Visita do Papa – Vamos a Contas…

Pobres e pouco alegres, quando é necessário e mais a mais estamos perante a visita de um alto dignitário do Vaticano, lá desenrascamos uns milhões para a festança e a pitança, mostrando ao mundo sermos gente generosa e acolhedora. Cuidámos sempre de nos apresentar como afável e simpático povo. É um complexo ‘luso-colectivo’ de exportação, porque, internamente, não somos bem a mesma coisa, como diz o anúncio.

Segundo o  PUBLICO, em notícia que se propagou por jornais estrangeiros, LE MONDE por exemplo, o custo directo diário da visita do Papa está estimado em 37 milhões de euros, atingindo um total de 800 milhões para o período total da visita – números revelados por um estudo do Prof. Luís Bento da Universidade Autónoma de Lisboa.

Trata-se de um belíssimo investimento na fé, asseveram uns. Outros, como eu, não acreditam em milagres e esperam o anúncio das medidas draconianas a depauperar, ainda mais, os bolsos já vazios ou quase de muitos milhões de portugueses. Sexta-feira próxima, ou no limite segunda-feira, cá estaremos para ouvir Sócrates ou um seu ministro dizer: “vamos a contas’. Até lá, oremos.

Comments

  1. Força Emergente says:

    A nossa contribuição para a visita.

    POR AMOR DE DEUS
    Ontem já estava mal disposto. Não estranhei acordar de madrugada.
    Por mais que tentasse, não me saíam da cabeça as restrições ao trânsito, a tolerância de ponto, os microfones forrados a ouro, os aviões que vão e que vêm e que irão tornar a ir e a vir.
    E tudo isto, porque vem cá um personagem a quem deram o titulo de papa.
    Para que não restem duvidas, sou ateu. Nem sequer considero o agnosticismo, porque só conheço uma pessoa que o professa e esse chama-se Manuel Alegre. De facto o único agnóstico político existente no Universo.
    Só sabe que é de esquerda, nunca toma posições claras e definidas e embora a gente não negue a sua existência, sabemos perfeitamente que não existe.

    Bom, agora o caso é mais complexo. Lembrámo-nos do objecto social desta Associação e fomos revê-lo. Lá está…..É nosso principal objecto promover o estudo dos fenómenos culturais, ideológicos, políticos e económicos do Mundo contemporâneo e em especial a sua incidência em Portugal……
    Começava a ficar justificada a razão porque me sentia mal disposto.
    É que nada justifica o “estardalhaço” desta visita. São mesmo suspeitas as razões que lhe estão subjacentes, assim como o facto de termos sido abençoados com uma estadia tão prolongada.
    Não quero ferir sentimentos de ninguém, mas também reservo o direito de transmitir a minha opinião. E essa é a de que me parece que já era tempo de olharmos para o religioso sob outra perspectiva e num contexto moderno e adequado aos novos conhecimentos, de forma a todos termos direito ás nossas opções sem constrangimentos nem falsas promessas.
    Por agora aceitamos e sabemos que parte considerável do nosso bom povo ainda se revê neste poder instituído.
    Mas por favor não nos cortem o trânsito nem nos digam que não podemos trabalhar.

    Nada justifica esta visita, na forma e nas implicações que tem.
    Se Deus existisse e não nos esqueçamos que a haver só pode ser um, estará certamente zangado com este papa e tantos outros representantes da mesma igreja. Os casos de pedofilia, abusos sexuais e outros são demasiados e cada vez mais expostos à opinião pública. Os pressupostos e os mandamentos transmitidos não se compatibilizam com as práticas. O descrético é crescente. Fátima nunca deveria ter nascido.
    A fé, essa, para quem a sentir, poderá ser mantida e mesmo reforçada se se pensar mais em Deus e menos nos homens.
    Se ele existir, certamente que chamará a si as gentes de bem e de boa fé.
    Nesse trajecto, se calhar muitos papas e outros padres ficarão pelo caminho. De facto o percurso de vida de tantos deles demonstra bem que aquilo que pregam nada tem a ver com aquilo que fazem e o que fazem está muitas vezes nas malhas da esfera criminal. Nunca haverá deus que lhes valha.

    Portugal, mais uma vez está a demonstrar as razões porque é o Pais mais atrasado da Europa.
    Em todos os aspectos culturais, políticos e económicos.
    Quando muitos outros expõem a roupa suja, nós aceitámos servir de lavandaria.
    Só um povo amorfo, embrutecido e inculto, está disposto a estender a manta e tapar alguns dos mais hediondos crimes que ainda hoje são cometidos a coberto da fé e no escuro de recantos contemplativos.
    Pior ainda, é quando os políticos na mesma saga de lavagem e abrilhamento, se esquecem do estado da Nação e aproveitam o inadmissível e até sórdido para daí tirarem dividendos.
    Só o futebol já não lhes chega.
    Há que acrescentar o divino não vá o diabo tecê-las.

    Publicado no Blogue da Força Emergente

    • Luís Moreira says:

      é, pá, há um assomo de laicidade e anticlerical que não pronuncia nada de bom. Ainda os vamos ouvir dizer que “são fortes por serem filhos da intolerãncia” coisa, aliás, que lhes deu a força que os manteve durante todos estes séculos!


  2. Seja quem for esta força emergente, este texto é admirável. Merecia ser transcrito em post, no Aventar. Do melhor que tenho lido sobre o assunto. A melhor homilia a ler no Terreiro do Paço ou na Avenida dos Aliados no Porto, por D.Policarpo, ou D.Carlos Azevedo.

  3. madalena says:

    idolatria é o que isto é. , esta coisa do Papa. dessem esses milhões a quem precisa ,. se fossem cristãos a sério e não só cristãos de rótulo e de rituais idiotas , era o que fariam.
    dá voltas ao estomago tudo isto.

  4. Luis Moreira says:

    Madalena, estavam no terreiro do paço 200 000 pessoas. E este dinheiro é gasto cá, como se viu nas sanitas (texto aventar WC). Não há outa forma, a esmagadora maioria do povo é católico.

  5. maria monteiro says:

    200.000 pessoas? bem como as cabeças se multiplicam… até parecem os números das manifes

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