Cavaco a deturpar

As declarações e discursos de Cavaco transformam-se quase sempre em exercício de quem se imagina a falar apenas para pacóvios. Criticamos-lhe a petulância, reconhecendo eficácia na falácia de ser o mais honesto e sábio dos portugueses. A célebre frase “Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas” é  estigma do estilo de político que o define.

Na Madeira, concelho da Ribeira Brava, Cavaco garantiu à comunicação social que não afastaria os membros da sua comissão de honra que dirigem a CGD. Para defender a sua posição, declara agora que, no debate com Alegre a propósito dos dinheiros públicos injectados no BPN (+ de 5 mil milhões de euros) e da nacionalização por ele promulgada, se limitou a fazer uma constatação do insucesso de resultados por comparação com o êxito de operações semelhantes em bancos britânicos.

Primeiro tem de se concluir se as condições de solvabilidade do BPN, pelo peso dos activos tóxicos com que o seu ex-Secretário de Estado Oliveira e Costa o sobrecarregou, têm semelhanças com a estrutura financeira das unidades britânicas recuperadas. Temos dúvidas.

Segundo, e neste ponto a verdade é insofismável, Cavaco referiu-se expressamente a quem, da CGD, tem administrado o BPN, ao afirmar, como o Expresso divulgou, taxativamente o seguinte:

“O que me surpreende é que esta administração do BPN não tenha conseguido fazer aquilo que fizeram as administrações em Inglaterra.”

Não estamos, portanto, enganados.

Não é, pois, aceitável que o PR, candidato a novo mandato, recorra ao estratagema de acusar terceiros, talvez fantasmas de uma historiazinha imaginária, de que as suas palavras estão a ser alvo de deturpação – a haver deturpação, Prof. Cavaco Silva, é da sua parte. 

Que engane alguns, é inevitável. Que queira enganar todos, é estultícia. Assumir o que se diz em público é uma das regras da ética na política. Para a contrariar, já temos quanto baste.

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