Os putos, os putos


Nuno Resende à conversa com Mari e João Paulo:

– Então, os teus putos estão bons?
– Está tudo bem, e as tuas miúdas?
– Vão indo.
– Olha, o meu puto agora quer ir para a catequese todos os Domingos. O pior é que depois quer ir para a missa. É só putos na fila da frente. Cá para mim, acho aquilo nefasto para a educação dele, mas o puto gosta, o que hei-de eu fazer?
– E lá na escola, como estão as coisas?
– Nem queiras saber! Este ano, tenho uma série de putos que me fazem a vida negra.
– Deixa lá. Já viste o Campeonato? Este ano o Portinho está em grande, ainda vamos ser campeões.
– É verdade. Afinal, o puto é bom treinador.
– Pois é, pois é. Olha, tenho de ir embora.
– Só mais uma para a viagem?
– Ok. Ó puto, olha aí 3 cervejas.
– Ok, chefe.

Perceberam agora, caros comentadores, o significado que uma pessoa NORMAL dá à palavra Puto??

Comments

  1. carlos fonseca says:

    Ocorreu-me a mesma ideia. Ainda bem que a aplicaste.

  2. Albano Coelho says:

    Uma pessoa normal em Portugal, entenda-se. No resto da lusofonia (ou galegofonia, como queiram) a palavra é sempre entendida sem desvios etimológicos, ou seja, é prostituto e ponto.

  3. Ricardo Santos Pinto says:

    É verdade, Albano. Já cometi uma «gaffe» dessas, há uns anos, com um aluno brasileiro. «Estás bom, puto?», disse-lhe quando passou por mim.

  4. carlos fonseca says:

    Há a etimologia e a voz popular. A segunda transforma e derruba a primeira.

  5. Albano Coelho says:

    Claro, sem dúvida. Veja-se o exemplo do castelhano “aceite” (azeite). No árabe original significa estritamente óleo de oliva mas a voz popular alargou-lhe o significado para englobar tudo o que é óleo, até mesmos os sintéticos. Somente no galego de Portugal, Brasil e outros manteve o sentido estrito original. Na Galiza atual só uns poucos eruditos reintegracionistas a usam assim. A esmagadora maioria da população (novamente a tal voz popular) confere-lhe o mesmo sentido que em castelhano.

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