Sobre presidenciais…

-Há 5 anos sem entusiasmo votei Cavaco Silva nas presidenciais. Acreditei na altura que a luta, seria entre o actual inquilino do palácio situado nas proximidades da Antiga Fábrica dos Pasteis de Belém e Mário Soares, uma espécie de figura tutelar do regime, pela qual não sinto apreço. Na noite das eleições confesso ter ficado surpreendido e até mais satisfeito, pelo segundo lugar obtido por Manuel Alegre, do que propriamente pela eleição do candidato em que votara algumas horas antes. Ao longo deste tempo não fiquei convencido pela actuação do Presidente da República, cuja actuação várias vezes critiquei, não propriamente pelas trapalhadas a que o seu nome surge ligado. Também Manuel Alegre, com as suas incoerências, indecisões e incertezas, não mostrou em meu entender capacidade para exercer um bom mandato como Presidente da República. Aliás, pessoalmente até preferia que o cargo fosse extinto, o sistema político reformado, limitar o governo à acção executiva e confinar o legislativo ao Parlamento, mas deixo esta discussão para mais tarde, no entanto em boa razão, reside aí parte da minha falta de entusiasmo nas eleições presidenciais, a actual não é diferente das anteriores. Decidi pois não votar no próximo Domingo, é certo que terei a alternativa do voto em branco, mas infelizmente o mesmo não é considerado como validamente expresso, nem contabilizado no resultado final, apenas fica registado em acta, ao lado dos brancos e nulos, o que na prática lhe confere a mesma eficácia que a abstenção. Ficarei no entanto satisfeito caso se venha a confirmar a tendência de aproximação de Fernando Nobre a Manuel Alegre, poderei até rever a minha posição, se próximas sondagens até 6ª feira confirmarem tal possibilidade, votando nesse caso em Fernando Nobre, mas para já a inclinação vai para permanecer em casa. Apenas admito a possibilidade de votar Cavaco Silva numa eventual 2ª volta frente a Manuel Alegre, entre o medíocre e o péssimo, scolho o medíocre. Hesito, porque também não me entusiasmam as propostas de Fernando Nobre, apenas considero atraente a possibilidade de dar uma lição aos partidos políticos, em especial aos Dupont & Dupont que alternam no poder há 35 anos.

Comments

  1. Helena Magalhães says:

    Eu acho que o Senhor tem toda a razão no que diz. Concordo com tudo. Mas, como teremos de ter um Presidente da República prefiro ter voz e como a esperança é a última a morrer, vou votar Fernando Nobre.

    • António de Almeida says:

      Já estive mais longe de cometer tal heresia, considero-me liberal, algo que Fernando Nobre não é, nem qualquer dos outros, mas estou farto da política rotativista e Fernando Nobre tem a vantagem de estar fora do sistema. Aliás será o único com possibilidades de derrotar Cavaco Silva numa eventual segunda volta, porque recolheria os votos da esquerda em peso. Já Manuel Alegre, dificilmente fará o pleno à esquerda e não receberá os votos de pessoas à direita, que também as há, que votam Fernando Nobre.

  2. Rodrigo Costa says:

    … Se eu votasse —e não voto; nunca votei nem faço questão—, possivelmente optaria por Fernando Nobre:

    Cavaco está cansado e deve muito pouco à inteligência: vive ou tem vivido entre as suas convicções (?) e o não ficar mal na fotografia.

    Recordo o diploma que lhe foi apresentado para legalização do casamanto gay: não concordava, mas não queria causar problemas ao país. Ora eu penso que não é possível tomar grandes medidas sem que se cause problema a alguém ou a alguma coisa —nada tenho contra as uniões gay; por mim, até se podem divorciar; peguei no exemplo… para exemplo.

    Sobre Manuel Alegre, também penso que só ainda não o compreendeu quem não quis. Um menino que não cresceu, porque medrou no seio de todas as mordomias; com todas as despesas pagas por particulares e pelo Estado. Tem feito uns poemas e… mais nada —que fez ao milhão de votos que conseguiu nas últimas eleições?… Nada, porque dava trabalho, e isso é coisa que o homem não quer; ele quer ser uma figura distinta, que justifique um soneto no Panteão. Talvez seja forte, mas penso que pode ser enquadrado no universo dos parasitas; valendo-lhe, apenas, o facto de não ser nem o primeiro nem o único, ou o país não estaria neste estado.

    A Fernando Nobre, faltará, penso, a consciência do que é a realidade política. Faltar-lhe-á perceber que o terreno está todo minado pelos grupos económicos, que compram toda a gente que ache conveniente, desde a “direita” à “esquerda”; porque são eles, sem dúvida, quem governa, alicerçados na promiscuidade com os partidos políticos; patrocinando,a deputados, secretários de estado e a ministros, essa dança de cá para lé e de lá para cá, entre as posições de governantes e as de administradores das suas empresas.

    Presidente de quê?… Simplesmente uma figura de estilo.
    Eu diria que, quem quiser ser útil, o último espaço onde o poderá fazer é na política. Tenho mesmo a certeza de que o Fernando Nobre fará mais no desempenho das funções a que se tem dedicado do que como Presidente da República. Admitindo que tem vivido múltiplos e graves problemas, nenhum, penso, será tão sujo quanto os problemas que enfrentaria como habitante do Palácio de Belém.

    • António de Almeida says:

      Repito o que escrevi no comentário acima, a vantagem de Fernando Nobre é estar fora do sistema, os partidos precisam levar uma lição, todos eles, da esquerda à direita.


  3. estou a ver que te aproximas da luz.


  4. Cavaco exerceu a discreta magistratura da soneca…

    • António de Almeida says:

      A sorte de Cavaco é que os outros ainda são piores, mesmo Nobre, qual a sua virtude? não ser político, no fundo o país não confia e está farto dos políticos…

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