A ditadura das portagens electrónicas…

O direito de opção dos consumidores, no que tange ao pagamento das portagens, está a ser posto miseravelmente em causa pelas concessionárias.

Com o enxamear de cabinas de cobrança automática ou com dispensa da manual, ficam os consumidores privados de um meio expedito, que garante empregos e satisfaz o direito de opção que aos consumidores se deve oferecer, reconhecendo-o, em quaisquer circunstâncias.

Não há ou haverá, quando muito, um escasso número de cabinas dotadas de pessoal, como sucedeu nos Carvalhos, sábado último, em que só uma funcionava, em detrimento dos direitos dos consumidores.

Não as havia nas portagens de Coimbra-Norte, ao que nos foi dado apurar, com as viaturas a demorar excessivo tempo em operações automáticas nem sempre fáceis ou expeditas.

Na A-4, à saída para Marco de Canavezes, havia uma fila interminável de veículos porque só uma das cabinas estava ocupada, numa desproporção entre o movimento registado e o pessoal disponível.

Na portagem da A-3, na saída para o Porto, à noite, uma só das cabinas veio a ser provida de pessoal.

E há como que deliberadamente painéis anunciadoras – das operações manuais ou automáticas – da mesma cor – sendo que à noite nem sequer são iluminados. Como que para justificar, com despedimentos, a imprestabilidade das cabinas com processamento manual.

É inadmissível o que se está a passar nas portagens com o beneplácito ou, ao menos, sem uma intervenção enérgica do Estado ou do pretenso “regulador”.

É uma malfeitoria o que BRISA e quejandas estão a fazer aos seus bravos e sacrificados portageiros…

Num País em que factores estruturais e conjunturais vêm ampliando o desemprego, é desumano o que vem acontecendo aos habituais servidores das concessionárias das auto-estradas e ignominiosos os métodos adoptados para os afastar, avolumando-se as cifras de desemprego, que a recessão que ora se verifica só ampliará. Com as consequentes desvantagens para os consumidores e a desumanização das relações, sendo que o homem parece condenado a dialogar com as máquinas, numa descaracterização inadmissível e em absoluto ao arrepio do apoio que trabalhadores e famílias devem merecer dos monopólios circunstanciais de auto-estradas que a todos pertencem, afinal (ex-scuts à parte, em que a lesão dos direitos dos consumidores também sobressai vergonhosamente, clamorosamente… com o arremedo dos pagamentos, em alternativa, nas estações dos serviços postais).

Urge que alguém, de entre os que detêm atribuições e competências neste particular (por distracção ia chamar-lhes responsáveis…), se ocupe instantemente da questão.

De outro modo, a ACOP, enquanto associação de consumidores, poderá ter de recorrer aos tribunais a fim de convencer os julgadores da lesão de interesses e direitos que desse modo se consuma.

Mas, para tanto, é preciso que os tribunais dominem o direito do consumo para poderem apreciar judiciosamente o que está em causa, dando razão aos consumidores, que a têm de todo…

O que se precisa é de meios para que as associações de consumidores, que não as meras sucursais de multinacionais dos negócios, se batam pelos direitos que são amiúde postos em causa sem que ninguém reaja.

Em momento em que as associações, neste País, parecem resumir-se a uma só – a ACOP –, já que a iniciativa processual em matéria de acções colectivas lhe tem cabido por inteiro, porque não religada a interesses económicos multinacionais, como ocorre com a outra, Portugal carece de um novo impulso para que nele se instale uma verdadeira política de consumidores, coisa que ora falece em absoluto…

Comments

  1. João Carvalho says:

    Meus Amigos

    A solução para acabar com este abuso das empresas que gerem as auto estradas é deixar de as utilizar.
    Esses filhos da …. que só querem lucros para engordar os gestores, pagando salários e prémios astronómicos…
    É normal que queiram reduzir às despesas, não baixam o preço cobrado e assim sobra mais para distribuir por eles, nada mais simples, afinal temos meia duzia de chicos espertos que vivem à custa dos 9 ou 10 milhões de Portugueses que até são capazes de apoiar esses metodos, pois convensem-se que tudo que seja reduzir despesa é bom para o País. Deixem as auto estradas às moscas e verão que eles mudam de ideia…

