A tortura e o terror, segundo o Estado

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A administração Obama divulgou há alguns dias uma “versão expurgada” dos memorandos secretos que descrevem os métodos da CIA na “sua luta antiterrorista”, como foram descritos os actos de tortura a prisioneiros de Guantanamo e não só.

Um conjunto de quatro memorandos secretos, agora não tão secretos, detalham de forma minuciosa as técnicas de interrogatório associadas à tortura utilizadas durante a gestão de George W. Bush. Os agentes que "fizeram o seu dever fundamentando-se com boa fé nos conselhos legais do Departamento de Justiça não serão perseguidos", lê-se nos documentos.

 

Vem isto a propósito do trabalho de Legofesto, que se apresenta como um “political junkie, news-hound and artist”, com uma obsessão pelos famosos Legos e outros brinquedos de construção. Com as pequenas peças da invenção dinamarquesa, Legofesto concebeu uma série de cenas relacionadas com as torturas praticadas pelos soldados e agentes da CIA dos EUA.

Uma opção de justiça inquinada mas compreensível. Os torturadores cumpriam ordens de um torcionário, autorizadas por opções governamentais deliberadas por outros torcionários. Se fosse um qualquer outro país, talvez localizado em África, no Médio Oriente ou América Latina, seriam, na altura, aprovados embargos, protestos de indignação internacional, censurados na ONU e em todos os fóruns internacionais de nações, talvez fossem mesmo alvo de represálias que incluiriam ataques e invasões militares de países que entoam o hino da liberdade, como uma tal de “land of the braves”.

Barack Obama reconheceu que os Estados Unidos atravessaram um "capítulo negro e doloroso" da sua história. Alguns indivíduos aparvalhados, entre os quais congressistas e senadores, por seu lado, alegaram que a administração fez mal. O que foi feito estava feito e bem feito. Alegadamente foi importante para combater o terrorismo no país e seria fundamental manter aberta essa possibilidade para o futuro. Com os argumentos do costume: combater o terrorismo. Utilizando o ‘legal’ terror de Estado. Logo, fazer aquilo que, por exemplo, Saddam fez no Iraque e levou à invasão norte-americana, atendendo ao argumento apresentado por Bush filho, que decidiu acabar o que Bush pai tinha começado.

Vem isto a propósito do trabalho de Legofesto, que se apresenta como um “political junkie, news-hound and artist”, com uma obsessão pelos famosos Legos e outros brinquedos de construção. Com as pequenas peças da invenção dinamarquesa, Legofesto concebeu uma série de cenas relacionadas com as torturas praticadas pelos soldados e agentes da CIA dos EUA. As fotos estão disponíveis na sua galeria no Flickr e valem a pena ser vistas. É um exemplo de como se pode fazer intervenção política e social com brinquedos.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Os brinquedos dão uma ideia bem mais precisa do que uma simples foto .Mas as crianças percebem isto, ver meninos com um balde enfiado na cabeça’


  2. Não é bonito,

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