como se vê pelo cada vez maior desemprego e o fecho acelerado de empresas!
O PSD anda na casa dos 36%, subiu 4 pontos, o que quer dizer que está a funcionar “a lei dos vasos comunicantes”. O PCP vai ser melhor do que indicam as sondagens, mas não muito mais. Resta a surpresa CDS com os seus 2%. Irá retirar votos ao PSD?
Se este panorama se consolidar, temos o Bloco de Esquerda como o partido central da vida política portuguesa, podendo fazer maiorias absolutas com o PSD ou com o PS!
Será que é por isto que o CENTRÃO se inquieta na voz de tanta gente importante, a começar pelo ex-presidente Jorge Sampaio?

Vasco Granja e o Professor Baltazar

O João Paulo já aqui deu o devido destaque à morte de Vasco Ganja. Uma pessoa que, estou em crer, acompanhou grande parte da infância de muitos dos autores do Aventar.
Evoco-o, aqui, com um dos inúmeros desenhos animados que fazem parte do meu imaginário: o Professor Baltazar.

Fernanda Câncio e o subsídio de desemprego

Fernanda Câncio (f.), no artigo “>subsídios… publicado no Dia do Trabalhador, revelou enorme perplexidade, e até revolta, a propósito das regras de atribuição do subsídio de desemprego a trabalhadores independentes. Sentiu necessidade do desabafo público, no DN, ainda mais aguçada – por “ter passado dia e meio a tentar que responsáveis da SS mas explicassem, já que, aparentemente, têm tanta dificuldade em perceber o que a lei diz como eu” (sic).
Toda esta inquietação da f. se despoletou a partir do desemprego de amigos, de cujos sofrimentos, naturalmente, a jornalista partilha.
O conteúdo do artigo tem dois tratamentos possíveis: ou é pura e simplesmente para ignorar, ou merece um mínimo de observações justamente para repelir a tentativa de alguém que pretende atirar areia para os olhos dos leitores do DN e do blogue ‘Jugular’. Avaliando as alternativas, decidi formular as seguintes questões:
– Se a situação não incidisse sobre amigos,  não é para duvidar dos seus interesses sobre as regras em causa, a ponto de merecerem tratamento jornalístico?
– Como é possível que os responsáveis da SS, penso que igualmente amigos, não lhe soubessem explicar a base legal que praticamente elimina a atribuição do subsídio de desemprego a trabalhadores independentes?
Relativamente à primeira questão, é o resultado natural do tipo de personalidade social que cultiva: amigos são amigos e os outros são os outros (‘Les uns et les autres’). No tocante à segunda, e para esclarecimento dela, deles e dos responsáveis da segurança social, remeto para o Decreto-Lei n.º 220/2006, de 3 de Novembro.
Com efeito, para ter alcance social relevante, a jornalista f. , em matéria de direitos dos trabalhadores, dependentes ou independentes, tinha toda a política de emprego, do actual governo, para dissecar. O Código do Trabalho, com as introduções do Ministro Vieira da Silva, justificadas por “políticas de favorecimento do emprego”, é, só por si, um vasto campo de debate.   
“Há jovens que, em 6/7 anos consecutivos, foram remunerados através de recibos verdes e hoje estão sem trabalho e sem subsídio. Os despedimentos em empresas lucrativas são comuns. A chamada lei do “lay off” é aplicada a esmo. Enfim, existe de facto um manancial de situações lesivas de muitos trabalhadores.
A tudo isto, o Governo de Sócrates assobia para ar e concentra-se no episódio VM. Obviamente a Inspecção-Geral do Trabalho também nada faz. Mas, vamos, quem quer que seja do MTSS dê lá uma ajudinha aos ‘amigos da ‘ (atenção: foi a f. que usou a designação).