  2. João Carvalho says:

    Eu até pensei em adquirir a via verde, mas ainda tenho que pagar o aparelho? Isso é que era bom, pomos-nos a geito para que eles diminuam os custos de exploração e ainda lhes pagamos o sistema…
    Vamos deixar de ser “anjinhos” e deixar de ser levado pela conversa desses doutores da treta…

  3. Carlos says:

    Note-se que nas ex-SCUT não forma de pagar em dinheiro vivo, tendo os utentes de se deslocarem dois dias depois a uma estação do CTT ou a um posto com terminal adequado para aí pagar em dinheiro, mas com um acréscimo para despesas administrativas. Esta forma de pagamento é uma forma atoleimada, exigindo dos utilizadores que não queiram aderir à via verde, despesas com deslocações e esperas por vezes com grandes custos, apenas por que se quis inventar um sistema novo, único no mundo, em que os utilizadores estão impedidos de pagarem no momento em que usam as autoestradas o preço da portagem estabelecida.
    Tenho para mim que o PS vai levar uma tareia no próximo dia cinco muito à custa de um erro destes, que só podia vir da cabeça do dr. Campos e dos seus amigos incompetentes, que então dominavam os CTT, à custa de declarações falsas sobre as suas habilitações literárias.

  4. Carlos says:

    Corrigindo: Note-se que nas ex-SCUT não há forma de pagar em dinheiro vivo, tendo os utentes de se deslocarem dois dias depois a uma estação do CTT, ou a um posto com terminal adequado para aí pagarem em dinheiro, com um acréscimo para despesas administrativas. Esta forma de pagamento é uma forma atoleimada, exigindo dos utilizadores, que não queiram aderir à via verde, despesas com deslocações e esperas por vezes com grandes custos, apenas por que se quis inventar um sistema novo, único no mundo, em que os utilizadores estão impedidos de pagarem no momento em que usam as autoestradas o preço da portagem estabelecida.
    Tenho para mim que o PS vai levar uma tareia no próximo dia cinco muito à custa de um erro destes, que só podia vir da cabeça do dr. Campos e dos seus amigos incompetentes, que, então, dominavam os CTT, à custa de declarações falsas sobre as suas habilitações literárias.

  5. 1885, Alemanha.

    Hoje, a 30 dias das eleições, Gutenberg anunciava em conferência a invenção da máquina de impressão.

    O Partido Comunista estava em pânico com os trabalhos que esta máquina e a proliferação dela destruiriam. Entre escribas de caligrafia, de cópia, de correcção, de ilustração e de rubricação; que reproduziam livros de qualidade, que livros básicos e correspondência, que comparavam o manuscrito e a obra final, que pintavam as ilustrações e que pintavam as letras vermelhas no início de cada página, respectivamente.

    Uma só máquina reproduziria o trabalho da vida de 5 homens, e uma máquina só custava um homem a fazer, um homem podia fazer várias máquinas ao longo da vida!, o horror!
    O Partido fez o favor de tornar estas preocupações públicas com a campanha “Gostava que uma máquina roubasse o SEU trabalho?”

    30 dias depois os jornais clamavam a subida de Marx e o partido comunista à liderança da política Alemã. Gutenberg foi o primeiro ocupante de um campo de trabalhos forçados, ou educação correctiva. Mas não o último.

    A Alemanha continuou alegremente, até ter sido ultrapassada cultural, economica e científicamente por todos os seus parceiros; pois não só a massificação dos livros traduzia ideias de forma acelerada como os 5 escribas podiam efectuar trabalhos de maior valor que um que podia ser feito por uma máquina.

    II.

    Substitui Gutenberg por concessionárias, máquina de impressão por portagens automatizadas nas autoestradas, Alemanha por Portugal, escribas por trabalhadores das portagens. Karl Marx pela população portuguesa.

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